Geral

O presente – futuro será feminino: a carreira da mulher em tecnologia

Ana Paula Arbache
Adriana Nascimento
Camila Achutti
Cintia Barcelos
Cristina Coelho de Abreu Pinna

Resumo

“O presente – futuro será feminino” é o título de um painel que foi apresentado pelas empresas IBM e inovabra habitat, em 29 de julho de 2020. O texto que segue tem como objetivo apresenta as discussões abordadas no evento, como forma de oferecer um registro do legado dessa importante iniciativa para a agenda da diversidade nas organizações, particularmente focada na presença da mulher na área da tecnologia. É com essa abordagem que a Profa. Dra. Ana Paula Arbache, sócia da HR Tech Arbache Innovations, fez a mediação do debate entre as seguintes líderes em tecnologia: Adriana Nascimento, líder de serviços em Blockchain da IBM; Camila Achutti, fundadora e CEO da Mastertech; Cíntia Barcelos, CTO da IBM para setor financeiro; e Cristina Coelho de Abreu Pinna, superintendente executiva de TI do Bradesco. O texto reúne sucintamente os argumentos que orientam o debate, bem como as respostas das líderes frente às questões levantadas pela mediadora. Não é difícil concluir, a partir das jornadas apresentadas, quão relevante é termos espaços de compartilhamento de conhecimentos e experiências que abordem, inspirem e promovam a carreira em tecnologia.

Introdução: Por que é importante discutir a carreira da mulher em tecnologia?


Estudos e documentos recentes mostram que a nova economia está pautada fortemente nas novas tecnologias e no mundo digital. O grande consenso é que profissionais em todo o mundo serão impactados por essa realidade e, para fazer parte dela, terão que estar preparados com as competências cognitivas necessárias para obter boas oportunidades no mercado de trabalho. O vice-presidente de setor privado do Banco de Desenvolvimento da América Latina (CAF) indica, ainda, que é preciso estimular uma agenda educacional formal e profissional de qualidade pautada em ciência, tecnologia e empreendedorismo. (ARBACHE, 2020)


Também é consenso que as mulheres são minoria nas profissões que têm como foco a tecnologia, como Vitelli, Rodrigues e Russo (2018) mostram. As mulheres são maioria no ensino superior no Brasil, no entanto elas estão presentes em cursos menos valorizados financeiramente e que, em certa medida, demandam características pessoais socialmente consideradas “mais femininas”. As autoras apontam que as mulheres escolhem carreiras nas áreas de educação, saúde, serviço social, humanidades e artes, o que não ocorre nos cursos de engenharia, em que as mulheres são, em geral, minoria. Tal fato reforça o pensamento de que as escolhas femininas são sutilmente pautadas pelas normas e valores sociais. Na pós-graduação também não é diferente, pois “há uma menor representação de mulheres em áreas do conhecimento tradicionalmente masculinas, como Engenharias, Computação e Ciências Exatas e da Terra” ( VITELLI, RODRIGUES, RUSSO, 2018, p.24).
Mas se as mulheres são minorias em carreiras voltadas para a tecnologia, bem como ciências e as engenharias, como elas poderão estar inseridas na nova economia citada por Arbache (2020)? A Accenture, em 2017, publicou um estudo que aborda o tempo que as mulheres levarão para alcançar a igualdade de gêneros no mercado de trabalho. Para as mulheres dos países em desenvolvimento, isso chegará em 2066, caso escolham carreiras mais estratégicas e desenvolvam habilidades digitais e se governos, empresas e universidades apoiarem políticas a respeito. Se isso não acontecer, chegaremos lá somente em 2166.

Figura 01: Igualdade de gênero

Os efeitos gerados pelas demandas da nova economia relatada por Arbache (2020) e pela baixa adesão das mulheres em carreiras mais estratégicas requeridas pela nova economia (VITELLI, RODRIGUES E RUSSO, 2018) podem distanciar ainda mais as mulheres da igualdade de gênero pretendida e representada pela figura acima. Isso ainda coloca em risco a situação da mulher como força de trabalho formal, pois se a nova economia e as boas oportunidades do mercado de trabalho passam pela educação de alta qualidade e com forte presença da tecnologia, elas poderão ficar de fora dos postos de trabalho com maior remuneração.

Certamente, o painel e as discussões trazidas pelas líderes foram pertinentes e oportunos para fortalecermos a agenda da mulher como força de trabalho nos tempos em que vivemos. O momento é particularmente agudo, e ainda mais urgente ao tratarmos da presença da mulher na área de tecnologia. Em 2019, durante o CONALIFE, (Congresso Nacional de Liderança Feminina), Ana Paula Assis, que é a primeira mulher a ser presidente da IBM para a América Latina, apontou que somente 20% dos profissionais que hoje atuam com inteligência artificial são mulheres, e essa baixa representatividade pode ser um risco para a construção dos sistemas cognitivos, uma vez que eles podem ser criados com o olhar masculino. Também apontou que é preciso incentivar as jovens a escolher essa carreira, pois há somente 18% de graduadas nos cursos de Ciência da Computação (VITELLI, 2020).

