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A relação entre os princípios Agile em um ambiente de incerteza

princípios agile

Neste artigo, analisaremos a relação entre os princípios Agile e o que eles significam quando observados de forma conjunta.

Destarte, é preciso entender que o Agile é utilizado em projetos que necessitam de respostas rápidas às crescentes mudanças do ambiente de negócios, que gera muita volatilidade nas necessidades dos stakeholders e do mercado ao longo do seu desenvolvimento. (ÅGERFALK, 2006)

Este é um ambiente que estamos vivenciando devido às contínuas inovações, que podem ainda ser mais aceleradas por eventos externos inesperados, como, por exemplo, a pandemia do Covid-19, que gerou disrupção na vida das pessoas (OECD, 2020). A pandemia antecipou muito a necessidade da real transformação digital nas empresas, fazendo com que estas mudassem seus modelos de negócios e o relacionamento com stakeholders internos e externos. Também adiantou outras mudanças que certamente ocorreriam em algum momento, com o surgimento de inovações que geram a ruptura dos modelos de negócios antigos e impõem novos modelos que eram, até então, impensáveis.

Diante de condições como essa, é necessário ter uma empresa que consiga responder rapidamente às mudanças, mantendo-se dentro do ambiente de negócios com operação minimamente viável. As empresas precisam maximizar a entrega de valor, e para isso serão necessárias mudanças na forma de gerenciar pessoas, levando em conta seus papéis e responsabilidades. As práticas de execução de suas tarefas deverão ser repensadas, bem como a forma que as pessoas e times se comunicam, que precisarão ser mais eficientes (DENNING, 2013).

O Agile vem como uma forma de permitir que haja uma execução disciplinada, dando condições de obter a inovação contínua, sem muita burocracia que consome tempo e reduz a produtividade nas entregas (DENNING, 2013).

O Agile é baseado em 4 valores e 12 princípios.  Ao analisar as inter-relações entre os princípios, descobrimos que existem dois clusters que organizam a forma de implementar o Agile. Um deles visa à satisfação do cliente, ou seja, seu foco é externo à empresa. O outro se dedica ao desenvolvimento sustentável das atividades e tem foco interno na organização, direcionando como os times trabalham. (KARLSSON; AGERFALK, 2009). Esses clusters estão representados na imagem a seguir:

Figura 1: Objetivo dos clusters do Manifesto Agile (Baseado em (ÅGERFALK, 2006)

Observe que o cluster orientado ao foco interno tem como direcionamento final o desenvolvimento sustentável, que é o oitavo princípio do Manifesto Ágil. Como já foi dito anteriormente, um time ágil deve fazer entregas contínuas, garantindo a produtividade nas entregas dos projetos. Isso se deve ao terceiro princípio do Manifesto, que se dedica às entregas frequentes e garante um dos valores da filosofia Agile, que é a entrega de um software funcional.

As entregas frequentes permitem que o cliente avalie se o desenvolvimento do produto está seguindo o caminho correto e que, caso mudanças sejam necessárias, elas sejam pontuais. Isso maximiza a produtividade e reduz o risco de haver aumento no cronograma.

Para que tudo funcione de forma estruturada, é preciso que o time esteja alinhado e preparado para os desafios inerentes a mercados com projetos complexos e imersos em incerteza.

Portanto, é fundamental o time tenha a capacidade de autorreflexão, esteja motivado, domine a excelência técnica e tenha liberdade de auto-organização. Essas características, juntas, garantem o desenvolvimento sustentável dos projetos, permitindo que haja o alcance das metas de cronograma e custos, mesmo com escopos flexíveis.

Considerando os ambientes atuais, o Agile pode ser uma das formas de preparar a empresa para prosperar em um mercado com extrema incerteza, no qual muitos vão sucumbir por incapacidade de adaptar-se às contínuas mudanças impostas pela inovação e por eventos inesperados, como a pandemia do Covid-19.

Tornar-se ágil não é uma opção, mas uma condição para nos mantermos sustentáveis em um mundo de incerteza.

Referência Bibliográfica

ÅGERFALK, P. J. Towards better understanding of agile values in global software development. CEUR Workshop Proceedings, v. 364, p. 13–20, 2006.

DENNING, S. Why Agile can be a game changer for managing continuous innovation in many industries. Strategy & Leadership, v. 41, n. 2, p. 5–11, 2013.

KARLSSON, F.; AGERFALK, P. Exploring agile values in method configuration. European Journal of Information Systems, v. 18, n. 4, p. 300–316, 2009.

OECD. Coronavirus: The world economy at risk. OECD Interim Economic Assessment, n. March, p. 1–18, 2020.

Fernando Arbache

Fernando Arbache

Mestre em Engenharia Industrial PUC/Rio. Independent Education Consultant working with MIT Professional Education. Graduado em Engenharia Civil, UFJF. Data and Models in Engineering, Science, and Business/MIT, Cambridge, MA (USA). Challenges of Leadership in Teams/MIT, Cambridge, MA (USA). Data Science: Data to Insights/MIT, Cambridge, MA (USA). AnyLogic Advanced Program of Simulation Modeling/Hampton, NJ (USA). Experiência Acadêmica: Educational Consultant working with MIT. Instructor in Digital Courses at MIT Professional Education in Digital Transformation and Leadership in Innovation. Atuou cimo coordenador da FGV em cursos de Gestão. Atuou como professor FGV, nas cadeiras e Logística, Estatística, Gestão de Riscos e Sistemas de Informação. Professor da HSM Educação, IBMEC e FATEC. Livros escritos: ARBACHE, F. Gestão da Logística, Distribuição e Trade Marketing. São Paulo: Ed. FGV, 2004. ARBACHE, F. Logística Empresarial. Rio de Janeiro: Ed. Petrobras, 2005. ARBACHE, A. P. e ARBACHE, F. Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos. São José do Rio Preto- SP: Raízes Gráfica e Editora, 2012. Pesquisa: Desenvolvimento de modelos de mapeamento de Competências Comportamentais e Técnicas, por meio de gamificação com uso de Inteligência Artificial, utilizando Deep Learning e Machine Learning (http://www.arbache.com/mobi). Programa de Inovação com 75 cooperativas de diversas áreas de atuação e aproximadamente 500 participantes, com Kick-off no MIT PE (http://www.arbache.com/inovacoop). Desenvolvimento de Inteligências nos dados e métricas - Big data e precisão nas tomadas de decisões na gestão de pessoas. Experiência Profissional: CIO (Chief Innovations Officer) da empresa Arbache Innovations especializada em simulação, inovação com foro em HRTech e EduTech – empresa premiada no programa Conecta (http://conecta.cnt.org.br) como uma das 5 entre 500 startups mais inovadoras da América Latina. Acelerada pela Plug&Play (https://www.plugandplaytechcenter.com) em Sunnyvale, CA – Vale do Silício entre novembro e dezembro de 2018. Desenvolvimento de parceria com o MIT – Massachusetts Institute of Technology para cursos presenciais e digitais – http://www.arbache.com/mitpe, https://professional.mit.edu/programs/digital-plus-programs/who-we-work & https://professional.mit.edu/programs/international-programs/who-we-work

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