Empreendedorismo e Inovação Gestão de Projetos

O Mercado Profissional de Cuidados Com o Cabelo No Brasil é Dinâmico e Ávido Por Inovações


Por
Elaine Gerchon

Gerente de Projetos – Especialista em Inovação e Inteligência Competitiva

De acordo com o estudo Salon Hair Care Global Series: Market Analysis and Opportunities da Kline & Co, o mercado profissional de cuidados com o cabelo é representado atualmente por quatro categorias: Tratamento (xampus, condicionadores, máscaras e óleos); 2. Transformação (alisamento e permanentes); 3. Coloração (tinturas e tonalizantes) e 4. Finalizadores (sprays, mousses e gel).

Trata-se de um mercado muito dinâmico e acompanhá-lo é uma atividade complexa em função da sua evolução, ou seja, surgimento de novas empresas fabricantes e de novos produtos bem como as tendências relacionadas à moda, que comumente ditam as regras do mercado.

Uma das principais características deste mercado profissional para cabelos demonstra que 31% dos consumidores costumam ser fiéis à determinada marca. E a cada dois anos, em média, 30% do faturamento do setor é proveniente de lançamentos. Esta mesma evolução é a principal característica da indústria de cosméticos para cabelo no Brasil.

Em 2013 a categoria tratamento cresceu 11% enquanto que no mundo o avanço foi de apenas 3%. Esta mesma categoria domina as vendas no mercado brasileiro com 46% de market share.

Dados da Abihpec (Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfurmaria e Cosméticos) esclarecem que em 2009 os produtos para cabelos danificados, que fazem parte da categoria Tratamento, representavam 23% do mercado e em 2013 este número saltou para 37%.

Os óleos para cabelo, que fazem parte da categoria Tratamento, invadiram o mercado brasileiro entre os anos de 2012 e 2013, ganhando popularidade e um crescimento muito significativo. Em 2013 estes mesmos óleos representavam 10% do market share, dentro da sua própria categoria (tratamento), crescendo a um ritmo de 40%.

Coloração é uma categoria também em destaque, pois é impulsionada pela tendência de produtos sem amônia ou com a presença de amônia mas em baixa quantidade. Estas duas tendências surgiram em 2009 com o lançamento do INOA da L’Oréal Professionnel.

Em 2013 a categoria Coloração se desenvolveu gerando novas ramificações, como colorações com propriedades condicionantes e livres de ingredientes potencialmente nocivos. Os produtos mais suaves ou sem amônia aumentaram em 41% na América do Norte. No entanto, o alcance ainda é relativamente baixo, especialmente quando comparado à Europa Ocidental, que representa a maior parte das vendas deste segmento no mundo.

No Brasil houve um aumento na demanda por produtos de coloração mais suave e com ingredientes menos agressivos, representando 2,5% das vendas em relação às colorações permanentes, no entanto esse crescimento ainda é pequeno, e cresce a uma taxa inferior a 10% a.a. A categoria de coloração é impulsionada por um crescente número de consumidores (homens e mulheres) que buscam alternativas de cores (moda) e também, principalmente, cobertura de fios brancos.

A categoria transformação respondem por 11% do mercado profissional, sendo a categoria que mais cresce no segmento, reflexo do perfil de cabelo brasileiro (cacheado, crespo e encaracolado), moda e principalmente praticidade. Nos últimos anos surgiram inúmeras novas técnicas e fórmulas de alisamento, menos prejudiciais para o cabelo, que estão sendo usadas em alisamento. Por outro lado, os produtos para permanente estão lentamente “voltando”, com produtos que produzem efeitos de cachos suaves e movimento.

O mercado Brasileiro de produtos para cabelos vendidos e utilizados em salões de beleza atingiu BRL 1,0 bilhão em 2013 (ex-facture), com taxa de crescimento de aproximadamente 10% nos últimos 5 anos. A maior parte das vendas é para o segmento back-bar (produtos utilizados pelos próprios profissionais nos salões) e há uma tendência de crescimento nas vendas do segmento take-home (produto vendido para o consumidor final).

A maioria das empresas que atuam no segmento investem em produtos take-home de cuidados para os cabelos, principalmente em xampus, condicionadores e máscaras para tratamento, para que os clientes de salões de beleza continuem com a manutenção dos seus tratamentos em casa.

Para os próximos anos as perspectivas são otimistas em relação ao crescimento do mercado de higiene e beleza no Brasil, contudo os desafios também serão maiores. Fatores demográficos, sociais, regulatórios, e econômicos impactarão e transformarão o perfil do mercado Brasileiro, aproximando-o do perfil de crescimento de mercados mais maduros (taxas menores de crescimento um pouco menos robustas; mais valor agregado).

A identificação das melhores oportunidades exigirá que as empresas atuantes no mercado de cosméticos adotem um olhar mais minucioso, detalhado e criativo, sobre os mercados, em suas variadas segmentações e canais, e sobre o seu próprio desempenho frente aos competidores, para que assim possam definir estratégias e direcionar recursos para as áreas mais promissoras.

Elaine Gerchon

Email: egerchon@gmail.com

Palavras Chaves: cosméticos, beleza, mercado, cabelo, tratamento, salão, Brasil.

Fontes:

[1]Salon Hair Care Global Series: Market Analysis and Opportunities – http://www.klinegroup.com/reports/y357.asp

[2]ABHIPEC, 2014 – Associação Brasileira da Industria de Higiene Pessoal, Perfurmaria e Cosméticos – Principais atributos –

http://www.abihpec.org.br/category/noticias/publicacoes-noticias/