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Inovações do Vale do Silício: Tesla

A Tesla Motors, empresa automotiva, fundada em 2003 pelos engenheiros Martin Eberhard e Marc Tarpenning, na cidade de San Carlos, Califórnia, situada no Vale do Silício. San Carlos está a uma distância de 18 milhas (29 quilômetros) de Sunnyvale, CA, onde está a sede da Plug and Play Tech Center , onde a Arbache Innnovations está sendo acelerada. O nome Tesla é em homenagem ao inventor e engenheiro eletricista austríaco Nikola Tesla , que foi o inventor do motor AC (Corrente Alternada – Alternating Current), que são os motores que equipam os carros da Tesla. Os carros da Tesla foram influenciados pelo projeto EV1 da GM, produzido de 1996 até 1999, onde se mostrou inviável como modelo de negócios, pois possuía diversas restrições, entre eles a autonomia que era de aproximadamente 100 milhas (160 quilômetros).

Em junho de 2010, a Tesla Motors (Tsla) abriu capital na NASDAQ Stock Market, alcançando no primeiro trimestre de 2013, dez anos após a sua fundação, seu primeiro lucro. A Tesla, assim como quase todas as empresas inovadoras de tecnologia, percorreu uma trajetória, onde em suas duas primeiras fases da vida, a incubação e o crescimento, possui margens negativas, para posteriormente obter crescimento e, em muitos casos, exponenciação de suas receitas, segundo Geoffrey A. Moore, que descreve esse paradigma em seu livro Crossing the Chasm. Este processo ocorre, pois nem todo os possíveis consumidores adotam uma inovação tecnológica, assim que é lançada. O mercado vai adotando a inovação em etapas, em um processo que é denominado como, “Ciclo Vital de Adoção de Tecnologia”. Inicialmente um primeiro grupo, denominado de Entusiasta, que, segundo Moore, representa 2,5% dos possíveis clientes, adotam esta inovação, mesmo que não estejam maduras. Após ser testado pelo primeiro grupo, surgem os Visionários, que são 13,5% dos possíveis consumidores, que passam a se interessar, pois já compreendem os benefícios da inovação, que foi propagado pelos Entusiastas. Esses dois primeiros grupos de consumidores, representam 16% do total da possível demanda, sendo que os outros três grupos, que são os pragmáticos – 34%, os conservadores – 34% e céticos – 16% totalizam o restante dos possíveis clientes.

Os Entusiastas e os Visionários não são suficientes para rentabilizar a empresa, e neste período, as margens são negativas, o que faz necessária a captação de recursos do mercado, para viabilizar o crescimento da empresa. A Tesla Motors, devido aos altos custos de desenvolvimento, buscou investimento, antes mesmo de lançar o primeiro carro, devido aos altíssimos custos de desenvolvimento de um automóvel e uma linha de produção. A pretensão da Tesla Motors, com o investimento, era fazer um carro para atender aos entusiastas. Elon Musk liderou a série A de investimentos em 2004, chegando a um total de US$ 7,5 milhões, que visava impulsionar o desenvolvimento do primeiro carro de produção da Tesla Motors.
Considerando o “Ciclo Vital de Adoção de Tecnologia”, a Tesla iniciaria em 2005, o projeto para produzir o Tesla Roadster, que era um carro esportivo, que se esperava que atendesse as expectativas dos entusiastas. Para isto, Elon Musk liderou as duas próximas séries de investimentos, a B com US$ 13 milhões e a C com US$ 40 milhões em 2006, para viabilizar o projeto. O objetivo da série C para a Tesla Motors, era acelerar a empresa, adquirindo novas companhias, que oferecessem tecnologias, que viabilizariam o desenvolvimento de um automóvel inovador .

Os Google co-founders Sergey Brin e Larry Page, participaram da série C na Tesla Motors. Em 2007, a Tesla Motors recebeu uma quarta rodada, com injeção de US$ 45 milhões e uma quinta em 2008 de US$ 40 milhões para evitar a sua falência. O Tesla Roadster foi lançado em 2008 com motor AC (Corrente Alternada) e tecnologia drivetrain, que possibilitaria muito mais autonomia e desempenho que o EV1, chegando a 200 milhas (322 km), sem necessidade de recarga. Seu design foi desenvolvido com a ajuda da Lotus que forneceu a tecnologia do desenvolvimento do chassi básico do seu Lotus Elise. Sua desempenho era de um carro esportivo, fazendo o Roadster atingir de 0 a 100km/h em 3,9 segundos, o suficiente para chamar a atenção dos entusiastas de automóveis.