Clara Piloto (2020), diretora global dos programas do MIT Professional Education, coaduna com Assis. Para ela, a crise global faz com que os países busquem maior qualificação e treinamento de sua força de trabalho na direção das transformações digitais nas indústrias, empresas e organizações. Piloto alerta que as transformações digitais e suas tecnologias, como internet das coisas, inteligência artificial, aprendizado das máquinas, entre outras, trazem oportunidades e riscos para as mulheres. Ao apresentar dados da McKinsey Global Institute de 2019, ela mostra que a automação poderá demitir uma média de 20% de profissionais femininas (107 milhões de mulheres) até 2030. Sugere também que 160 milhões de mulheres (e 274 milhões de homens) ao redor do mundo precisarão se realocar dentro de suas ocupações para se manter empregadas (2020, p. 05). Para Piloto, a inclusão de mais mulheres no mercado de trabalho é, além de uma pauta de direitos humanos, uma pauta econômica. O mesmo é apontado pelo W20, grupo oficial de engajamento das mulheres do G20 e a ONU Mulheres que coloca as mulheres como centro da recuperação econômica pós-pandemia (TONELLI, 2020) e (ARBACHE, b. 2020).

Desenvolvimento: As líderes e suas jornadas: um presente e um futuro mais feminino em tecnologia

Sim, estamos diante de uma pauta urgente e necessária. Para que possamos reverter essa situação é preciso que ocorram esforços de diferentes stakeholders – governos, universidades, empresas, organismos não governamentais, entre outros. Não por acaso, a IBM e o inovabra habitat se reuniram para trazer à tona a discussão e gerar novos olhares e ações em torno desse tema. Para essas empresas, o futuro será feminino, e é preciso olhar para a carreira da mulher em tecnologia. Contudo, cabe mudar a percepção e os vieses inconscientes de que a tecnologia faz parte do universo masculino e de que as mulheres não são protagonistas nesse contexto.

Ao fazer emergir esse debate, a diversidade é tratada como contributiva para que novas ideias e conexões possam ser estabelecidas, além de viabilizar a criação de uma cultura inclusiva capaz de incentivar jovens e mulheres a assumir papeis de liderança em carreiras voltadas para a tecnologia. Isso pode atenuar as desigualdades apontadas na figura anterior e auxiliar na disseminação de novos modelos e referências de lideranças femininas na área.

É nesse olhar para o futuro que este texto está pautado. A partir das considerações de lideranças femininas que atuam no mercado de trabalho na área de tecnologia, buscam-se apresentar as jornadas dessas líderes, seus desafios, suas conquistas e o que pensam para o futuro. Além disso, tentam-se oferecer dicas que podem incentivar jovens e mulheres a percorrer o mesmo caminho, mudando não somente suas histórias, como também a condição da mulher no mercado de trabalho.

Ao unir cinco lideranças em torno dessa temática, o painel “O presente-futuro será feminino” marcou mais uma vez o compromisso que a IBM e o inovabra habitat assumem com as políticas de diversidade e igualdade de gênero no mercado de trabalho, particularmente para a promoção da carreira da mulher na tecnologia.

As discussões apresentadas no decorrer do painel estão presentes nesse texto, como forma deixar um registro do legado e disseminar o conhecimento e as experiências trazidas por essas lideranças femininas em tecnologia.

Num primeiro momento do painel, o foco esteve na descoberta e entrada na carreira, com discussões sobre o processo de tomada de consciência e a decisão de entrar em uma carreira majoritariamente masculina. As líderes trouxeram pontos importantes sobre suas trajetórias, seus desafios e seus aliados na construção de suas carreiras. Para isso, três questões nortearam o debate: “Por que a escolha de uma carreira em tecnologia, e quais caminhos que as trouxeram para a tecnologia?” e “Na visão de vocês, esse caminho é o mesmo hoje?”.

Em seguida, a discussão abordou a construção e a alavancagem da carreira. As debatedoras trouxeram informações e experiências de momentos de superação e de construção de suas carreiras. Também ressaltaram o compromisso de criar um legado positivo para a carreira da mulher em tecnologia. Aqui, o discurso deixou a esfera individual e partiu para o olhar coletivo. As líderes, por meio de sua atuação, exercem ações e influências para criar uma nova perspectiva para as mulheres nessa carreira. O papel das empresas que possuem políticas de diversidade é evidenciado por elas como exemplos a serem seguidos.

As líderes também abordaram a necessidade de compreender os vieses inconscientes presentes nessa temática e o modo de superá-los. As questões que nortearam esse momento foram as seguintes: “Como mudar a percepção e o viés inconsciente de que a tecnologia é o forte dos homens e que as mulheres não são protagonistas?” e “O que as empresas estão fazendo para incentivar a carreira das mulheres em tecnologia?”.

Ao prosseguir o debate, as líderes trouxeram as “pontes para o futuro”, ou seja, como enxergam o futuro da carreira em tecnologia. Por meio de mensagens claras, apresentaram suas visões para que jovens e mulheres possam ter a tecnologia como uma escolha possível e real em suas jornadas. Para tanto, abordaram as vantagens, sendo uma mulher, de optar por uma carreira em tecnologia, e a trajetória esperada de uma menina que nasce em 2020. Uma pergunta central dessa discussão foi: “Como será esse futuro?”.

Ao fim do painel, as líderes ofereceram conselhos para jovens e mulheres que têm a tecnologia como foco de suas carreiras e estão buscando uma profissão nessa área.

