Cotidiano

Sem a Capa, Por Favor!

compaixão capa

A rede social é um meio interessante aonde podemos encontrar pessoas indignadas, sabedoras de quase tudo, criticando bem mais que elogiando pessoas e coisas, e em poucas ocasiões, (infelizmente), percebo que os comentários são sobre situações. Isso não é uma crítica, é uma constatação simples, que me fez indagar a minha postura e percepção sobre aquilo que vejo postado e também daquilo que não gosto ou que me irrita enormemente.

Quando escrevo sobre irritação, genuinamente me vem aquela máxima psicológica de que quando nos irritamos fortemente com uma questão, certamente esta questão também está em nós de alguma forma. Confesso que apesar de concordar com esta linha psicológica, tinha certas ressalvas que caíram por água abaixo (ou seria por terra?) esta semana, tornando imperativo mudar minha opinião sobre a relatividade deste conceito que hoje entendo ser absoluto.

Sim, hoje acredito que o que irrita em nós, de alguma forma, é fruto de alguma insuficiência nossa neste mesmo segmento, mas que infelizmente, nos protegemos desta cilada atacando o outro, e não vendo em nós aquele mesma deficiência. De alguma forma, estamos nos preservando, e isso é da natureza humana, mas o curioso é que temos que entender que não gostar de algo, situação absolutamente natural, é muito diferente de se irritar a ponto de nos tirar do sério, e é deste caso que estou pontuando.

Nossa densidade crítica pode ser bem espessa quando apontamos o erro dos outros, como também pode ser bem cruel, se comparada a análise generosa que fazemos de nós… Não é bonito constatarmos que aquilo “x” nos outros, que nos irrita tanto, de fato, pode ser um espelhos de nós mesmos, (ou do que não temos e desejaríamos ter ou ser) pois acredito ser dolorosa esta simples revelação, além da negação absurda com direito a várias caretas no semblante horrorizado.

Já neguei alguns exemplos, que hoje, avalio que são ou foram erros meus, e o tempo me salvou e me salva ao me mostrar que eu estava equivocada. Digo “me salvou” porque se não conhecermos nossas fraquezas, seremos incapazes de alçar outros voos, e a ideia de ser uma galinha no meio de patos (acreditando ser um deles) pode ser fatal em muitas medidas. Somos um pouco mais de 1% mais inteligentes que os macacos, e acreditamos que nossa raça é superior. Ela é! Porém, se existir outra espécie na mesma equivalência entre nós e o macaco mais inteligente que nós, será que também não seríamos avaliados como meros estereótipos banais de símios engraçadinhos? Somos menos do que gostaríamos, mas podemos ser mais do que média comum.

Portanto, a lição disto tudo foi perceber que a compaixão muda drasticamente nossa percepção. É, compaixão em seu estado bruto, ou seja, usar o relativismo e a pureza para compreendermos as fraquezas (nossas e dos outros), pois só assim, existirá somente o impulso de ajudarmos a nos tornarmos melhores, e aquela “capa” de proteção tal e qual vemos nos heróis em quadrinhos para se protegerem dos seus inimigos, perde sua serventia em nós, simples humanos, e de forma natural cai sobre nossos pés como item desnecessário, pois não precisaremos mais nos proteger de nada, nem de nós mesmos.

Um lindo final de semana,

“A raça humana exagera em tudo: seus heróis, seus inimigos, sua importância.”
Bukowski

Ana Luiza Alves Lima

Nascida em Santos, São Paulo, Brasil. Advogada e Consultora na Gestão de Pessoas em São Paulo – SP, Brasil. Formação: Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Santos (UniSantos-SP); Pós-graduado em Gestão de Seguros (Fundação Getúlio Vargas – FGV-SP); Consultora do Serviço Nacional do Comércio (SENAC para cursos livres e de pós graduação) e Administração de Recursos Humanos, pelo SENAC/SP. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo e da Associação dos Advogados de São Paulo.

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