Empreendedorismo e Inovação Mercado

Parceria Vencedora

A safra de grãos 2013/2014 será da ordem de 195 milhões, um recorde. É quase uma tonelada por brasileiro. Não é pouco. A agropecuária tem prestado relevante contribuição para o desenvolvimento econômico do país, sobretudo por suas exportações, difusão de novas tecnologias e integração de regiões antes marginalizadas aos mercados. De importador de alimentos até não muito tempo atrás, o Brasil tornou-se um dos principais atores globais do setor. Mais que isso, o mundo espera que venhamos a ser protagonistas na expansão da produção mundial de alimentos ao longo das próximas décadas.

O sucesso da agropecuária brasileira resulta não apenas da nossa geografia, mas, também, da profissionalização da atividade, dos investimentos em pesquisa e do aumento da intensidade tecnológica na produção. Diante dos fatos, é quase tautológico concluir que a agropecuária deve ser parte integrante de qualquer estratégia de desenvolvimento do Brasil.

Mas é preciso reconhecer os limites das commodities para o desenvolvimento de um país com as nossas características populacionais, sociais, econômicas e políticas. Em 2012, a agropecuária respondeu por 5,3% do PIB e por meros 3,1% do emprego formal. Mais preocupante ainda é a constatação de que o setor tem crescido destruindo empregos diretos. Por isso, mesmo que o setor siga crescendo a taxas relativamente elevadas, a sua contribuição direta para o PIB e para o emprego será, ainda assim, modesta.

Experiências sugerem fortemente que as commodities são uma oportunidade, e não ameaça, para a indústria

A despeito dessas e de outras limitações, incluindo a volatilidade dos preços e a sua exposição a choques, a agropecuária é e continuará sendo um setor crítico para o nosso desenvolvimento e uma das principais razões é a sua potencial colaboração para o aumento da densidade industrial. De fato, as vantagens comparativas e competitivas da agropecuária podem e devem ser vistas como um dos mais poderosos instrumentos alavancadores da competitividade da indústria nacional.

De pesquisa genética à produção de sementes, passando pelo desenvolvimento tecnológico e fabricação de equipamentos, insumos, softwares e alimentos processados, e de aumento da participação em cadeias globais de valor à criação e promoção de marcas em nível internacional, a industrialização da agropecuária poderá ter substanciais impactos econômicos e sociais.

Já há casos de sucesso a nos inspirar. Cidades das regiões Centro-Oeste e Nordeste que participaram da expansão da fronteira agrícola estão se tornando polos de desenvolvimento, de diversificação econômica e de geração de empregos de qualidade em razão das sinergias e da complementaridade entre a agropecuária e a indústria. Essas experiências sugerem fortemente que as commodities são uma oportunidade, e não uma ameaça para a indústria, e que as duas atividades podem formar parcerias vencedoras.

O meio ambiente também poderá se beneficiar dessas parcerias. Isto porque a acumulação de riquezas e a prosperidade do interior melhorarão as condições para que o desenvolvimento agropecuário seja ambientalmente mais equilibrado.

Mas as oportunidades de dinamização econômica não se limitam às parcerias da indústria com a agropecuária. A mineração, a biodiversidade, as energias limpas e a exploração do óleo e do gás do pré-sal estão entre as áreas que também oferecem grandes oportunidades para o desenvolvimento industrial.

A realização desse potencial dependerá, antes de tudo, das nossas ambições, de visão de longo prazo e da compreensão de que, no século XXI, o progresso econômico e social de uma nação se alicerça na sua capacidade de gerar conhecimentos e tecnologias, adicionar valor e de se integrar à economia mundial.

Para se avançar com essa agenda, será necessário desenvolver estratégias, coordenar as políticas públicas, articular o setor público com o setor privado, nacional e estrangeiro, e modernizar as instituições para encorajar o empreendedorismo, os investimentos e a competição. As experiências de industrialização dos recursos naturais já em curso podem fornecer valiosas lições para a elaboração e o aperfeiçoamento das políticas.

É possível que encontremos dificuldades no plano internacional para a implementação dessa agenda – será preciso, por exemplo, mudança de prioridades nas políticas comerciais, especialmente no que tange à tarifas, cotas e escaladas e picos tarifários incidentes sobre alimentos processados e outros produtos industrializados. Mas o tamanho do mercado interno de máquinas, equipamentos e tecnologias associados aos recursos naturais e a esperada contribuição do Brasil para o aumento da oferta mundial de alimentos e proteínas, terras raras, energias limpas, dentre outros, são elementos que contam a nosso favor em negociações internacionais.

A industrialização das vantagens comparativas em recursos naturais é, provavelmente, uma das mais promissoras opções de aumento da densidade industrial, mudança do padrão de inserção do Brasil na economia mundial e de crescimento econômico mais harmônico e sustentado.

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