Todas as perguntas e respostas do painel “O presente – futuro será feminino”, organizado pela IBM e pelo inovabra habitat, estão transcritas ao fim deste texto.

Conclusões:


Não é difícil perceber, pelas jornadas e falas apresentadas pelas líderes, que ainda há muito a ser feito em relação à carreira da mulher em tecnologia. Para Adriana, Cintia e Cristina, a escolha pela tecnologia foi vista como um momento desafiador, pois não era uma carreira para “mulheres”, e tecnologia ainda não era uma carreira conhecida por todos. Já para Camila, que faz parte de uma geração que tem a tecnologia como parte de suas vidas, o desafio continua, mas não porque essa carreira não é conhecida, mas, sim, devido à desigualdade de oportunidades entre homens e mulheres que ainda perdura na sociedade. Camila tem um olhar um pouco mais resguardado em relação às conquistas das mulheres nessa área e cita que há um longo caminho a ser percorrido, enquanto Adriana, Cintia e Cristina olham com otimismo e apontam em direções mais virtuosas, talvez pelo fato de terem vencido muitos obstáculos ao longo de suas carreiras e de, até hoje, já terem aberto caminhos para as mulheres que estão chegando na área.

Elas acreditam que o movimento é virtuoso e sinalizam que empresas e organizações estão mais preparadas e vêm agindo em torno da diversidade de sua força de trabalho e da inclusão e preparação de mulheres para cargos de liderança. Os discursos dessas diferentes gerações de líderes estão presentes no modo como enxergam as questões da vida privada e da carreira, como também do modo como enxergam o mundo e as suas possibilidades. No entanto, há consensos abordados por elas: as mulheres devem ter um planejamento de carreira e estar preparadas, desenvolvendo conhecimentos e competências comportamentais e emocionais. Por sinal, “estudar sempre” e “gostar de aprender” foram expressões citadas de modo recorrente entre elas. Outros aspectos importantes citados pelas líderes foram o autoconhecimento, a curiosidade e a colaboração, pois para elas o futuro do trabalho é colaborativo e diverso.

Transcrição do painel “O presente – futuro será feminino”

Ana Paula Arbache: Por que a escolha de uma carreira em tecnologia? Quais os caminhos que trouxeram vocês para a tecnologia?

Cintia Barcelos: A Paula apresentou a Cíntia do LinkedIn. Fora do LinkedIn eu sou casada com o Rafael, meu primeiro namorado, e sou mãe de duas filhas, a Sofia e a Júlia, de 17 e 15 anos. Eu sempre gostei de Matemática. Eu acho simples e intuitivo. É que sempre fez sentido para mim. O meu pai, quando eu era criança, me levava para a feira e me ensinava a fazer contas de cabeça. Eu sempre era mais rápida que o vendedor com a calculadora. Ele também não gostava daquela história de que menina só brincava de boneca, para aprender a cuidar da casa e da família. Ele só me dava jogos educativos e brinquedos para pensar. Ainda bem que eu tinha a avó que me dava as bonecas. Ele que me apoiou a seguir uma carreira em Engenharia, por gostar muito de Matemática, e me orientou a buscar essa formação por ter mais oportunidades. Ele sempre foi um grande incentivador de mulheres independentes. Ele me educou para ter uma profissão e não depender de ninguém. Ele tinha horror de me ver em um casamento em que eu não conseguisse sair por necessidade financeira. Eu me formei, então, em Engenharia Eletrônica, trabalhei em pesquisa na faculdade e fui fazer o meu primeiro estágio em uma grande empresa de tecnologia. Era suporte a marketing na área de POWER e AIX, o sistema operacional Unix da IBM. Eu sempre gostei de estudar, e nessa empresa conheci tantas pessoas inteligentes e inovadoras… Não teve um dia nos últimos 27 anos em que eu não aprendi algo novo. Quando terminou meu estágio, fui contratada na área de serviços, e o resto da história a Paula já contou. Hoje, sou uma distinguished engineer. Eu tenho muito orgulho de ser a primeira mulher a ocupar essa função na América Latina. Infelizmente, ainda sou a única. Eu espero que a gente mude isso muito rápido e crie mais exemplos. Exemplos são tudo. É muito mais fácil quando a gente olha para cima e diz: “Eu vou ser como aquela pessoa um dia, eu gostaria de ter aquela função, de trabalhar como aquela pessoa”. São poucos exemplos femininos na área técnica. São poucas engenheiras.

