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Pilar de Sustentação Para as Potências Econômicas – Concorrência Na Compra de Caças – Gripen NG

economia potência

Fernando Arbache

As Potências Econômicas tornam-se Potências Militares

O Brasil está saindo de status de país emergente e passando a candidato à potência econômica, de acordo com um dos mais influentes banqueiros da atualidade, Jamie Dimon, presidente do JPMorgan Chase.

Em maio de 2008, a agência de classificação de risco, Standard & Poor’s, elevou a nota atribuída à dívida de longo prazo em moeda estrangeira do Brasil para “BBB-“, o primeiro nível da faixa de grau de investimento – investment grade. A nota é concedida a países pouco propícios à inadimplência e significa, na prática, que o Brasil oferece baixos riscos para investidores financeiros internacionais, corroborando a opinião do presidente do JPMorgan. A agência de classificação de risco Moody’s elevou, em 2011, a classificação do Brasil, de BAA3 para BAA2, com perspectiva positiva.

Porém, para que o Brasil se torne relevante como potência econômica, é necessário que alcance diversas condições, como: a capacidade de se defender de possíveis inimigos internos e externos; ter capacidade de impor condições comerciais sem ser retaliado, e ter capacidade de influenciar e defender seus parceiros comerciais relevantes. Para isso, é necessário que se torne também uma potência militar.

Se analisarmos a história dos diversos países que alcançaram a condição de potência econômica, todos, sem exceção, passaram a ter suas forças militares como um de seus pilares de sustentação no cenário geopolítico mundial. Podemos analisar o século XX como um exemplo disso. Os diversos países que alcançaram esse status naquele século, como os Estados Unidos da América (EUA) e a União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS), não só se tornaram potências militares, como produziram a mais feroz corrida armamentista de toda a história, denominada “Guerra Fria”, dividindo o mundo em duas partes, criando blocos militares distintos denominados OTAN (Organização do Tratado do Atlântico Norte) e Pacto de Varsóvia. Ambos buscaram defender seus interesses comerciais, ideológicos e geopolíticos.

A China, como a mais recente candidata à potência econômica, investiu mais de US$ 60 bilhões em 2008 em seu orçamento militar. Certamente, o país hoje é uma grande potência militar com um exército composto por mais de 100 milhões de soldados, e com capacidade de produzir e projetar armamento de última geração, como mísseis balísticos e caças de quinta geração. Em 2010, o budget para as forças armadas Chinesas passou para US$ 114 bilhões, segundo publicação Global Security. (http://www.globalsecurity.org/military/world/china/budget.htm).

De acordo com a história, os países que alcançaram status de potência econômica tornaram-se potências militares ao longo da mudança. O Brasil vem caminhando a passos largos para tornar-se uma potência econômica, porém continua muito atrasado no quesito “forças armadas”. É notória a fragilidade do país quando se avaliam suas forças armadas que, além de possuir um efetivo de pessoas e armamentos pequenos diante das proporções do Brasil, têm muitos de seus meios de combate com mais de 30 anos de uso. Apesar de existirem aeronaves com longos anos de uso também na força aérea americana, como o bombardeio B-52, por exemplo, a proporção de novos equipamentos versus antigos é centena de vezes maior que a do Brasil.
Uma potência econômica necessita defender seus interesses junto à comunidade internacional e, muitas vezes, para isso, precisa demonstrar sua musculatura militar.

No próximo artigo, serão avaliados alguns exemplos do uso das forças armadas com o objetivo de defender os interesses econômicos de uma nação.

Para garantir seu crescimento e manutenção como Potência Econômica, uma nação necessita impor regras e, em muitos casos, elas são impostas pela força

Revisitando a história recente, a China foi protagonista de diversos episódios extremamente críticos no que tange aos direitos humanos. Podemos citar como os mais marcantes o “Massacre da Praça da Paz Celestial”, em 1989, no qual perderam a vida, aproximadamente, 800 civis; ou ainda, a ocupação do Tibete onde, em 2009, diversos monges foram presos ao protestarem contra a ocupação chinesa.

E quais foram as retaliações impostas pelos países defensores fervorosos dos direitos humanos? Praticamente nenhuma. Foram apenas discursos veiculados pelos seus líderes sem, no entanto, ações enérgicas ou bloqueios econômicos.

Mikhail Saakashvili, presidente eleito da Geórgia, ao tentar recuperar o domínio sobre o montanhoso território da Ossétia do Sul em 2009, no Cáucaso, teve seu país invadido pela Rússia e, sem capacidade de reação, assinou o cessar fogo, concordando em manter a Ossétia do Sul independente. Mesmo sendo Mikhail Saakashvili aliado e amigo de George Bush, os Estados Unidos resumiram sua ação em críticas diplomáticas ao presidente russo, Dmitri Medvedev, homem de confiança do ex-presidente da Rússia, Vladimir Putin.

Como se pode perceber, tanto a Rússia quanto a China são, sem dúvida, grandes potências militares, sendo esse um dos motivos pelos quais as eventuais críticas não passaram de mero discurso.

