Cotidiano

Sobre Como Podemos Viver Melhor?

dúvida 6 ou 9

Sobre Como Podemos Viver Melhor?

Curioso ler nas redes sociais de maneira sistemática, gente reclamando da vida, do trânsito, do casamento, do parceiro, do chefe, da comida fria, da noite mal dormida, em contrapartida da minoria que se alegra em ter pego todos os sinais verdes, de ter uma vida aconchegante, de se alegrar porque é segunda-feira!
Vejo uma facilidade humana em colocar o entusiasmo em caixa separada dos afazeres do dia a dia, que chego a me espantar com o equívoco!
É claro que os problemas fazem parte da vida, mas creio que façam muito mais parte das ciências exatas. A vida não é só matemática, com cálculos, equações e seus binômios. Exato – que temos nessa vida – é que todos morreremos.
As pessoas parecem encontrar defeitos o tempo inteiro, e exigem seus direitos com uma ferocidade, que não carregam nesse mesmo fervor, quando têm que tratarem das suas emoções positivas.
Seria isso uma inabilidade? Ou reclamar dá mais atenção e ibope à pessoa? Alguma vantagem há de haver, pois para alguns, parece um vício reclamar de tudo!
As pessoas encontram obrigações nos outros e se esquecem dos seus deveres que anteciparam a “exigência” da demanda.
O mundo é mais fácil, conectado e interligado, e mesmo assim, as pessoas parecem que entraram num “automático” que a cegaram de alguma forma para os detalhes e para as importâncias reais.
Reclamam do mal cheiro, mas ao passarem por um gramado recém molhado não causam – em regra – aquela sensação gostosa que o cheiro da terra molhada tão poeticamente nos corteja ao passar por nós.
Aonde estão os momentos que esta mesma pessoa vivencia também, em que o outro te apresenta uma ideia bem sacada que o ajudará na conclusão de um trabalho; aquele seu dentista que te recebeu de braços abertos para uma consulta de rotina; aquela sua colega de infância que prestigiou a amiga numa festinha que você estava presente, e brincou com sua memória e relembrou histórias boas comuns? Cadê a alegria de celebrar uma nova amizade, ou de ver uma pessoa já conhecida, mas com os olhos de amor, ou a história daquele vizinho que te trouxe um pedaço de bolo, o jornaleiro que separou suas revistas favoritas e ainda colocou um brinde na sacola só para te agradar? E aquela sua amiga que te levou uma lembrancinha “só porque era a sua cara”? Cadê aquele dia em que você se deu um presente, ou uma taça de vinho, ou um banho demorado por apenas merecer esses momentos personalíssimos do encontro do eu consigo mesma? Já voltou para um lugar de infância e teve vontade de patinar de novo? Isso não te traz acalanto? Contentamento? Brilho nos olhos? Tenacidade pela vida? Já esteve em reunião no 20º andar de um prédio e percebeu o quão maravilhoso é a dança das copas das árvores vista por aquela perspectiva? Já ajudou alguém e se sentiu “orgulhosa” de si pelo gesto que ninguém vai saber? Por que o brilho nos olhos não pode brotar porque estudamos uma matéria nova, ou descobrimos novas respostas à velhas questões?
Por que o tônus da nossa pele não resplandece pelo simples fato de abrirmos os olhos toda manhã, nos permitindo novo recomeço, nova forma de fazer melhor, diferente, ou quem sabe, mudar totalmente o rumo da nossa vida?
Por que o entusiasmo e o bom humor, que costumo depositar na mesma caixinha, não estão ao alcance de todos pela manhã, seguindo o dia com a mesma resistência com que o rabugento certamente consegue?
Por que será mais fácil para muitos reclamarem da vida que celebrá-la? Tem gente que só alcança o “céu terreno” quando brincar de amarelinha, isso, quando chega ao final da brincadeira! Essas são algumas possibilidades, pois a vida é vasta, é bela sim, é variável, e são nas pequenas coisas do dia a dia que a vida acontece sem rascunho.
Cuidar para não nos tornarmos pessoas tediosas e enfadonhas é tarefa cotidiana sim.
Reclamar e nada fazer a respeito é a forma mais chata de se viver, e para que querer isto para si?
Por que esse olhar melancólico? Por que se fazer de vítima do trânsito, dos outros e dos fatos mais banais?
Sempre temos escolhas! Reeducar o olhar para a vida, me parece um exercício diário e repetitivo, mas asseguro que esta prática tira a opacidade do olhar, rearranja nossas emoções, e quem sabe, um dia melhor na sua vida, de fato, seja um dia melhor na vida de tanta gente que você cruzará pelo curso hoje!
Abra suas janelas do carro, da sua casa, e simplesmente deixe o ar acariciá-lo, prometo (para os mais pessimistas) que vocês não “pegarão” gripe por conta disso!
Hoje é dia de gentileza consigo mesmo! De amor próprio. Ao menos um sorriso vai, mesmo que inicialmente tímido, eu gostaria que brotasse um sorriso para iluminá-lo no dia que acaba de nascer!
E cada dia uma tentativa, e quando perceber, nem notará que o bem estar ultrapassou a região da cabeça e se espalhou, como magia, para o corpo todo!

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Ana Luiza Alves Lima

Nascida em Santos, São Paulo, Brasil. Advogada e Consultora na Gestão de Pessoas em São Paulo – SP, Brasil. Formação: Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Santos (UniSantos-SP); Pós-graduado em Gestão de Seguros (Fundação Getúlio Vargas – FGV-SP); Consultora do Serviço Nacional do Comércio (SENAC para cursos livres e de pós graduação) e Administração de Recursos Humanos, pelo SENAC/SP. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo e da Associação dos Advogados de São Paulo.

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