Cristina Coelho de Abreu Pinna: Quando eu estava na escola, ia bem em todas as matérias, pois gostava muito de aprender e estudar. Porém gostava mais das matérias que envolviam lógica: Matemática, Física, Química, Gramática, pois precisava apenas raciocinar, não era necessário decorar ou lembrar de fatos. Pensava sempre: “Se alguém conseguiu entender isso e é complexo, eu também consigo”. Então vi que gostava de Exatas e, dentro desta carreira, Engenharia me parecia uma direção natural, para aplicar os conhecimentos aprendidos em coisas práticas do dia-a-dia. Mas qual das Engenharias? Fiquei em dúvida entre Engenharia Química e Elétrica, pois gostava de tudo e encontrava interesse em cada assunto novo descoberto. No terceiro ano do colegial, tive um professor muito bom em Eletricidade, e então resolvi prestar vestibular nesta área, que era uma das mais concorridas da época, e passei. Computação era considerada uma sub-área dentro de Engenharia Elétrica. Na faculdade, dentre 180 alunos ingressantes, havia cinco mulheres, e eu era uma delas. Então a vontade e curiosidade de aprender e também provar a mim mesma que eu era capaz fizeram com que eu me aplicasse ainda mais. Não me lembro de sofrer, naquela época, algum preconceito de parentes, colegas ou amigos. Claro que as pessoas achavam estranho uma mocinha fazer Engenharia Elétrica, mas eu me destacava, e então eles respeitavam. Meus amigos da faculdade eram todos homens, o que foi muitas vezes difícil, mas o objetivo final e a vontade de conhecer eram maiores do que isso. A faculdade oferecia uma premiação, ao final do curso, aos três formandos que mais se destacaram durante o curso, e eu tive a honra de ser a primeira mulher a ganhar esse prêmio. Sempre gostei de entender coisas complexas, o que mostrava a mim mesma o quanto eu era capaz. Sempre me dediquei muito, e isso acabou chamando a atenção de alguns professores, com os quais vim a trabalhar depois de formada. Ser mulher me ajudou na carreira pelos diferenciais de interação com pessoas e de comunicação, algo que na época era difícil de encontrar nos engenheiros e tampouco valorizado.

Ana Paula Arbache: Na visão de vocês, esse caminho é o mesmo de hoje?

Adriana Nascimento: Não. Quando eu escolhi seguir na área existia um misto de curiosidade sobre o futuro. Apesar da falta de conhecimento da maioria, havia um orgulho embutido na escolha pela carreira de tecnologia, pois você estaria estudando algo que na visão da grande maioria era distante e considerado difícil, ou seja, um desafio. Eu ouvia muito os meus pais dizerem com orgulho imenso: “Minha filha está estudando para mexer com computador”. Hoje, o acesso ao computador começa muito cedo e não existe uma necessidade, diferenciação ou até mesmo um glamour para a escolha de uma profissão que mexe com computador, porque todos mexem com ele, não é mesmo?

Camila Achutti: Hoje, temos mais exposição, mas ainda não há igualdade de possibilidades. Nós tivemos ganhos qualitativos incríveis, mas não quantitativos. Por exemplo: meninas com computador e celular brincando de lego, mas ainda com pressões de estereótipos muito fortes.

Ana Paula Arbache: Como é possível mudar a percepção e o viés inconsciente de que a tecnologia é o forte dos homens e de que as mulheres não são protagonistas?

Cintia Barcelos: Carreiras em tecnologia têm uma predominância de homens. Na faculdade de Engenharia, éramos duas mulheres na turma e na minha vida profissional não foi muito diferente. Já perdi a conta de quantas vezes eu sou a única mulher na sala. Acho que começa muito cedo, com a própria criação que nós damos às nossas meninas. Lembro bem quando minhas filhas começaram a ter provas na escola e ouvia as mães das amiguinhas delas falando que Matemática eu mando estudar com meu marido. Eu sempre pontuava: “Elas estão aprendendo a somar. É bem simples. Que mensagem você está passando? Que matemática não é para mulheres.” O viés de gênero é, muitas vezes, inconsciente, existe um pré-conceito de que a pessoa que entende tudo de tecnologia é um homem meio nerd que fica atrás de um notebook o dia todo e só sabe falar de computação ou Guerra nas Estrelas. Eu não tenho esse estereótipo, nunca tive. Já tive questionamentos iniciais. As pessoas, às vezes, olhavam para mim e duvidavam. Mas dura muito pouco, pois no final do dia existem problemas e desafios para serem resolvidos. Se você tiver competência, o viés não se sustenta. Meu conselho é estudar e se preparar sempre. Cada um de nós tem esses vieses no inconsciente. O importante é sempre estarmos atentos e nos policiando no dia a dia. O que é preciso são chances iguais, oportunidades iguais, permitir que uma mulher possa disputar uma vaga pela competência. É isso que cada um de nós precisa fazer em casa e no trabalho.

Camila Achutti: A experiência é o único jeito. Entender que é inerente à vida em sociedade e que precisamos ser intencionais. Vamos ter que conversar e expor as meninas e futuras gerações de mulheres a esse tipo de discussão.

Ana Paula Arbache: O que as empresas estão fazendo para incentivar a carreira das mulheres em tecnologia?

Cristina Coelho de Abreu Pinna: Percebe-se atualmente uma valorização pelas empresas da diversidade e inclusão, por acreditar que essa diversidade de pensamentos e opiniões traz vantagens competitivas em suas estratégias e melhor entendimento de seu mercado consumidor, além de novas visões e novas competências tão necessárias para esses novos tempos. Infelizmente, ainda existem pessoas e empresas que falam da necessidade da diversidade mais por modismo do que por realmente acreditar nisso. O Bradesco, como uma grande organização, vem cada vez mais valorizando de fato a participação feminina no mercado de trabalho. Alguns exemplos de que o Bradesco tem feito:
Em relação a compromissos:

