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O que as empresas podem aprender com os museus interativos?

Os museus interativos têm apresentado diversidade, tecnologia, sustentabilidade e rede, conceitos que estão cada vez mais presentes na sociedade atual. Como as empresas podem aprender com essa relação entre passado e futuro?

 

INTRODUÇÃO

Com certeza você já ouviu a expressão: “quem vive de passado é museu”. Pois fique sabendo que quem vive de futuro, também! A evolução dos museus e seus objetivos na contemporaneidade tem sido verdadeiras lições de comportamento para as empresas.

Quer saber quais são os motivos?

  1. Os museus interativos estão atentos à tecnologia, que reinventou o nosso modo de viver.
  2. Eles deixaram de ser um lugar de acúmulo de objetos e passaram a valorizar o patrimônio imaterial.
  3. Essa modalidade de museu está focada em criar experiências altamente contextualizadas.
  4. A interação desperta curiosidade e interesse nos visitantes, fazendo com que os museus sejam mais atrativos.
  5. Há um investimento em inovar a abordagem. Os conteúdos estão sendo passados de formas interativas.
  6. O uso das tecnologias no museu permite maior acesso às informações, bem como a sua democratização.

 

MUSEUS INTERATIVOS

Olhar para uma obra de arte não quer dizer, necessariamente, que você está entendendo o contexto da obra ou, por exemplo, captando a intenção do autor.

Por isso, mesmo os museus mais tradicionais estão investindo em tecnologias como o QR code, um código de barras 2D que pode ser escaneado pelo celular.

Esses códigos acompanham as obras, para que o visitante possa usar seu celular e ter acesso a um site que contém conteúdos informativos sobre a obra que está observando.

Essa prática, além de aproximar o usuário do museu, permite, de forma mais ampla, uma interpretação das obras.

Alguns museus vão além, e por meio do desenvolvimento de aplicativos específicos, apresentam muito dinamismo em suas informações. Como é o caso do Museu de ciência de Ottawa.

 

EXPERIÊNCIA

Para que você possa entender melhor sobre esse museu, trazemos uma experiência vivenciada pela nossa Sócia Proprietária, Ana Paula Arbache, que teve a oportunidade de visitar o Museu de ciência de Ottawa, que fica localizado no Canadá.

A INTERAÇÃO

Tudo é preparado para acolher o público e fazê-lo sentir parte do Museu” – Ana Paula Arbache

Para que o visitante possa, de fato, interagir com a ciência, o museu propicia:

  • arquitetura projetada: seus corredores são largos, permitindo livre circulação dos visitantes;
  • simulação em computadores de como uma obra pode trazer impactos para a sua vida;
  • brincadeiras de contato com objetos materiais – invertendo a ordem do “proibido tocar” presente na maioria dos museus. Como a exposição The Art of the Brick.

The Art of the Brick

São esculturas de Lego em tamanho real que podem abraçar um visitante, servir de banco de praça ou fazê-lo refletir sobre a condição humana.

  • conhecimento de experiências científicas, apresentadas ao vivo por cientistas do Museu.

“É como se a ciência fosse um show. Um verdadeiro espetáculo a parte, que coloca esses personagens cientistas para estimular os expectadores a seguirem pelo caminho da ciência” – Ana Paula Arbache

  • simulações de ações divertidas, como entrar e sair de locomotivas, testar um estilo de vida em uma casa do futuro, calçar um tamanco holandês ou um calçado de bombeiro.

Essas experiências permitem que o visitante tenha maior identificação com os temas propostos pelo museu, propiciando uma maior proximidade entre museu e sociedade. Já que você não precisa entender da exposição previamente ou ser um expert no assunto.

As explicações menos teóricas e mais sensitivas que permitem a experiência do visitante de passear entre passado e futuro.

 

SUSTENTABILIDADE

Devido às pesquisas desenvolvidas na área de educação e sustentabilidade, Ana Paula Arbache tem um olhar mais atento para essas questões.

No museu, ela pode observar alguns movimentos, como:

  • questões sobre segurança alimentar voltada para as crianças.

O tema é tratado desde muito cedo no Canadá, há espaço para o aprendizado e conscientização desde a infância. Reforçando como as responsabilidades sobre segurança alimentar devem ser compartilhadas e pensadas por todos.

  • questões voltadas a tecnologias sustentáveis

No Museu da ciência, também é possível simular a construção de uma casa inteligente, considerando as tecnologias sustentáveis disponíveis e, ainda, calcular os custos ao adquirir tais tecnologias.

Tudo de modo interativo, tecnológico e ágil” – Ana Paula Arbache.

A cidadania é fortalecida pelos diferentes aspectos na sociedade Canadense. Basta observar como:

  1. o tema “sustentabilidade do planeta” está sendo colocada em visibilidade para os visitantes.
  2. o museu mostra diferentes soluções viáveis para essa problemática.
  3. o museu circula a ideia do imediatismo: as atitudes a respeito da sustentabilidade devem ser implantadas desde já! Não é uma utopia e sim uma realidade.

 

O PÚBLICO

O público presente na ocasião foi nomeado por Ana Paula Arbache de “Multicultural”. Ela afirma que “cabia, literalmente, um mundo ali dentro: chineses, indianos, americanos, nós brasileiros e outras nacionalidades que passavam pelos corredores do Museu”.

