Sustentabilidade

O Que É Economia Ambiental E Economia De Recursos Naturais?

economia

Nos últimos tempos, a palavra sustentabilidade ganhou espaço em grande parte dos discursos, desde aqueles pronunciados nos meios acadêmico, empresarial, governamental e até mesmo no meio religioso. A sustentabilidade é conceituada por distintos estudiosos de acordo com a sua linha de entendimento. Em recentes publicações, venho considerando a sustentabilidade como um grande “guarda-chuvas”, cabendo nele suas especificidades ética, sociais, ambientais e econômicas (ARBACHE, 2010). Deste modo, torna-se quase impossível falar, hoje, em sustentabilidade sem anexar ao termo um adjetivo. Como este não é mais aplicado  sozinho, isso significa que só podemos entender a sustentabilidade se ela estiver acompanhada, ou seja, deveremos falar em sustentabilidade ética, sustentabilidade social, sustentabilidade ambiental e sustentabilidade econômica, sendo que, todos estes vértices estão inseridos no universo empresarial.

Esta conexão de pensamento faz com que possamos traçar uma visão holística destes quatro pontos e, a partir de então, atuar efetivamente para que empresas e meio ambiente possam “lucrar” com esta parceria. Este estudo foca particularmente a sustentabilidade ambiental e econômica.

Estamos testemunhando como o mundo ao nosso redor tem mudado.  Para os interessados neste tema, esta mudança é decorrente do modo pelo qual estamos lidando com o meio ambiente. Os sérios problemas de escassez de água, o aumento da população urbana no mundo e, consequentemente o aumento do consumo, a péssima qualidade do ar, os desmatamentos, as desertificações de algumas regiões no planeta, o aquecimento global, entre outros problemas ambientais, demonstram claramente o quanto necessitamos equilibrar esta relação tão delicada.

Todos estes aspectos abordados colocam em risco o nosso modo de vida contemporâneo, permeado pelo consumo desenfreado, pelo uso irregular de nossos recursos naturais, pela carência de legislações capazes de monitorar e punir aqueles que não preservam o meio ambiente, bem como por empresas que procuram o lucro a qualquer preço, mesmo que isso acarrete em um dano ambiental permanente, como no caso das desertificações e das secas.

De certo modo, a sociedade tem se envolvido neste debate (MILLER, 2011; ARBACHE, 2011). Alguma ressonância em defesa de um maior equilíbrio entre a atividade econômica e a natureza já instalam novas práticas, legislações e inovações em termos de mercado e apontam para este princípio.

 Ao reconhecermos que a atividade econômica e o ambiente natural estão conectados e, que esta relação deve estabelecer o “ganha-ganha” para ambos, também estamos reconhecendo que as empresas precisam: 1) reconhecer esta relação; 2) identificar o potencial da mesma e aplicar suas estratégias, planejamentos, tomadas de decisões e inovações nos negócios, em prol dessa parceria.  Dessa forma, haverá lucro para todos.

Esta mudança de concepção ao atuar no mercado traz para as empresas a preocupação ambiental e o desafio de aliá-la aos seus produtos, serviços, no seu investimento do capital, nas políticas fiscais, nas embalagens dos produtos, no uso de suas tecnologias, bem como no descarte dos resíduos que produz. A tarefa não é fácil, além de redefinir estratégias de negócios é preciso trazer respostas imediatas às novas legislações e mudanças que os consumidores, ambientalmente mais conscientes, demandam (THOMAS & CALLAN, 2010).

Nosso enfoque é justamente este: discutir a gestão de empresas frente o desenvolvimento sustentável. O cerne é explicitar a importante tarefa de equalizar a qualidade ambiental e os negócios e, para tanto, nos ancoramos nos estudos da economia ambiental, cujo núcleo de interesse é justamente a atividade econômica e o ambiente natural.

A economia ambiental é um campo multidisciplinar e ganha, cada vez mais, espaço nos cenários acadêmicos e empresariais. A análise deste campo é rica e arrojada e  instala, na compreensão dos fundamentos do funcionamento do mercado e na relação entre atividade mercadológica e natureza, conhecimentos para gerar decisões melhores e mais inteligentes no mundo dos negócios.