  • Em 2018, aderiu aos Princípios de Empoderamento das Mulheres.
  • Participação do movimento HeForShe ONU MULHERES, que consiste em um esforço global para remoção das barreiras que impedem as mulheres de atingir seu potencial, ajudando homens e mulheres a modelar uma nova sociedade.
  • Participação do movimento Aliança sem Estereótipo – ONU Mulheres, que visa conscientizar anunciantes, agências e a indústria da propaganda em geral sobre a importância de eliminar os estereótipos nas campanhas publicitárias.
  • Signatário da Coalizão Empresarial pelo Fim da Violência contra Mulheres e Meninas. A ação integra os princípios de Empoderamento das Mulheres da ONU.
    O Bradesco vem participando de maneira sistemática em diversos eventos sobre o tema, como: Bradesco Women (com participação de Ana Paula Padrão, Luiza Helena Trajano), Protagonismo Feminino, Fórum de Liderança Feminina, Fórum sobre carreira (com participação de executivos do banco). Além disso, o Bradesco apresenta política explícita, declarada e praticada de diversidade e inclusão. Dentro da área de tecnologia, percebe-se também um incentivo forte da empresa para aumentar a diversidade de gênero. Foi fechada uma parceria com a empresa Laboratoria, uma startup de cunho social que capacita meninas com histórias de vida difíceis para as áreas de TI. E estamos contratando essas meninas na TI do banco, tanto nas áreas de desenvolvimento como de infraestrutura. Elas vêm com uma vontade enorme de fazer a diferença para nossa empresa e para a sociedade. Elas são incríveis e vêm apresentando um excelente desempenho e conquistando um espaço especial dentro da nossa TI. Outro fato importantíssimo e que tem ajudado muito este movimento é que nossa diretora de infraestrutura é uma mulher. Sempre foi guerreira, protagonista e apresenta carreira diferenciada dentro da TI do banco, sendo muito respeitada e admirada por todos pela sua competência. Alguns reconhecimentos que o Bradesco tem recebido recentemente por acreditar e colocar em prática sua política de valorização da igualdade de gêneros:
  • Pelo segundo ano, o Bradesco integra o Índice de Igualdade de Gênero da Bloomberg Financial Services Gender-Equality Index, reconhecimento internacional que destaca empresas de todo mundo que adotam políticas corporativas em prol do desenvolvimento da carreira de mulheres.
  • GPTW Mulher 2020: Bradesco foi reconhecido como uma instituição que trabalha em prol da igualdade de gênero e valorização da mulher no mercado de trabalho. É a quarta empresa brasileira do ranking e a primeira no setor financeiro.
  • Guia EXAME de Diversidade 2020, indicador organizado pelo Instituto Ethos e pela Revista Exame, destacou o Bradesco como uma das empresas do setor financeiro que desenvolvem práticas de diversidade e inclusão, no que diz respeito à equidade de gênero, equidade racial, inclusão de pessoas com deficiência e promoção dos direitos LGBTI+.
    Aos poucos, mais mulheres vêm ocupando cargos de liderança importantes na organização. Apesar de ainda sermos minoria, percebe-se uma movimentação clara e genuína da organização para isso, por acreditar que essa diversidade é importante para a sociedade e para a empresa.

Adriana Nascimento: No caso da IBM, além de mostrar suas políticas e valores sobre a diversidade de forma geral, além de programas de desenvolvimento, uma das coisas mais poderosas que eu acredito é a representatividade. Eu sou um exemplo disso: uma mulher negra, na tecnologia, líder de um segmento onde invariavelmente encontramos sempre homens discutindo e explicando uma tecnologia tida como complexa como o Blockchain. Este meu espaço de fala hoje aqui é intencional, e é uma mensagem significativa para as mulheres negras que estão me ouvindo. Inclusive, a nossa CEO da América Latina (o cargo mais alto da região) é uma mulher Ana Paula Assis. Pela estratégia de diversidade e inclusão, nós temos grupos de afinidades com líderes e sponsors executivos e especificamente o de mulheres é liderado por uma mulher negra da comunidade técnica e temos aqui conosco a Cíntia Barcelos que é sponsor executiva como Distinguished Engineer. Gostaria de compartilhar também um grande feito recente da IBM Brasil onde ganhamos 3 selos da Great Place to Work: (1) Étnico Racial, (2) Mulheres e (3) LGBTQI+ o que nos coloca em grupo seleto de apenas 3 empresas no país com este reconhecimento. O BRG Mulheres, em especial, utiliza sessões de focus group para co-criação junto às funcionárias e uma das realizações desse grupo foi a criação do Mainframe Academy cuja proposta é desenvolver IBMistas em mainframe para que pudéssemos ampliar o número de profissionais com este skill, que ainda é muito relevante para o mercado. Esta iniciativa também foi atrelada à submissão da certificação (badge) e conectou mulheres experientes com novatas através da mentorização.
Na IBM temos um programa social que nos é muito importante, pois apoia meninas que estudam em escolas públicas. O P-TECH é uma iniciativa educacional que promove a integração entre a educação básica, o ensino superior e a indústria. O programa prepara os estudantes com habilidades acadêmica, técnicas e profissionais necessárias para o século XXI, preenchendo a lacuna que há entre os estudantes e as necessidades dos empregadores. Confira mais em: https://www.ptech.org/?lang=en-pt#

Ana Paula Arbache: Quais as vantagens, sendo uma mulher, em optar por uma carreira em tecnologia?

