Gestão de Projetos

Pensando Estrategicamente a Cheesecake Factory Se Tornou Uma Empresa Bilionária!

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Por Prof. Dr. Carlos Eugênio Barreto Friedrich

No artigo de maio passado dissemos que a função mais importante da estratégia competitiva é moldar o futuro da organização. Contudo, por melhor que possa ser a estratégia não há garantias de que o futuro será como você quer. Lembre-se que um plano é composto por um conjunto de ideias organizadas sob o ponto de vista do estrategista, visando o futuro. Isso não significa que as coisas acontecerão conforme deseja o plano. O mundo é bem mais complexo do que nossa capacidade de planejar e de especular sobre suas possibilidades de ocorrências futuras. O ser humano, desde sempre, tem tentado construir um futuro sempre melhor; vale-se da experiência adquirida para abreviar o tempo e construir atalhos que o levem aos objetivos propostos. Para se tornar um bom estrategista, você precisa começar por si mesmo. Entenda como o mundo à sua volta se comporta, como uma coisa se vincula à outra e quanto elas determinam condições no ambiente político-legal, social, tecnológico, econômico e ambiental.

A empresa usa a estratégia competitiva para se mover entre o ponto desejado (seus fins) e o que precisa fazer para alcançá-lo (seus meios). Uma estratégia eficaz define a rota mais objetiva dos meios para chegar aos fins. “A Cheesecake Factory se tornou uma empresa bilionária com uma receita estratégica simples. Ela criou um conceito único com menu mais amplo e profundo de restaurante ocasional e o cheesecake de melhor qualidade”. (McKEOWN, 2013:20). Isso é assegurado com intenso programa de capacitação de funcionários, para ter certeza de que o produto proporcionará uma experiência única ao cliente. Embora, nem todas as decisões tenham nascido do planejamento, não são acidentais, elas são parte integrante de um processo de planejamento estratégico; moldam, não só o futuro da empresa, como definem o ambiente competitivo, detendo os imitadores, ratificando a posição competitiva distinta da empresa.

Internamente, pode haver muitas opiniões diferentes sobre o que a empresa deveria e o que não deveria fazer. Não raramente, essas opiniões conflitam ou competem entre si. Não há nada de errado nisso. A estratégia precisa manter-se em evolução constante para dar à empresa o equilíbrio com o ambiente em mudança contínua. Além disso, a estratégia adotada é sempre contingencial e a empresa escolhe a mais adequada para o momento, consequentemente, abandonando outras. Contudo, uma estratégia refutada em determinado momento pode ser muito eficaz em outro, em circunstâncias diferentes. Por exemplo, no mercado brasileiro, muitas empresas que antes não operavam no segmento de baixa renda estão, agora, criando marcas e produtos para explorar o mar de oportunidades que a classe média baixa (C2 e C1), composta por famílias com renda mensal entre R$ 1.147,00 e R$ 1.685,00 respectivamente, segundo critério de classificação econômica Brasil da ABEP – Associação Brasileira de Empresas de Pesquisa, tem apresentado com sua expansão na última década.

Portanto, moldar o futuro depende do contexto. A empresa, certamente, não controla as ondas de desejo de consumo humano, nem o comportamento das variáveis econômicas que possibilitam mobilidade socioeconômica da população, mas pode desenvolver estratégias adequadas e tirar vantagens dessas ondas de oportunidades.

Palavras-chave: Estratégia Competitiva. Contingência. Oportunidades.

Referência Bibliográficas

KIM, W. Chan; MAUBORGNE, Renée. A estratégia do oceano azul: como criar novos mercados e tornar a concorrência irrelevante. Rio de Janeiro: Elsevier, 2005.

McKEOWN, Max. Estratégia: do planejamento à execução. São Paulo: HSM Editora, 2013.