As disciplinas Economia Ambiental e a Economia de Recursos Naturais preocupam-se com a análise econômica de temas ambientais: qualidade e escassez da água, qualidade do ar, poluição, descarte de resíduos sólidos e tóxicos, manejo de bacias hidrográficas, emissões de gases, efeito estufa, gestão e justiça ambiental, logística reversa e pós-consumo, entre outros temas. A partir da modelagem dos problemas ambientais, as análises movem-se em torno da busca de soluções equalizando regulamentações ambientais, modelos matemáticos, e estudo de instrumentos de controle e, em seguida, a investigação de ferramentas para auxiliar no planejamento ambiental, na qual estão presentes análises e gestão de risco, bem como a análise custo-benefício, como relata Thomas & Callan (2010) .

Para Silva (2010), o foco está na análise econômica aplicada à sustentabilidade ambiental, utilizando a ciência econômica para analisar e gerir, de modo adequado, os recursos ambientais. Para o autor, é preciso ter a compreensão do impacto do ambiente afetado por um processo produtivo, conhecer o que será modificado por este processo, quantificar esta mudança e utilizar estes conhecimentos para uma tomada de decisão mais alinhada à sustentabilidade ambiental. Silva se reporta à importância do estudo do impacto ambiental (EIA) e do uso de seu relatório (RIMA – Relatório do Impacto Ambiental) para que se minimize a relação crítica entre atividade econômica e natureza. As ações pautadas neste tipo de análise podem contribuir para o que Miller (2011) escreve como sendo o desenvolvimento sustentável, ou seja, o desenvolvimento que satisfaz a necessidade presente não comprometerá a capacidade de futuras gerações satisfazerem suas próprias necessidades.

O estudo e a aplicação da economia ambiental agregam novas referências para os negócios, para os padrões de consumo das sociedades e para as políticas ambientais. A partir dos mesmos, passamos a conhecer e definir o que são resíduos sólidos, líquidos, o que é um consumo prejudicial, como identificar as fontes dos danos ambientais (fonte estacionária, móvel, pontual e não pontual), o que são poluentes naturais ou antropogênicos, entre outros conhecimentos que alicerçam as argumentações dos interessados no tema.

Com a incorporação destes estudos, será factível vislumbrar uma cadeia virtuosa de ações que, efetivamente, incidirá de modo positivo no ambiente natural. Essa resposta, necessária e urgente, será fruto da fórmula bem equilibrada, entre legislação ambiental capaz de monitorar, controlar, disciplinar e punir, quando necessário, aqueles que utilizam os recursos naturais em processo produtivos, atuação empresarial ambientalmente responsável e lucrativa e consumidores ambientalmente mais conscientes.

 

Referências Bibliográficas:

 ARBACHE, Ana Paula (Org). Projetos Sustentáveis: estudos e práticas brasileiras I. São Paulo: Editorama, 2010.

Projetos Sustentáveis: estudos e práticas brasileiras II. São Paulo: Raízes, 2011.

MILLER, Merrill. United Nations Conference on Enviroment and Development (UNCED) Rio de Janeiro Brazil.

SILVA, Christian Luiz. A análise econômica aplicada à sustentabilidade ambiental.http://www.corecon-pr.org.br/pdf/EconomiaAmbiental.pdf. Acesso em agosto de 2011.

THOMAS,  Janet & CALLAN, Scott. Economia Ambiental: aplicações, políticas e teoria. Trad. Antonio Claudio Lot. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação pela PUC-SP. Mestre em Educação pela UFRJ. Certificada pelo Massachusetts Institute of Technology/MIT- Challenges of Leadership in Teams (2015), Leading Innovative Teams (2018). Docente dos cursos de MBA e Pós MBA da Fundação Getúlio Vargas. Orientadora e avaliadora de trabalhos de pós-graduação. Sócia Diretora da Arbache Innovtions, responsável pelas ações de Gestão de Pessoas, Liderança, Governança Corporativa, Sustentabilidade Ética, Social e Ambiental e Elaboração e Aplicação Jogos de Negócios. Pesquisadora e autora das obras: A Educação de Jovens e Adultos Numa Perspectiva Multicultural Crítica (2001), Projetos Sustentáveis Estudos e Práticas Brasileiras (2010), Projetos Sustentáveis: Estudos e Práticas Brasileiras II (2011), Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos (2012), A crise e o impacto na carreira (2015), O RH Transformando a Gestão – Org. (2018). Certificação em Coaching e Mentoring de Carreira para Executivos. Mentora do Capítulo PMI/SP. Curadora e Colunista do blog arbache.com/blog e Página Mundo Melhor de Empoderamento Feminino Arbache innovations. Fundadora do Coletivo HubMulheres. Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

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