Cintia Barcelos: Há poucos anos, eu assisti a uma palestra em que falaram sobre “impostor syndrome” – síndrome da impostora. Esse conceito diz o seguinte: mulheres são muito mais críticas e exigentes em relação ao seu potencial que os homens. Homens se candidatam a vagas se têm 50% dos requisitos, mulheres pensam 10 vezes se tem 90%. Quando eu estava ouvindo, eu me lembrei de quantas vezes eu enfatizei para gestores que estavam me considerando para uma vaga pelo meu potencial aqueles 5% a 10% que eu não tinha. A ex-CEO mundial da IBM é uma mulher, maravilhosa, inspiradora. Eu ouvi uma palestra dela em que ela disse que na primeira vez em que lhe ofereceram uma gerência, ela disse que não estava preparada, que talvez em dois anos. Ela chegou em casa e comentou com o marido, ele deu uma bronca nela e falou: “Como assim? Você já está pronta há anos!” No outro dia ela foi lá, disse que reavaliou e aceitou a posição. Acho que o marido dela tinha razão. Essa visão crítica que nós temos faz com que a gente busque a excelência, os detalhes que são cruciais quando você está criando ou desenhando uma solução. As mulheres também entendem e compreendem melhor o mundo a sua volta, conseguem lidar com múltiplos assuntos naturalmente, e essas características são cruciais quando você quer aplicar tecnologia. No final do dia você precisa resolver um problema de uma empresa através da tecnologia. Mas esses são detalhes, e eu não gosto muito da ideia de que mulheres são de um jeito e homens, de outro. O importante mesmo é termos um time diverso em pensamento, métodos, personalidades… É a diversidade que complementa, que soma, que traz a inovação.

Adriana Nascimento: Eu não sei se existe de fato uma vantagem em optar por uma carreira ou outra por ser mulher, mas cada vez temos mais mulheres liderando áreas importantes das empresas. E por que não em TI, já que é uma área tão importante quanto as outras? Eu acho que pela demanda de TI, sempre altíssima, dificilmente enfrentamos o desemprego na mesma intensidade como em outras áreas. Apesar de ser algo especifico para mulheres, eu acho que é uma excelente vantagem optar por TI.

Ana Paula Arbache: Qual a trajetória que espera uma menina que nasce hoje, em 2020? Como será esse futuro?

Cristina Coelho de Abreu Pinna: Hoje em dia, o mundo é um pouco diferente. Meninos e meninas já nascem imersos em tecnologia e se interessam por ela desde cedo. Mais meninas gostam de jogos eletrônicos, de brincar e interagir com assistentes virtuais, de tratar a IA como algo natural nas recomendações de filmes, livros e perfumes. Tecnologia passou a ser uma disciplina básica como Português, Matemática e Inglês. Conhecer tecnologia é fundamental para o profissional do futuro, seja para qualquer carreira (jornalista, advogado, médico). Para quem gosta de tecnologia, então, e quer se aprofundar neste ramo, as oportunidades são inúmeras. Sem sombra de dúvidas, é a profissão do presente e do futuro e, atualmente, o mercado de trabalho mundial já tem déficits destes skills. Novas carreiras vêm surgindo em torno do tema, e profissões relacionadas com Ciência de Dados, UX, Inteligência Artificial, marketing digital, desenvolvimento de apps, segurança da informação, entre outras, estão em crescimento e se mostram campos bem proeminentes e promissores. Novos modelos de negócio, ainda não criados e nem imaginados, aparecerão com o avanço e uso intensivo da tecnologia. Por outro lado, além dos hard skills (raciocínio lógico, objetividade, cálculo) a complexidade do mundo moderno e futuro torna cada vez mais importantes os chamados soft skills, como comunicação, colaboração entre pessoas, trabalho em equipe, resiliência e negociação, o que traz à tona um tema em que as mulheres também podem apresentar enorme diferencial. Além desses aspectos, existe atualmente uma maior consciência da sociedade e também das empresas acerca da importância da igualdade de gênero, o que favorece as meninas que entram no mercado de trabalho atualmente. Então, vejo para elas um futuro e oportunidades de carreira brilhantes. Se, de fato, elas gostam de tecnologia, recomendo que abracem com força essa oportunidade. Mulheres no mercado de trabalho de tecnologia permitem trazer novos olhares e novas percepções, além de resolver problemas próprios de suas condições, como por exemplo, tratar novas necessidades em apps de saúde e em freios de carro, por exemplo, para as adeptas do salto alto. Questões culturais do passado relacionadas com um trabalho árduo, o trabalho em finais de semana e à noite e o conflito com a criação dos filhos e cuidados com a casa são coisas que ficaram para trás.

Camila Achutti: Não acho que ela vai ganhar a mesma coisa que um homem branco na mesma função e nem vai ter se livrado de perguntas como: “Mas trabalhando assim você vai conseguir casar?” Eu e a ONU achamos que não, que temos pelo menos mais uma centena de anos de luta. No entanto, acho que vamos ter avanços de direitos, como licença parental, divisão do trabalho doméstico, creches e essas politicas públicas que, por pressão externa, acabam se tornando inegociáveis.

Ana Paula Arbache: Que conselho você daria para alguém que está buscando uma carreira na área de tecnologia?

