Sustentabilidade

Resumo: O Desenvolvimento Sustentável Em 2012 No Brasil

2012

A palavra sustentabilidade ganhou força e mudou de “status” no ambiente empresarial global. Tornou-se “moda”, podendo ser encontrada tanto na mídia, quanto nos debates acadêmicos, nas políticas globais, nos movimentos sociais e já encontra-se instalada em algumas grades curriculares do ensino fundamental, sob os Parâmetros Curriculares Nacionais Brasileiros (PCNs/1996) cujos temas abordados são: ética, orientação sexual, trabalho e consumo, saúde e pluralidade cultural e que são tratados transversalmente às disciplinas tradicionais, como Língua Portuguesa, Matemática, História, entre outras.

Outro espaço de consolidação desse conhecimento e que consiste, particularmente, o  nosso foco de atenção, são os currículos de formação de lideranças dos Cursos de Pós-Graduação Lato-Sensu, os Master Bussiness Administrations (MBAs), cujos currículos são compostos pelas disciplinas: Ética Empresarial, Ética e Responsabilidade Profissional, Ética e Responsabilidade Social.

Sustentabilidade era um vocábulo “verde”, tecido nos debates daqueles que se preocupavam com a preservação do meio ambiente e tinham este apelo localizado em alguns espaços sociais. Esta palavra hoje ganhou as cores do “arco-iris”, é negra, branca, parda, verde, amarela, multicolor, pois sob o seu “termo guarda-chuva” acolhe, conceitualmente, os vieses ético, social, ambiental e financeiro.

Também, sob a concepção de uma das mais recentes diretrizes de Responsabilidade Social e Governança Corporativa, a Norma  ISO 26000 elaborada sob a coordenação do SIS, o membro representante da Suécia na International Organization for Standardizatione da Associação de Normas Técnicas (ABNT) do Brasil, a temática da sustentabilidade se concretiza a partir da conceituação do “desenvolvimento sustentável”.

A Norma ISO 26000 foi apresentada em sua versão final em dezembro de 2010 e trouxe uma “cara” alargada para termo “Desenvolvimento Sustentável”, contemplando as dimensões social, ambiental e econômico. A Norma pode ser aplicada em diferentes tipos de organizações e é considerável ressaltar que a  ISO 26000 não é uma certificação.

A Norma apresenta os princípios e a abordagem ao tema, como também questões e indicativos para a ação, como exemplos de iniciativas de voluntariado e ferramentas para a responsabilidade social. Governança organizacional, práticas trabalhistas, meio ambiente, práticas operacionais mais justas, questões de consumo, direitos humanos e o envolvimento e desenvolvimento da comunidade são os temas centrais focalizados pela Norma.

Recentemente, vivenciamos outro marco em torno das discussões e demarcações de políticas globais voltadas para a Sustentabilidade ou para o “desenvolvimento sustentável”.

Estes dois últimos anos (2011/2012)marcaram as discussões e ações preparatórias para a Rio+20 – Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável[1], que foi realizada no Rio de Janeiro em junho 2102  e colocou o Brasil como  protagonista na escala de decisões globais a respeito do meio ambiente. O trajeto entre a preparação e a realização da Conferência foi longo, complexo e fez emergir debates acalourados a respeito da necessidade de  apresentar, concretamente, as responsabilidades e os atores que deverão “fazer acontecer” em termos de políticas públicas, sociais, ambientais e econômicas. Tais reflexões  foram importantes para dar sustentação às  intenções e demandas definidas na Rio + 20. O legadodeste evento, dependerá sobremaneira da decisiva atuação destes atores, para fazer do Documento “O Futuro que Queremos”, uma Realidade Tangível.

Um dos pontos chaves, foi de tentar encontrar, o que chamo de  “um ponto de cola identitária” entre, o desenvolvimento e o crescimento econômico e as diretrizes do desenvolvimento sustentável, este sim, o foco de maior interesse da governança global. Este ponto está justamente neste período de transição para uma economia inclusiva e voltada para a sustentabilidade.

Como podemos constatar, mudou a geografia e sua localização da palavra Sustentabilidade, antes habitava a periferia dos debates, hoje é centro nefrálgico das tomadas de decisões em torno das diretrizes globais no ambiente dos negócios, pois, a urgência de se aliar o desenvolvimento econômico ao desenvolvimento sustentável,  definitivamente  muda o significado da palavra sustentabilidade no planeta.

Estes assuntos estão presentes na coletânea: “Sustentabilidade Empresarial no Brasil: cenários e projetos”, lançada no último dia 02 de dezembro e organizado Profa. Dra Ana Paula Arbache e Fernando Arbache e traz capítulos relevantes e atuais a respeito do tema no ambiente empresarial brasileiro. A coletânea está sendo vendida na Livraria da Vila do Shopping JK – São Paulo.

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação/PUC-SP. Mestre em Educação/ UFRJ. Certificada pelo MIT- Challenges of Leadership in Teams. Docente MBA e Pós MBA da FGV. Sócia Arbache Innovations, Plataforma de Mentoring Arbache.Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

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