Sabemos que vivemos um momento de mobilidade, já que as tecnologias de transporte e de comunicação têm favorecido o contato entre pessoas de diversos países, que trazem consigo singularidades advindas de suas origens.

O multiculturalismo está sendo tomado no museu de forma estratégica, pois a exposição interativa colabora para que diferentes tendências culturais participem da exposição.

 

A RELAÇÃO DO MUSEU COM A SOCIEDADE

Para Ana Paula, o que mais chamou a atenção – além das exposições apresentadas pelo Museu – foi observar a interação entre o museu e a sociedade.

Como ela estava acompanhada por uma moradora da Cidade de Ottawa e sua filha de 6 anos, pode conhecer um pouco mais do modo de vida dos moradores da cidade.

Naquele dia, chegavam muitos ônibus escolares trazendo uma centena de crianças para passarem o dia no Museu. Em conversa com a moradora de Ottawa, Ana Paula ficou sabendo dos Summer Camps, acampamentos que acontecem no período das férias escolares, durante o verão.

  • As crianças estão de férias escolares e, consequentemente, ficam em casa.
  • Os responsáveis por essas crianças precisam trabalhar e não podem ficar com elas.
  • Os estudantes dos cursos superiores também estão de férias e precisam trabalhar para se remunerarem e reunir pontuação para a faculdade.

Sendo assim, os Summer Camps atendem todas as necessidades:

  1. As crianças se divertem em camps de ciência, empreendedorismo, música, dança, esportes entre outros.
  2. Os estudantes de curso superior obtém remuneração, propiciando o aprendizado e a vivência em um determinado trabalho, além de desenvolver senso de responsabilidade, disciplina, gestão de tempo e de recursos financeiros, criatividade, tolerância, entre outros.
  3. As mães e pais podem trabalhar com tranquilidade – a criança sai pela manhã e volta à tarde! Perfeito!

 

COMO APROXIMAR ESSAS RELAÇÕES COM AS EMPRESAS?

Ana Paula Arbache afirma que essas considerações apontadas sobre o Museu de ciência e a experiência que ela nos relatou podem ser aproveitadas quando pensamos os espaços das empresas.

Ela nos aponta três aprendizados:

  • Diversidade

Considerar o olhar para o diverso: crianças, jovens, adultos e seniores, cidadãos do mundo de diferentes nacionalidades.

O multiculturalismo compõe um mundo sem fronteiras, propicia encontros que podem ser prósperos, ou não, dependendo de quem está olhando!

A diversidade nutre a criatividade e deve ser incentivada nas empresas como vantagem estratégica. Contar com gestores que entendam a singularidade de cada colaborador, bem como as suas tendências culturais.

  • Tecnologia e simulação

Não há caminho diferente. Mesmo que para nós, que estamos há muito tempo nos relacionando com o mercado de trabalho tradicional, ainda exista algum estranhamento, para as gerações futuras o mundo já está posto: é o da tecnologia.

As mudanças que partem das tecnologias estão aí o tempo todo, afetando a produtividade e a eficiência das empresas, pontos importantes para o funcionamento de qualquer organização no mercado.

  • Rede e sustentabilidade

Jovens, adultos, pais, mães, universidades, camps, uma instituição que acolhe os momentos de vida de seus cidadãos dando a eles suporte para que possam viver uma cidadania mais digna.

Esse ambiente preparado para as diferentes situações deve estar nas empresas, pois conectividade e colaboração deve ser parte da vivência dos colaboradores.

Outra questão apresentada pelo museu é o da sustentabilidade. Sabemos que a vantagem competitiva das empresas está relacionada ao alinhamento de ações sustentáveis. Elas devem ser exemplo para os seus funcionários, clientes, stakeholders e parceiros, motivando todos a mudarem os seus hábitos.

Além de possibilitar lucros e maior alcance do impacto econômico, a ética e o respeito ambiental nas companhias são fomentadores fundamentais para as práticas de sustentabilidade, visto que sem as empresas a economia não funciona.

 

CONCLUSÃO

Um passeio no Museu de ciências pela perspectiva de Ana Paula Arbache nos fez repensar o quanto temos a aprender com as instituições inovadoras na relação com a sociedade.

Devemos estar atentos às mudanças a nossa volta e pensar como elas estão colaborando para uma sociedade madura no trato com seus cidadãos, preservando seus mitos e histórias e os colocando de frente para um futuro breve!

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação/PUC-SP. Mestre em Educação/ UFRJ. Certificada pelo MIT- Challenges of Leadership in Teams. Docente MBA e Pós MBA da FGV. Sócia Arbache Innovations, Plataforma de Mentoring Arbache.Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

Bruna Delgado

Bruna Delgado

Bruna Delgado é graduada pela Universidade Estadual de Maringá (UEM) em Letras – Língua Portuguesa e Literaturas correspondentes, mestre em Linguística – Estudos do Texto e do Discurso no Programa de Pós-Graduação em Estudos Linguísticos (PLE - UEM), e integrante do Grupo de Pesquisa GPDISCMÍDIA - Grupo de Pesquisa em Discursividades, Cultura, Mídia e Arte/CNPq UEM. Atua como roteirista, revisora e pesquisadora na Arbache Innovations, desde 2018.

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