Logística e Infraestrutura

O Que é a Logística: Artigo 3 – Compreendendo a Importância da Visão Holística

holística

O olhar muito fragmentado leva a erros na tomada de decisão. Para compreender todos os fenômenos é necessário enxergar os processos desde sua origem até o seu destino final.

Após serem abordados os temas de disponibilidade e de gestão de estoque, será analisada a importância do olhar holístico, ou seja, da avaliação de toda a cadeia de suprimentos como um sistema único.

Antes de dar continuidade ao tema, é importante compreender como funciona a cadeia de suprimentos, descrita na Figura 1, a seguir:

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A cadeia produtiva é o grupo de elementos e processos que irá transformar matéria-prima em produto acabado. Pode-se dividi-la em duas partes básicas, sendo a primeira a que fica no início da cadeia até a manufatura e será o local onde se movimenta a matéria-prima; e a segunda parte é aquela que irá movimentar o produto acabado entre a manufatura e o mercado consumidor.

O conjunto de operações associadas ao fluxo de materiais e informações, desde a fonte de matérias-primas até a entrada na fábrica é denominada de Logística Inbound. Quando os bens são produzidos, eles precisam chegar até o consumidor e todos os meios utilizados para executar estes processos são denominados de Logística Outbound.

Estes dois processos logísticos necessitam ter sincronia, pois a falta dela irá gerar excesso ou a falta de produtos no mercado consumidor. A equalização depende do processo de comunicação e integração de todos os participantes de uma cadeia de suprimentos.

A falta de sincronia na cadeia de suprimentos poderá acarretar no Efeito Chicote, que deve ser entendido como a distorção entre os processos produtivos e distributivos ao longo da cadeia de abastecimento na qual os pedidos realizados ao fornecedor, em geral, são maiores ou menores do que a quantidade demandada.

Para melhor compreensão desse efeito, pode-se utilizar a seguinte situação: suponha que um tablet seja lançado no mercado e que seu giro está sendo superior ao estimado pela empresa fabricante. A procura pelo consumidor começa a crescer nos Pontos de Venda (PDV), portanto os comerciantes irão aumentar sua solicitação. Como foi visto no Artigo 2, os consumidores possuem pouca tolerância à espera, podendo substituir o produto inicialmente desejado por outro da marca concorrente. Porém, para os varejistas, a quantidade demandada revela-se alta fazendo com que sejam mantidos os pedidos. Desde a solicitação dos varejistas, ao reabastecimento de matéria-prima, pelos fornecedores, à manufatura que transforma os insumos em produtos e, por fim, entrega-os no varejo, demanda-se um tempo. A soma de todos estes períodos é denominada de “Lead Time”. Ao longo dele, os clientes continuarão comprando e, em sua maioria, sem aguardar pela marca inicialmente desejada, uma vez que a mesma está indisponível ou com baixo nível de serviço logístico (leia mais sobre este tema nos artigos 1 e 2). Os produtos, ao chegarem no PDV, encontrarão uma demanda relativamente satisfeita, ou seja, menor do que a existente no momento do pedido. Os produtos irão girar mais lentamente, reduzindo a frequência da produção ao longo da cadeia. Porém, se houver um reaquecimento desta demanda, a cadeia irá reagir mais lentamente, pois terá que reativar todos os processos que foram anteriormente reduzidos. O Lead Time será acima do pretendido, fazendo com que o produto chegue mais uma vez em um mercado novamente saturado. Esta falta de sincronia gera o efeito chicote, com ondas totalmente assíncronas na cadeia, gerando estoques em diversos pontos, custos de oportunidade e custo de obsolescência. A solução está na qualidade de comunicação entre todos os membros da cadeia de suprimentos e, principalmente, na perfeita previsibilidade das quantidades demandadas no mercado.

Voltando à Figura 1, observa-se que quanto mais a jusante, maior a capilaridade no processo distributivo, isto é, quanto mais próximo do varejo, maiores serão os pontos a ter produtos entregues. Uma simulação deste processo está representada na Figura 2:

 

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Pode-se perceber que ao longo da cadeia de suprimentos, as cargas que eram consolidadas na manufatura vão sendo fracionadas, assim que se aproximam do mercado consumidor, ou seja, a jusante da cadeia. Quanto mais próximo ao varejo, mais fragmentadas elas serão, passando a estar em lotes cada vez menores. É importante ressaltar que o volume de mercadorias que sai da manufatura é o mesmo volume que chega ao varejo, porém distribuídos em pontos cada vez mais fracionados, ou seja, em lotes cada vez menores. Dentro desta perspectiva haverá o aumento do número de meios de transportes para carregar cargas cada vez menores; a redução das cargas acarreta a redução do tamanho dos veículos, uma vez que o volume a ser deslocado será menor.

