Empreendedorismo e Inovação Ética

Meu Projeto Web: Parte 2 – Comunicação, A Cola Do Quebra-Cabeças

Não é incomum o fato de que, quando um cliente possui uma necessidade, ou um novo conceito para um projeto, ele muito provavelmente não saberá direito o quê quer, como quer, quando quer, de que maneira quer ver os resultados. Ele pode até saber muito bem sobre tudo isso, mas não conseguirá – necessariamente, explicar corretamente ao seu fornecedor, que neste caso é o gestor contratado para o projeto.

Estes problemas de planejamento e de comunicação com o cliente, não ocorrem somente no início dos projetos (por exemplo, no Termo de Abertura do projeto, ou mesmo antes, durante uma licitação ou – um exemplo bastante corriqueiro, no corpo da RFP) mas, sim, ao longo de todo o processo, principalmente quando o escopo tem a característica de Rolling Waves Planning (escopo “aberto”, definido na medida do desenrolar do projeto).  No caso de projetos para a Internet (que tomamos aqui como base de raciocínio para este artigo), esta abertura de escopo é quase “permanente”, mesmo após seu ocorrer o seu encerramento formal.

Mas será que se trata apenas de um problema de comunicação e planejamento? São “hard skills” que podem ser contornados? Afinal, técnicas podem ser aprendidas, processos assimilados (por mais que seja “dolorido” para quem passa por isso, mas mudanças são assim mesmo). Ou será que o problema é de cunho mais “cultural”?

Projetos podem, em teoria, ser muito bem planejados, soberbamente executados e entregar resultados exatamente como são esperados. Como é que isto não ocorre em grande parte dos casos reais? Ou, mesmo quando ocorrem, não necessariamente se traduzem em “cases de sucesso”?

Parece ser um sonho impossível? Afinal, não nos falta acesso – nós, os gestores profissionais, ao conhecimento necessário para se obter sucesso em projetos. O mercado está cheio de profissionais qualificados e experientes. Alguns poucos são até bem pagos e bastante motivados.

Em se tratando de profissionais do ramo, as universidades e instituições de ensino, promovem a exposição contínua ao conhecimento, qualificando experientes profissionais de gestão – os quais investem em aperfeiçoamento, que estão, assim como o mercado em geral, sempre evoluindo em direção de melhores e mais eficientes práticas na gestão de projetos.

Em contrapartida, muitas consultorias as quais investem na capacitação e educação contínua de seus profissionais (geralmente em parceria com universidades e outras instituições de ensino), garantem que prestarão seus serviços com um alto grau de qualidade.

Mas, e o cliente? Ninguém o avisou que também precisaria se atualizar, porque também fará “parte da equipe”? Será que ele não leu o memorando, ou se esqueceram de enviar? Brincadeiras à parte, é justamente neste ponto que o fracasso entra sem bater e muda o rumo do projeto. Então, vale uma última questão: quem garante os resultados?

O próximo capitulo desta coluna traz este tema: ”La garantia soy yo!

Mathias Carvalho

Mathias Carvalho

Especialista em mídia digital, desde 1997 trabalhando com planejamento estratégico e gerenciamento de projetos digitais. Professor no MBA em Ger. de Projetos FGV. Doutorando na Rennes SB/FRA, focado em jogos sérios. Mestrado em Marketing Internacional pela UNLP/ARG; MBA em Gerenciamento de Projetos e CEAG pela FGV. Certificados PMP, PRINCE2 e SFC.

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