Gestão de Pessoas

Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais: Novas Condutas Para o Mundo o Corporativo: Bem Vindos à Diversidade Sexual!

sexuais
Businessman with Social Network Concepts

Por Profa. Dra. Ana Paula Arbache

A discussão em torno da diversidade sexual não é nova, mas com certeza, vem ganhando mais espaços em cenários importantes na sociedade (ARBACHE, 2000, 2006, 2012). O tema da diversidade, por vezes, ficou restrito às teses acadêmicas e aos grupos de pessoas que comungam com suas argumentações, mas pouco tem sido vivenciado no cotidiano.

A sociedade, particularmente a brasileira, vem tentando “dar conta’ de uma legado não tão favorável, às discussões e ações em torno da temática. Uma coisa é traçar diretrizes e concepções, outra coisa é leva-las para o ambiente da factibilidade ética – onde a ação, é respaldada pelo compromisso ético pela Vida do Outro (DUSSEL, 2002).

Para além do discurso, o Instituto Ethos, juntamente com a Embaixada do Reino dos Países Baixos, e o patrocínio de empresas como: BP, Bradesco, Itaú Unibanco, Carrefour, McDonalds, entre outras empresas, lançou em dezembro de 2013, um Manual com orientações para o mundo corporativo, contendo indicativos de ações voltadas a lésbicas, gays, bissexuais, travestis e transexuais.

O respectivo Manual: “O Compromisso das Empresas com os Direitos Humanos LGBT – Orientações parao Mundo Empresarial em Ações Voltadas a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis eTransexuais” (INSTITUTO ETHOS DE EMPRESAS E RESPONSABILIDADE SOCIAL,  2013),  é mais um passo para a consolidação de uma agenda de defesa dos direitos humanos no Brasil e no mundo, e apresenta o tema dos direitos da população LGBT, de modo claro e objetivo, focado no universo empresarial.

O traçado do Manual, tem o papel de educar e alinhar o conhecimento a respeito da temática. Dois termos são importantes para a discussão que envolve o  documento,  sendo eles:

“Orientação sexual: refere-se à atração emocional, afetiva ou sexual que uma pessoa sente por outra de gênero diferente, do mesmo gênero ou de mais um gênero”.

“Identidade de Gênero: é a experiência individual do gênero de cada pessoa, que pode ou não corresponder. Inclui o sentimento em relação ao seu corpo, que pode, por livre escolha, envolver a modificação da sua aparência ou função corporal por meios médicos ou cirúrgicos por exemplo. Além disso pode envolver outras expressões de gênero, como vestimenta, modo de falar e maneirismos”. (INSTITUTO ETHOS DE EMPRESAS E RESPONSABILIDADE SOCIAL,  2013, p.10-11)

Uma dos zelos apresentados no Manual, foi trazer o de uma abordagem clara e desmistificada do tema. Por isto, o papel educativo transmitido pelo documento, é significativo para aqueles que são diretamente envolvidos na temática. Para alargar ainda mais esta compreensão, o texto oferece também as definições dos termos abaixo:

Lésbicas Mulher que sente atração física e emocional por outras mulheres.
Bissexual Pessoas que sente atração física e emocional por homens e mulheres.
Gay Homem que sente atração física e emocional por outros homens.
Aliados Pessoas em geral heterossexuais, que apoiam a comunidade LGBT. Defendem a dignidade e o respeito para com todas as pessoas e estão dispostas a se posicionar e tomar atitude por esses princípios.
Transexuais Aquela cuja identidade de gênero, aparência física, expressão e/ou anatomia não se encaixam no que é convencionalmente esperado das pessoas nascidas  com seu sexo biológico (feminino, masculino). O termo reúne, contudo, realidades distintas, como a de travestis e transexuais.

Fonte: Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social,  2013, p.13

O Manual  relaciona o tema diversidade sexual e o mundo empresarial. Mesmo considerando alguns avanços, o documento aponta para a necessidade de valorização e respeito da diversidade sexual neste contexto. A discussão considera, tanto aspectos da área de gestão de pessoas, como também aspectos relativos a estratégia da empresa, frente ao chamado Pink Money (termo relacionado ao poder de consumo da comunidade LGBT e discute como as empresas agem frente a este público, a forma de pensar, agir e produzir produtos e serviços, que possam ganhar a empatia e a fidelidade destes sujeitos).

Na realidade, a discussão envolve sobremaneira, a governança corporativa, onde há necessidade de alinhamento, desde o topo até a base, e onde todos os públicos de relacionamento possam partilhar da valorização da diversidade sexual.