Porém, foram necessários mais investimentos para dar continuidade ao projeto. Em janeiro de 2009, a Tesla Motors levantou mais US$ 187 milhões, sendo que o próprio Elon Musk investiu US$ 70 milhões, porém até aquele momento só havia entregue 147 carros. Em junho de 2009, a Tesla foi aprovada para receber US$ 465 milhões em empréstimos a juros baixos do Programa de Empréstimos de Fabricação de Veículos de Tecnologia Avançada do Departamento de Energia dos Estados Unidos. O financiamento veio em 2010 e apoiou a engenharia e produção do Model S, bem como o desenvolvimento comercial da tecnologia powertrain, que é uma caixa de câmbio de velocidade única de custo muito baixo e eficiente combinada com um motor, inversor e bateria . O Tesla Roadster, tinha por objetivo impulsionar o modelo S, para atender aos visionários, e posteriormente aos demais consumidores. Ciclo Vital de Adoção de Tecnologia.

O Roadster da Tesla Motors, seria uma inovação incremental, se considerado que o primeiro carro elétrico de produção havia sido o GM EV1, porém se for analisado a tecnologia que foi desenvolvida para que o esportivo atingisse alto desempenho e grande autonomia, pode-se pensar que a Tesla Motors foi radical em seu desenvolvimento. Porém, ela foi além, fazendo o seu Model S atingir autonomias de 315 milhas (507 km), o suficiente para chamar atenção dos pragmáticos, do Ciclo Vital de Adoção de Tecnologia. Além da excelente autonomia para um carro elétrico, o Model S tinha grande desempenho, alcançando velocidades de até 250 km/h, algo totalmente diferente de seus antecessores.

Sem dúvidas alguma, a Tesla Motors gerou uma ruptura neste segmento, possibilitando chamar sua inovação de radical, porém longe ainda de ser disruptiva.

Como visto nesse artigo, a inovação requer muito investimento, pesquisa, persistência e propósito. No próximo artigo, será aprofundado o conceito de Crossing the Chasm e os problemas vividos pela Tesla em seu processo de crescimento.

 

[1] Artigo do Vale do Silício

[2] Link com o artigo da Plug and Play

[3] https://www.quora.com/Do-Tesla-cars-use-AC-or-DC-electric-motors

[4] https://www.britannica.com/topic/Tesla-Motors

[5] MOORE, G. A. (1991). Crossing the chasm: marketing and selling technology products to mainstream customers. [New York, N.Y.], HarperBusiness

[6] https://www.academiapme.com.br/material-complementar/como-funcionam-as-rodadas-de-investimento-em-uma-empresa/

[7] https://www.tesla.com/blog/engineering-update-powertrain-15

Fernando Arbache

Fernando Arbache

Formação: Graduado em Engenharia Civil, ufjf, Especialização em Curso de Análise, Projeto e Gerência de Sistemas, Mestre em Engenharia Industrial PUC/Rio. Doutorado em Sistemas de Informação – COPPE/UFRJ. Data and Models in Engineering, Science, and Business/MIT, Cambridge, MA (USA). AnyLogic Advanced Program of Simulation Modeling/Hampton, NJ (USA). Pesquisa em desenvolvimento de Infraestrutura Aeronáutica – ITA. Pesquisa em desenvolvimento de Aeroportos – ITA. Experiência Acadêmica: Coordenador da FGV em cursos de Gestão (curso de MBA em Gestão das Casas Bahia). Professor BSP nas cadeiras e Logística e Sistemas de Informação. Professor da Fundação Getúlio Vargas/São Paulo nas cadeiras e Logística e Sistemas de Informação. Professor da HSM Educação. Professor IBMEC nas cadeiras de Logística e Administração de Projetos. Professor do Alto comando da Marinha de Guerra Brasileira nas cadeiras de Logística e Sistemas de Informação. Professor da pós-graduação do IME (Instituto Militar de Engenharia). Professor Fundação Dom Cabral – Jogos de Negócios e Logística. Professor concursado na FATEC/São José dos Campos – Estatística Aplicada e Jogos de Negócios. Livros escritos: ARBACHE, F. Gestão da Logística, Distribuição e Trade Marketing. São Paulo: Ed. FGV, 2004. ARBACHE, F. Logística Empresarial. Rio de Janeiro: Ed. Petrobras, 2005. ARBACHE, A. P. e ARBACHE, F. Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos. São José do Rio Preto- SP: Raízes Gráfica e Editora, 2012. Experiência Profissional: Atual Sócio-Diretor das empresas: Arbache Tecnologia Educacional (http://www.arbache.com). Jogos de Negócios para clientes como: Vale (I. Desenvolvimento de Jogos de Negócios, para gerenciamento de Risco Ferroviário – com enfoque em Saúde e Segurança. II. Desenvolvimento de Jogos de Negócios para capacitar aos gestores a compreenderem a visão holística de toda a cadeia de valor da empresa no Brasil e em Moçambique), Ecorodovias (desenvolvimento do Simulador do Pedágio – treinamento dos operadores de cabine de pedágio, para aceleração do conhecimento a respeito da operação de pedágio).

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