Essa redução aumenta imensamente os custos de distribuição. O fracionamento aumenta o risco de transporte, isto é, a probabilidade de não abastecimento passará a crescer de forma diretamente proporcional ao crescimento do número de pontos onde as mercadorias devem ser distribuídas. Portanto, o controle da logística de distribuição passará a ser um componente extremamente importante neste momento, pois a falta dele gerará o baixo nível de serviço logístico que terá como consequência a perda de vendas e o aumento do custo de capital imobilizado, pois a saturação na demanda irá reduzir o giro do produto e o aumento dos estoques. Haverá também o crescimento do risco de obsolescência, pois o atraso poderá reduzir as vendas mantendo os produtos por mais tempo armazenados, fazendo com que haja envelhecimento dos bens estocados.

O controle da cadeia de suprimentos é fundamental para garantir a permanência de uma empresa no mercado. O descontrole dos processos distributivos em uma cadeia acarretará na falta de produtos e, como já visto nos artigos anteriores, haverá o aumento da probabilidade da perda de vendas e todas as consequências associadas a este processo.

Conhecer a visão holística de uma cadeia é maximizar as chances de sucesso de uma empresa em um mercado, porém, para isso, é necessário compreender o que é a Logística.

No próximo artigo, serão abordadas questões que envolvem o gerenciamento dos diversos produtos ao longo da cadeia de suprimentos, bem como a associação dos mesmos a estratégias de marketing.

Fernando Arbache

Fernando Arbache

Doutorando ITA. Mestre em Engenharia Industrial PUC/Rio. Independent Education Consultant working with MIT Professional Education. Graduado em Engenharia Civil, UFJF. Data and Models in Engineering, Science, and Business/MIT, Cambridge, MA (USA). Challenges of Leadership in Teams/MIT, Cambridge, MA (USA). Data Science: Data to Insights/MIT, Cambridge, MA (USA). AnyLogic Advanced Program of Simulation Modeling/Hampton, NJ (USA).: Educational Consultant working with MIT. Coordenador da FGV em cursos de Gestão (curso de MBA em Gestão das Casas Bahia). Professor FGV, nas cadeiras e Logística, Estatística, Gestão de Riscos e Sistemas de Informação. Professor da HSM Educação nas cadeiras e Logística e Estatística. Professor IBMEC, Professor concursado na FATEC/São José dos Campos. Obras: ARBACHE, F. Gestão da Logística, Distribuição e Trade Marketing. São Paulo: Ed. FGV, 2004. ARBACHE, F. Logística Empresarial. Rio de Janeiro: Ed. Petrobras, 2005. ARBACHE, A. P. e ARBACHE, F. Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos. São José do Rio Preto- SP: Raízes Gráfica e Editora, 2012. Pesquisa: Desenvolvimento de modelos de mapeamento de Competências Comportamentais e Técnicas, por meio de gamificação com uso de Inteligência Artificial, utilizando Deep Learning e Machine Learning (http://www.arbache.com/mobi). Desenvolvimento de pesquisa de modelos para geração de indicadores de aprendizados para inovação, assim como de competências essenciais para inovação (curva de aprendizado e gaps de competências) e obtenção de ROI (Return Over Investment). As pesquisas que estão em desenvolvimento, têm como hipótese que existem modelos inovadores, para mapeamento de aprendizado adaptativo, com o uso de inteligência artificial, para atendimento em empresa e pessoas. Esses indicadores estão em uso, em um dos maiores programas de inovação para o cooperativismo da América Latina, que é fruto de pesquisas realizadas, desenvolvido e concebido por minhas pesquisas (http://www.arbache.com/inovaccop). Atualmente são 75 cooperativas de diversas áreas de atuação e aproximadamente 500 participantes. Estudos acima impactam no desenvolvimento do conceito RH 4.0 ou RH de Precisão, assim como no entendimento do impacto da Gestão por competências em um ambiente de inovador. Desenvolvimento de Inteligências nos dados e métricas - Big data e precisão nas tomadas de decisões na gestão de pessoas. Com os elementos anteriores, estuda-se a estratégia de negócios e estoque de talentos - o que os números revelam para o sucesso nas organizações. Estatística e inteligência estratégica para negócios em ambientes inovadores. Experiência Profissional: CIO (Chief Innovations Officer) da empresa Arbache Innovations especializada em simulação, inovação com foro em HRTech e EduTech – empresa premiada no programa Conecta (http://conecta.cnt.org.br) como uma das 5 entre 500 startups mais inovadoras da América Latina. Empresa Acelerada pela Plug&Play (https://www.plugandplaytechcenter.com) em Sunnyvale, CA – Vale do Silício entre novembro e dezembro de 2018. Desenvolvimento de parceria com o MIT – Massachusetts Institute of Technology para cursos presenciais e digitais – http://www.arbache.com/mitpe, https://professional.mit.edu/programs/digital-plus-programs/who-we-work & https://professional.mit.edu/programs/international-programs/who-we-work

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