Cintia Barcelos: Uma carreira bem-sucedida é fruto de trabalho e planejamento. Você precisa se planejar hoje para o emprego que você quer daqui a três ou cinco anos. Pense nas capacidades que você precisa para o seu próximo sonho e se planeje para ter esse conhecimento. Um ponto importante é saber ter uma leitura clara sobre quem é você e o que realmente falta. Estudem sempre, pois conhecimento e competência ninguém tira de vocês. O que conta no fim é o benefício que o seu conhecimento gera e o impacto do seu trabalho. Quando você desempenha muito bem o seu papel, está na hora de perguntar se você parou de aprender e crescer. É muito difícil medir quando está na hora de tentar algo novo. Hoje eu sei melhor. É importante se perguntar sempre. A minha primeira transição foi mais difícil. Eu fui crescendo como especialista de sistemas, era muito boa, e é difícil abrir mão e mudar. Nunca aprendi tanto como quando fui trabalhar como arquiteta em software. A próxima mudança eu tive certeza, pois tinha parado de aprender e já dominava tudo.

Cristina Coelho de Abreu Pinna: Primeiro, se você realmente gosta de tecnologia, siga em frente, pois aqui temos a profissão do presente e do futuro. Em qualquer ramo de negócio, tecnologia é promissor. Você vai precisar:

  • Estudar muito, todos os dias. Então você precisa gostar de estudar e se atualizar sempre, pois tecnologia evolui e avança todos os dias. Aprenda a se desenvolver sozinho, pela curiosidade e pelo autoestudo. Não espere que te ofereçam isso.
  • Ser o melhor naquilo que você se propôs a fazer. Não basta ser médio ou bom. Desafie-se a ser o melhor. Veja onde estão os gaps, aprofunde-se nos temas e busque diferenciação.
  • Desenvolver, além de seus hard skills, seus soft skills. Aprimore competências socioemocionais, de resiliência e de colaboração. O presente e futuro do trabalho é colaborativo.

Adriana Nascimento: Pergunta difícil. Na minha visão (ou meu desejo), meu conselho é de que esta menina entenda que não existe profissão ideal para mulher ou para homem. Existe aquilo que eu quero, que eu desejo ter como profissão e futuro e que sou capaz de conseguir, tudo com estudo e dedicação.

Camila Achutti: Abrace sua diversidade e comece pequeno… é como musculação!

Referências bibliográficas:

ARBACHE, Ana Paula (a). O mentoring como aliado da carreira feminina: um caso de planejamento de “transição de carreira: maternidade e carreira”. Carreira feminina em tempos de empregabilidade 4.0: estudos e casos. Org. Ana Paula Arbache. In: https://arbache.com/mundomelhor/empoderamento>. Acesso em 27/07/2020.

_ (b). O que a economia global irá fazer para a mulher no mundo do trabalho? Os dados da OCDE e WEPS/ONU Mulheres mostram que já passou hora de agir. In:< https://arbache.com/blog/mulher-no-mundo-do-trabalho/>. Acesso em 26/07/2020.

ARBACHE, Jorge. Letras, bytes e pandemia. Banco de Desenvolvimento da América Latina – CAF. In:
https://www.caf.com/pt/conhecimento/visoes/2020/07/letras-bytes-e-pandemia/. Acesso em 20/07/2020.

PILOTO, Clara. Prefácio. Carreira Feminina: transformando desafios em realização. Org. Rosária Russo e Yumiko Watanabe. Editora todas as Musas: São Paulo, 2020, p. 03-09.

VITELLI, Ana Paula. RODRIGUES, Ivete. RUSSO, Rosária. A influência da educação no empoderamento feminino. Carreira feminina em tempos de empregabilidade 4.0: estudos e casos. Org. Ana Paula Arbache. In:
https://arbache.com/mundomelhor/empoderamento>. Acesso em 27/07/2020.

VITELLI, Ana Paula. Conalife 2019 – Congresso Nacional de Liderança Feminina. In: < https://arbache.com/blog/conalife-2019-congresso-nacional-de-lideranca-feminina/>. Acesso em 27/07/2020.

As autoras

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação pela PUC-SP. Mestre em Educação pela UFRJ. Certificada pelo Massachusetts Institute of Technology (MIT) – Challenges of Leadership in Teams (2015), Leading Innovative Teams (2018). Docente Convidada dos cursos de MBA FGV. Sócia-diretora da HR Tech Arbache Innovations, responsável pelas ações de Recursos Humanos, Liderança, Governança Corporativa, Sustentabilidade, Gamification e People Analytics. Fundadora da página de empoderamento feminino “Mundo Melhor” e do Coletivo HuBMulher. Parceira WEPS/Pacto Global. Pesquisadora e autora das obras “Projetos sustentáveis: Estudos e práticas brasileiras” (2010), “Projetos sustentáveis: Estudos e práticas brasileiras II” (2011), “Sustentabilidade empresarial no Brasil: Cenários e projetos” (2012), “A crise e o impacto na carreira” (2015), “O RH transformando a gestão – Org.” (2018) e “Carreira Feminina” (2020). Certificação em coaching. Mentora de carreira para executivos. Criadora do programa Get Songs de acompanhamento de carreira/Pearson. Mentora voluntária PMI/SP e Instituto Ser Mais. Editora, colunista e gestora blog arbache.com/blog e palestrante em encontros nacionais e internacionais.

