Empreendedorismo e Inovação Mercado

Qual é a Realidade Atual da Logística Brasileira? de Que Maneira Ela Atende a Todas as Demandas do Agronegócio? Parte I

Por Prof. Fernando Saba Arbache

“Em comparação com o maior concorrente do Brasil na exportação de soja, os Estados Unidos, 82% da safra brasileira é transportada por rodovia, enquanto a Norte Americana leva 25% por caminhão!”

A infraestrutura no Brasil está muito aquém de suas reais necessidades. A mesma, quando analisada na ótica de competitividade, demonstra sua grande fragilidade. De acordo com World EconomicForum 2013, o Brasil é o 114˚ no mundo em qualidade geral da Infraestrutura, 120˚ em qualidade de ferrovias, 103˚ em qualidade de infraestrutura de ferrovias, 131˚ em qualidade de infraestrutura de portos e 123˚ em qualidade de infraestrutura de aeroportos. Porém, associados à falta de infra estrutura, a performance de portos, rodovias, aeroportos e ferrovias brasileiras, também são abaixo da média mundial.

De acordo com o relatório Connectingto Compete 2012, o Brasil é o 45˚ no índice de performance logística, atrás da Tunísia. Estes indicadores demonstram a fragilidade da infraestrutura brasileira, o que pode comprometer a expansão da produção agrícola, que cresceu 10,9%, de acordo com o Companhia Nacional de Abastecimento (Conab), passando de  166,17 milhões de toneladas da safra 2011/12 para  184,30 milhões de toneladas da safra de 2012/2013. Outro problema é a capacidade estática de armazenagem de grão que é menor que a recomendado pela FoodandAgricultureOrganizationofthe United Nations (FAO), que seriam de 1,2 vezes do total da produção. Como demonstram os dados da Conab, a capacidade estática de silos e armazéns em todo o País chega a 148,3 milhões de toneladas, ou seja, aproximadamente 80% do volume de produção.

Portanto, o crescimento da produção agrícola não vem sendo acompanhado pelo investimento da infraestrutura, o que pode prejudicando a comercialização dos commodities, pois os prazos contratados não são atendidos.

Quais são as implicações decorrentes do exposto acima? Este problema não irá prejudicar apenas o segmento agrícola, pois segundo dados do IBGE, a participação do agronegócio no PIB oscilou entre 7,4% e 5,2% entre 2003 e 2012. Em síntese, as dificuldades de levar o grão do campo ao porto, que incluem fila de caminhões nos terminais portuários, acidentes fataisem estradas federais, perda de soja ao longo do trajeto, que varia entre 6% a 13% do que é colhido, falta de armazéns e burocracia nos portos, geram um prejuízo de R$ 6,6 bilhões por ano ao país, segundo dados coletados em estudos da Ilos- Instituto de Logística e Supply Chain, Conab, Ministério da Agricultura, Ministério da Saúde e Ministério dos transportes. Ainda, baseado nos dados levantados, a falta de uma infraestrutura adequada faz com que 15% do frete da soja sejam gastos com pneus e manutenção de caminhões, que supera a média mundial, que é de 3% do frete. Este custo impacta diretamente no ganho do produtor, pois ao vender uma saca de 60 kg de soja, o mesmo recebe cerca de 35 kg, visando tornar o preço da soja brasileira competitiva no mercado internacional. Em comparação com o maior concorrente do Brasil na exportação de soja, os Estados Unidos, 82% da safra brasileira é transportada por rodovia, enquanto a Norte Americana leva 25% por caminhão!

Fernando Arbache. Professor da FGV, HSM e FDC. Pesquisador em logística e simulação. Estudos realizados no ITA em Infraestrutura Aeronautica e Aeroportos. Coordena envio de alunos brasileiros para cursos no MIT. Diretor de inovação da Oghnus.

Referências Bibliográficas:

http://www3.weforum.org/docs/WEF_GlobalCompetitivenessReport_2013-14.pdf

http://siteresources.worldbank.org/TRADE/Resources/239070-1336654966193/LPI_2012_final.pdf

http://www.fao.org/home/en/