Cotidiano Gestão de Pessoas

O Que Fazer Quando Perceber Que Caiu Pra Cima?

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O Que Fazer Quando Perceber Que Caiu Pra Cima?

Certa vez trabalhei numa empresa em que havia um funcionário muito particular no setor fabril, que era excepcionalmente competente e detalhista na sua produção impecável. Era daquelas raras pessoas autodidatas com brilho próprio e disposição incansável, apesar da pouca instrução acadêmica. Todos sabiam que ele era “hors concours” [fora de competição], pois sua perfeição era incrivelmente chocante até mesmo para o gerente daquela área. Passado algum tempo, houve uma rotatividade de pessoal na fábrica e dito funcionário foi escolhido para substituir seu gerente, ocasião em que o quadro de competência, agilidade e maestria caíram por terra. Explico melhor: de fato era uma promoção, mas ele foi avaliado pelo que ele era naquela função, e não pelo que se esperava dele na nova posição oferecida. Apesar de ser exímio, ele não possuía habilidades inerentes a um cargo gerencial. Ele era tímido, se entrosava pouco com seus colegas e de repente (quando se tornou chefe dos demais) passou a ser visto como “o patrão” e não mais aquele colaborador excepcional. Sabia fazer, mas não sabia comandar, gerenciar, cobrar, ensinar, ouvir, comunicar.

Desconhecia cronogramas, nunca tinha atuado como facilitador, nem tinha traquejo para minimizar conflitos, ou seja, “caiu pra cima”! Infelizmente, não restou outra alternativa à empresa se não demiti-lo, pois o mesmo se recusava a retornar a função anterior, apesar da oferta indicar que o salário novo não seria alterado. De fato ele era excepcional naquela função inicial, só que aos olhos daquele profissional seria retroceder, se aceitasse voltar à posição anterior, o que não condiz com a verdade, visto que o erro foi tê-lo colocado na posição da qual ele não tinha capacidade para abraçar, e isso não era – de forma nenhuma – demérito dele. Não gosto destes exemplos animados em que um caracol pode ser Turbo e competir com carro de corrida. Posso tentar me esforçar para entender o exemplo, mas ele não me seduz. Poderia ter havido aqui uma promoção por merecimento, nunca uma troca de posição.

Este quadro acima não é (infelizmente) caso isolado, e o quanto antes percebermos que dita pessoa não atende aos requisitos do novo cargo, melhor para futuros desfechos embaraçosos, tentar esta reversão assim que possível, sob pena de catástrofes inenarráveis. Eu reconheço a intenção de quem quis “dar uma oportunidade” a esta pessoa tão especial, mas se os atributos para a nova posição forem diferentes (e ouso dizer, incompatíveis) da competência atual, o equívoco será – indubitavelmente – desastroso. Reparos são sempre bem vindos, e o quanto antes eles forem alinhados, melhor para todos os envolvidos, podem acreditar!

“Nós precisamos entender melhor a natureza humana,
porque o único perigo real que realmente existe é o próprio homem.”
Jung

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Ana Luiza Alves Lima

Nascida em Santos, São Paulo, Brasil. Advogada e Consultora na Gestão de Pessoas em São Paulo – SP, Brasil. Formação: Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Santos (UniSantos-SP); Pós-graduado em Gestão de Seguros (Fundação Getúlio Vargas – FGV-SP); Consultora do Serviço Nacional do Comércio (SENAC para cursos livres e de pós graduação) e Administração de Recursos Humanos, pelo SENAC/SP. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo e da Associação dos Advogados de São Paulo.

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