Entre os países citados, todos possuem tecnologia de projeto e produção de armamento bélico de última geração. A China apresentou, recentemente, o J-10 (Jian 10 ou Caça 10), caça multifunção desenvolvido pela Chengdu Aircraft Industry, parte da China Aviation Industry Corporation I (AVIC I). Esse país vem anunciando o desenvolvimento do J-12 que terá tecnologia comparada ao F-22 Raptor, caça que é de última geração, desenvolvido para a Força Aérea Americana. O F-22 Raptor passa ser o caça de supremacia aérea para a United States Air Force (USAF) substituindo o F-15, até então caça de supremacia aérea da USAF, fabricado pela Boeing, mesmo fabricante do F-18. Devemos lembrar que o F-18 é participante do FX-2, sendo ele um caça de quarta geração que teve seu projeto iniciado na década de 1970 e seu primeiro voo em novembro de 1978.

A Índia, igualmente buscando status de potência econômica, vem projetando, em conjunto com a Rússia, um caça de quinta geração, desenvolvido pelas empresas HAL e a Sukhoi, cujo primeiro voo está marcado para 2017. Segundo os projetistas, a aeronave terá capacidade de combate semelhante ao F-22.

Todos os países mencionados têm suas siglas incorporadas no BRIC. BRIC é um acrônimo criado em novembro de 2001 pelo economista Jim O’Neill, chefe de pesquisa em economia global do grupo financeiro Goldman Sachs, para designar, no relatório Building Better Global Economic BRICs, os quatro principais países emergentes do mundo: Brasil, Rússia, Índia e China.

Do BRIC, apenas o Brasil não possui capacidade de desenvolvimento de projeto e construção de caça supersônico de quarta ou quinta gerações. Portanto, ainda tem de avançar nesse item para garantir seu lugar como potência. Mesmo tendo a terceira maior indústria aeronáutica do planeta, capitaneada pela Embraer, o Brasil não iniciou o desenvolvimento de uma aeronave de superioridade aérea que possa garantir soberania no espaço aéreo brasileiro.

As nações do BRIC, exceto o Brasil, estão investindo em suas forças armadas através de desenvolvimento interno de armamento de última geração, com o intuito de garantir a continuidade de seu crescimento como potência econômica.
No próximo artigo, será avaliado o investimento dos países do BRIC e dos Estados Unidos, buscando compreender como é a dinâmica da relação entre potência econômica versus potência militar.

Um país fraco é um país vulnerável. Uma nação forte é uma nação independente

Ao compararmos os investimentos realizados pelo Brasil em suas Forças Armadas com todos os países do BRIC e com os Estados Unidos, perceberemos que o Brasil é o que menos investe, de acordo com quadro abaixo:

Qual a motivação que leva um país a investir em suas forças armadas, em vez de utilizar estes recursos para beneficiar diretamente sua população com infraestrutura, hospitais, escolas, etc?

Suponhamos que um país com baixa representatividade de seu PIB em relação aos mais ricos do mundo e com forças armadas pouco equipadas tenha algum conflito com um país membro da OTAN, o que aconteceria?

Em 2 de abril de 1982, a Argentina, para aumentar a legitimidade de seu governo militar e desviar a atenção da população dos cerca de 90% de inflação e a profunda recessão em que estava imersa, invadiu a Falkland Islands (Malvinas) buscando recuperar o arquipélago sob ocupação da Grã-Bretanha, país membro da OTAN. As Forças Armadas Argentinas tinham grande quantidade de aeronaves francesas, como o Mirage e o Super Etendard. No dia 9 de abril, a Grã-Bretanha obteve o apoio da Comunidade Econômica Europeia (hoje União Europeia), da OTAN, da Comunidade Britânica das Nações (Commonwealth) e da ONU. A Argentina, altamente dependente dos aviões Super Etandard e mísseis Exocet, ambos franceses, ficou incapacitada de obter mais mísseis devido ao apoio da França à Inglaterra. A Argentina, como não detinha o projeto do Super Etandart, não conseguiu integrar outros mísseis da mesma categoria com esta aeronave. Essa arma era vital para o país vencer a guerra, que ocorria eminentemente no mar, sendo o Exocet um míssil antinavio.

A França entrou no embargo realizado pela Comunidade Econômica Europeia contra a Argentina. A história ensina que a aquisição de materiais bélicos de países alinhados tem seu ônus, porém o que mais fragilizou a Argentina foi sua baixa representatividade como economia mundial e, principalmente, sua altíssima dependência de um único país, no que concerne à aquisição de armamento e aeronaves. Pode-se somar a isso um importantíssimo fato: a incapacidade dos argentinos de conhecer os projetos de seus equipamentos bélicos em profundidade, não sabendo integrar seus sistemas, impossibilitou o uso de mísseis provenientes de outras nações. A dependência excessiva pode levar à fragilização de uma nação e, consequentemente, à perda de sua soberania.

O Brasil está, neste momento, buscando novos caças para a sua Força Aérea – FAB – tendo uma oportunidade de alinhar-se aos seus pares do BRIC. Para isso, terá que investir no desenvolvimento de uma aeronave de quinta geração, utilizando tecnologia desenvolvida no Brasil associada a tecnologias provenientes de países não alinhados ou neutros. Com a ajuda da Suécia, o Brasil pode investir na produção de caças com tecnologia já pronta acelerando seu processo produtivo e se igualando aos outros países membros do BRIC. Alinhar-se à Suécia significa, na prática, associar-se a um país neutro. Desse modo, o Brasil garante sua independência militar e sua soberania.

É crucial que o país decida essa questão levando em conta, sobretudo, a certeza de, no futuro, continuar sendo um país independente e soberano.