Gestão de Pessoas

Relacionamento: formando bons times no Scrum

Um dos maiores desafios presentes no Scrum é formar times motivados. Além de ser um pilar do Manifesto Ágil, é uma das chaves de sucesso para propiciar os resultados esperados.

Como descrever o relacionamento?

O relacionamento está associado à ligação afetiva, amizade ou ao envolvimento em comunidades. Nele, as pessoas possuem objetivos em comum – podem ser propósitos, ideais, pensamentos ou qualquer outro motivo para que elas se unam em torno dele.

Os interesses podem ser subjetivos ou concretos. Como exemplo subjetivo, é possível citar um relacionamento afetivo, no qual os membros de um casal ou uma família se unem devido aos seus sentimentos em comum e ao prazer de estarem juntos.

Por outro lado, pessoas em um ambiente de trabalho possuem interesses de realizar algo mais concreto, como um projeto de um produto e/ou serviço, com o intuito de atingir determinadas metas da empresa onde trabalham.

Para haver um relacionamento, a convivência, comunicação e atitude são essenciais, porém pode acontecer de não haver reciprocidade. Em muitas empresas, a relação de poder faz com que as relações se tornem frágeis, percam sua essência humana e foquem apenas em resultados ligados ao trabalho. Para que um bom relacionamento aconteça, é necessário que haja confiança mútua, empatia, respeito, comprometimento e harmonia entre todos os membros da equipe. 

No squad do Scrum, assim como em outras relações, é necessário que todos os comprometidos e envolvidos se dediquem ao máximo e façam a sua parte. As pessoas buscam se completar, para que alcancem algum bem comum. Portanto, as atitudes dos indivíduos podem até ser diferentes, mas sempre serão complementares.

Fazer exatamente a mesma coisa em um relacionamento não é o ideal, pois os envolvidos não são iguais. A diversidade dos pensamentos, em geral, enriquece os laços e, assim, permite que as pessoas tenham diferentes perspectivas, com ambos se ajudando para enxergar o problema de forma mais completa. Essa diferença, portanto, justifica a necessidade de existirem times multidisciplinares em um squad de Scrum.

Relações saudáveis são tão importantes que podem impactar o bem-estar dos envolvidos. De acordo com Robert J. Waldinger, psiquiatra americano e professor da Harvard Medical School, “a solidão mata. É tão forte quanto o vício em cigarros ou álcool”.

Em uma pesquisa realizada com 268 estudantes de Harvard, Waldinger buscou compreender quais eram as relações existentes entre saúde física e mental e entre saúde e felicidade. Entre os participantes, estava o ex-presidente norte-americano, John F. Kennedy. 

Os participantes foram acompanhados ao longo de praticamente oito décadas, o que resultou em um estudo chamado de “Harvard Study of Adult Development”. Atualmente, Waldinger é o diretor do programa, que gera uma das mais amplas pesquisas a respeito da felicidade humana de todos os tempos.

O estudo concluiu que os laços saudáveis entre os indivíduos os protegem de frustrações, ajudam a retardar as doenças degenerativas físicas e mentais e aumentam a longevidade de suas vidas.

Conclusão

Portanto, independentemente do ambiente em que uma pessoa nasce ou do contexto em que é criada, a felicidade é uma escolha. Ela está associada aos relacionamentos que são construídos no decorrer da vida. Pode-se dizer que na formação de um Squad é necessário que haja uma boa convivência entre os membros, pois ela vai afetar profundamente os resultados alcançados.

Para finalizar, é interessante que o “dilema do porco-espinho”, uma metáfora que ajudará na compreensão dos comportamentos e convivência com outras pessoas, seja apresentado: 

“Um número de porcos-espinhos se amontoaram buscando calor em um dia frio de inverno; mas, quando começaram a se machucar com seus espinhos, foram obrigados a se afastar. No entanto, o frio fazia com que voltassem a se reunir, porém, afastavam-se novamente. Depois de várias tentativas, perceberam que poderiam manter uma certa distância uns dos outros sem se dispersarem.” 