Adriana Nascimento

Líder de Serviços em Blockchain – IBM Brasil – Global Business Services (GBS. Graduada em Tecnologia da Informação pela Universidade Mackenzie, com Pós-Graduação em Gestão de Negócios e Empreendedorismo pela FGV. Com atuação dedicada à Indústria Seguros em mais de 20 anos de experiência profissional, teve passagens por importantes seguradoras do mercado tais como Liberty Seguros e Bradesco Seguros, entre outras. Atualmente, Adriana é líder de serviços em Blockchain pela IBM Brasil.

Camila Achutti

Fundadora e CEO da Mastertech, escola de pensamento digital, ágil, lógico e humano. Trabalhou com grandes empresas como Google, Intel, Accenture, Itaú, Citibank Leroy Merlin, Renault, TIM e IBM. Camila é também especialista em métodos ágeis, tecnologias emergentes e estratégias educacionais, tendo apresentado palestras e seminários, demodays e hackathons realizados nas maiores empresas do Brasil. Hoje, é Presidente da SOMAS, organização sem fins lucrativos que produz conhecimento científico sobre educação e tecnologia. É professora do Insper, uma das 3 faculdades particulares de maior prestígio no Brasil, tendo obtido seu bacharelado e mestrado na Universidade de São Paulo (USP) em Ciência da Computação, atualmente é doutoranda na Escola Politécnica da USP. Selecionada pela FORBES como um dos 5 talentos brasileiros em tecnologia com menos de 30 anos e como uma das 100 líderes de amanhã, ela representou o Brasil no Simpósio de St. Gallen, um evento que ocorreu na Suíça em 2018. Em 2019, virou quadrinho do Maurício de Souza representando as meninas na tecnologia no projeto #DonaDaRua.
É TopVoices no Linkedin e membro do Women20 (W20), que é uma iniciativa das Nações Unidas reunindo líderes de opinião no debate sobre diversidade, inclusão digital e igualdade de gênero para uma sociedade mais próspera.
Ela também é criadora do portal “Mulheres na Computação”, uma das primeiras e mais influentes iniciativas para a inclusão de mulheres no cenário tecnológico contemporâneo.

Cíntia Barcelos

CTO IBM para o Setor Financeiro.
Responsável pela estratégia e liderança de tecnologia em clientes no setor financeiro. Arquiteta de soluções certificada pelo Open Group com ampla experiência em soluções inovadoras de transformação digital, cloud híbrida, dados e inteligência artificial. Membro da IBM Academy of Technology e executiva sponsor do grupo de afinidade de Mulheres no Brasil. Primeira mulher a se tornar IBM Distinguished Engineer na América Latina. Cíntia é Engenheira Eletrônica pela UFRJ e tem um MBA pelo IBMEC.

Cristina Coelho de Abreu Pinna

Graduada em Engenharia de Eletricidade pela Escola Politécnica da USP, mestre em Engenharia de Software e Arquitetura de Sistemas pela Escola Politécnica da USP, pós graduada em Administração pela Fundação Vanzolini e com formação executiva pelo PMD do ISE/IESE Business School University of Navarra. Tem 25 anos de atuação no setor de Tecnologia da Informação e atualmente é Superintendente Executiva responsável pelo desenvolvimento de sistemas e soluções em Canais Digitais e na BIA do Bradesco, empresa da indústria financeira que carrega Inovação em seu DNA e que vem caminhando a passos largos na era da Transformação Digital.

Sugestão:

Conheça os Games “Carreira da Mulher”, elaborado pelo Coletivo HubMulher e produzido pela Arbache Innovations e o “Game Weps”, elaborado pelo Coletivo HubMulher e o Programa Ganha-Ganha da Onu Mulheres Brasil e produzido pela Arbache Innovations – eles são instrumentos gratuitos que auxiliam as mulheres na gestão de suas carreiras e também contribui para políticas de diversidade e inclusão das mulheres nas organizações. Os games podem ser acessados na Página Mundo Melhor Empoderamento Feminino Arbache Innovations: https://arbache.com/mundomelhor/empoderamento.

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação pela PUC-SP. Mestre em Educação pela UFRJ. Certificada pelo Massachusetts Institute of Technology/MIT- Challenges of Leadership in Teams (2015), Leading Innovative Teams (2018). Docente dos cursos de MBA e Pós MBA da Fundação Getúlio Vargas. Orientadora e avaliadora de trabalhos de pós-graduação. Sócia Diretora da Arbache Innovtions, responsável pelas ações de Gestão de Pessoas, Liderança, Governança Corporativa, Sustentabilidade Ética, Social e Ambiental e Elaboração e Aplicação Jogos de Negócios. Pesquisadora e autora das obras: A Educação de Jovens e Adultos Numa Perspectiva Multicultural Crítica (2001), Projetos Sustentáveis Estudos e Práticas Brasileiras (2010), Projetos Sustentáveis: Estudos e Práticas Brasileiras II (2011), Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos (2012), A crise e o impacto na carreira (2015), O RH Transformando a Gestão – Org. (2018). Certificação em Coaching e Mentoring de Carreira para Executivos. Mentora do Capítulo PMI/SP. Curadora e Colunista do blog arbache.com/blog e Página Mundo Melhor de Empoderamento Feminino Arbache innovations. Fundadora do Coletivo HubMulheres. Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

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