Sustentabilidade

O Pensamento Do Ciclo De Vida No Contexto Industrial: A Relação Entre Gestão Ambiental E Inovação Ambiental

industrial

Por Sander Renato Lara Ferreira – Consultor Ambiental e Mestre em Desenvolvimento Sustentável. Brasília – Distrito Federal

A relação entre a gestão ambiental e a inovação ambiental engloba problemas especificamente relacionados à melhoria do desempenho ambiental das empresas industriais, do seu crescimento produtivo e econômico, do impacto da aplicação da legislação ambiental nas inovações tecnológicas e como estas empresas podem participar de um procedimento de eco-gestão devido à pressão dos clientes e consumidores.

A inovação ambiental, enquanto parte de um procedimento, indica os problemas básicos para a pesquisa não científica. Os indicadores convencionais de desenvolvimento de inovação tecnológica e de competitividade não são capazes de avaliar a efetividade do sistema produtivo em um sentido amplo.

Partindo dessa condição, a indústria pode-se valer de uma alternativa conceitual que busca equacionar esta dificuldade e que está diretamente conectada ao gerenciamento do ciclo de vida de produtos, processos e serviços: o Pensamento do Ciclo de Vida. Tal teoria foi desenvolvida como um conceito integrado e amplo de gestão, lidando com as questões tecnológicas, econômicas e o consumo sustentável de produtos, processos e serviços. Este ensinamento, advindo da Ecologia Industrial, originou a ferramenta de Avaliação do Ciclo de Vida (ACV).

Desse modo, o processo de decisão baseado nos moldes do Pensamento do Ciclo de Vida conduz a ações mais efetivas, ofertando uma maior sustentação no longo prazo com relação à redução dos custos econômicos e ambientais para as empresas e para o país. Pois, os impactos de todas as fases do ciclo de vida devem ser considerados integralmente quando se tomam decisões fundamentadas sobre a exploração das matérias-primas, transporte dos materiais, fabricação dos produtos, modo de produção nas plantas industriais e padrões de consumo, políticas e estratégias de gestão, gerando desta forma um ciclo virtuoso em toda a cadeia produtiva.

Outro efeito potencial para a inovação tecnológica como resultado do Pensamento do Ciclo de Vida é a mudança no padrão de comportamento a favor do meio ambiente, podendo aumentar a pressão na cadeia produtiva. É provável que isso tenha um impacto na inovação do produto, porque os clientes e consumidores finais exigirão certos tipos de produtos mais ambientalmente econômicos e satisfatórios.

Atualmente, os setores produtivos interessados neste novo conceito são bem diversificados, como: da construção civil, de embalagens, de energia, de petróleo, de transporte, de mineração, agropecuário, automobilístico, químico, etc. Além de especialistas ambientais, instituições de ensino superior, órgãos públicos, institutos tecnológicos, instituições de pesquisas, associações de consumidores, organizações ambientais e o público em geral que demonstram interesse em conhecer a qualidade ambiental dos processos de produção e dos produtos envolvidos no processo industrial.

Aos poucos, a idéia do Pensamento do Ciclo de Vida inserida no contexto industrial e produtivo pode contribuir para mudanças tecnológicas fundamentais na produção e nos produtos, em parte devido ao efeito multiplicador ao longo da cadeia de produção, inclusive no uso otimizado de energia e de materiais, com a redução de material depositado em aterros sanitários por meio do uso de processos de reciclagem e de reuso.

Conclui-se, portanto, que os princípios da teoria do Pensamento do Ciclo de Vida e sua aplicabilidade consistem na análise e na comparação dos impactos ambientais causados por diferentes sistemas que apresentam funções similares. Na visão ambiental, estabelecem-se inventários tão completos quanto possíveis do fluxo de matéria e energia para cada sistema, permitindo a comparação desses balanços entre si, sob a forma de impactos ambientais. E na visão econômica, permitem gerar subsídios para promoção da produção e do consumo sustentáveis, identificando aspectos positivos no campo social, incentivando a reciclagem e o reuso de materiais. Bem como, conseguir melhorias no sistema de disposição final dos produtos manufaturados e utilizados.