Ela foi criada pelo filósofo alemão Arthur Schopenhauer e fala a respeito das necessidades sociais, da solidão, da monotonia e de como os “homens porcos-espinhos” são criados. 

Eles se reúnem, mas se repelem logo em seguida, devido às inúmeras características espinhosas e desagradáveis de suas próprias naturezas. Assim, continuam até descobrirem uma distância moderada que permita uma condição necessária para que a convivência seja tolerada. 

Ao montar um squad, é necessário pensar se ele não é composto por porcos-espinhos. A falta de valores importantes ao Scrum, como coragem, foco, compromisso, transparência e respeito, pode gerar excesso de vaidade, ego e crenças errôneas de superioridade, impedindo a evolução imaginada de seus projetos ágeis.

Bibliografia

Harvard Study of Adult Development

https://www.adultdevelopmentstudy.org

Vaillant GE. Aging well: surprising guideposts to a happier life from the Landmark Harvard study of adult development. Boston: Little Brown, 2002.

Waldinger, R. J., & Schulz, M. S. (2010). What's love got to do with it? Social functioning, perceived health, and daily happiness in married octogenarians. Psychology and Aging, 25(2), 422–431. https://doi.org/10.1037/a0019087

ROSENBERG, Marshall B. Comunicação não-violenta: técnicas para aprimorar relacionamentos pessoais e profissionais. São Paulo: Ágora, 2006.

Lyubomirsky, S. (2001). Why are some people happier than others?: The role of cognitive and motivational processes in well-being. American Psychologist, 56, 239–249.

Fernando Arbache

Fernando Arbache

Mestre em Engenharia Industrial PUC/Rio. Independent Education Consultant working with MIT Professional Education. Graduado em Engenharia Civil, UFJF. Data and Models in Engineering, Science, and Business/MIT, Cambridge, MA (USA). Challenges of Leadership in Teams/MIT, Cambridge, MA (USA). Data Science: Data to Insights/MIT, Cambridge, MA (USA). AnyLogic Advanced Program of Simulation Modeling/Hampton, NJ (USA). Experiência Acadêmica: Educational Consultant working with MIT. Instructor in Digital Courses at MIT Professional Education in Digital Transformation and Leadership in Innovation. Atuou cimo coordenador da FGV em cursos de Gestão. Atuou como professor FGV, nas cadeiras e Logística, Estatística, Gestão de Riscos e Sistemas de Informação. Professor da HSM Educação, IBMEC e FATEC. Livros escritos: ARBACHE, F. Gestão da Logística, Distribuição e Trade Marketing. São Paulo: Ed. FGV, 2004. ARBACHE, F. Logística Empresarial. Rio de Janeiro: Ed. Petrobras, 2005. ARBACHE, A. P. e ARBACHE, F. Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos. São José do Rio Preto- SP: Raízes Gráfica e Editora, 2012. Pesquisa: Desenvolvimento de modelos de mapeamento de Competências Comportamentais e Técnicas, por meio de gamificação com uso de Inteligência Artificial, utilizando Deep Learning e Machine Learning (http://www.arbache.com/mobi). Programa de Inovação com 75 cooperativas de diversas áreas de atuação e aproximadamente 500 participantes, com Kick-off no MIT PE (http://www.arbache.com/inovacoop). Desenvolvimento de Inteligências nos dados e métricas - Big data e precisão nas tomadas de decisões na gestão de pessoas. Experiência Profissional: CIO (Chief Innovations Officer) da empresa Arbache Innovations especializada em simulação, inovação com foro em HRTech e EduTech – empresa premiada no programa Conecta (http://conecta.cnt.org.br) como uma das 5 entre 500 startups mais inovadoras da América Latina. Acelerada pela Plug&Play (https://www.plugandplaytechcenter.com) em Sunnyvale, CA – Vale do Silício entre novembro e dezembro de 2018. Desenvolvimento de parceria com o MIT – Massachusetts Institute of Technology para cursos presenciais e digitais – http://www.arbache.com/mitpe, https://professional.mit.edu/programs/digital-plus-programs/who-we-work & https://professional.mit.edu/programs/international-programs/who-we-work

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