Apesar de demonstrar várias lacunas e situações desfavoráveis ao público GLBT no cenário empresarial, o papel do documento é abastecer de uma perspectiva positiva em relação aos mesmos.

Depoimentos interessantes são trazidos no vídeo, lançado juntamente com o Manual pelo Instituto Ethos. Em uma das falas, um diretor de diversidade de uma empresa química, aponta que não raro escuta de responsáveis por processos de seleção de talentos a seguinte frase:” O candidato era muito bom, mas era muito gay!”

Em outro depoimento, um funcionário que participa do grupo de trabalhadores LGBT de uma empresa, e  afirma que o grupo foi importante para que fosse visto de modo mais autêntico.

É certo que o documento é mais um passo a ser dado, em uma trilha bastante complexa e cheia de surpresas. No entanto, é altamente contributivo e deve ser acolhido, por empresas e líderes que querem e devem estar atentos a um cenário social, que é uma verdadeira bricolagem de identidades e sujeitos de direitos.

Alguns riscos podem ser previstos para aqueles que não estão antenados nesta discussão, como o risco para a reputação corporativa, tanto no âmbito da captação e retenção de seus talentos, bem como na imagem transmitida a diversidade de consumidores, criando um custo de oportunidade de negócios, bem como de consolidação de uma marca que  agrega a todos!

Confira abaixo os 10 Compromissos da empresa com a promoção dos direitos:

  1. Comprometer-se – presidência e executivos – com o respeito e a promoção dos direitos LGBT;
  2. Promover igualdades de oportunidades  e tratamento justo às pessoas LGBT;
  3. Promover ambiente respeitoso, seguro e saudável para as pessoas LGBT;
  4. Sensibilizar e educar para o respeito aos direitos LGBT;
  5. Estimular e apoiar a criação de grupos de afinidade LGBT;
  6. Promover o respeito aos direitos LGBT na comunicação e marketing;
  7. Promover o respeito aos direitos LGBT no planejamento de produtos, serviços e atendimento aos clientes;
  8. Promover ações de desenvolvimento profissional de pessoas do segmento LGBT;
  9. Promover o desenvolvimento econômico e social das pessoas LGBT na cadeia de valor;
  10. Promover e apoiar ações em prol dos direitos LGBT  na comunidade.

(INSTITUTO ETHOS DE EMPRESAS E RESPONSABILIDADE SOCIAL,  2013, p.10-11   p.47)

Fontes bibliográficas:

ARBACHE, Ana Paula (Org). Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos. Editora Raízes: São Paulo, 2012.

_____________. A Política de Cotas Raciais na Universidade Pública Brasileira: um desafio ético. (Tese) Doutorado em Educação/Currículo. Programa de Pós-Graduação em Educação/Currículo. Pontifícia Universidade Católica de São Paulo. 2006.

____________. A Formação do Educador de Jovens e Adultos Numa Perspectiva Multicultural Crítica (Dissertação) Mestrado em Educação. Faculdade de Educação. Universidade Federal do Rio de Janeiro, 2000.

 

DUSSEL, Enrique. Ética e Libertação na Idade da Globalização e da Exclusão. Trad. Ephraim F. Alves et al. Petrópolis: Vozes, 2002.

HALL, Stuart. Identidades Culturais na pós-modernidade. Trad. Tomaz T. da Silva. & Guacira Lopes Louro. Rio de Janeiro: DP&A Editora, 1997.

INSTITUTO ETHOS DE EMPRESAS E RESPONSABILIDADE SOCIAL.  O Compromisso das Empresas com os Direitos Humanos LGBT – Orientações parao Mundo Empresarial em Ações Voltadas a Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis eTransexuais. (http://www3.ethos.org.br/cedoc/o-compromisso-das-empresas-com-os-direitos-humanos-lgbt/#.Ut1iuJFqZlC. Acesso em 20/01/2014.

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação pela PUC-SP. Mestre em Educação pela UFRJ. Certificada pelo Massachusetts Institute of Technology/MIT- Challenges of Leadership in Teams (2015), Leading Innovative Teams (2018). Docente dos cursos de MBA e Pós MBA da Fundação Getúlio Vargas. Orientadora e avaliadora de trabalhos de pós-graduação. Sócia Diretora da Arbache Innovtions, responsável pelas ações de Gestão de Pessoas, Liderança, Governança Corporativa, Sustentabilidade Ética, Social e Ambiental e Elaboração e Aplicação Jogos de Negócios. Pesquisadora e autora das obras: A Educação de Jovens e Adultos Numa Perspectiva Multicultural Crítica (2001), Projetos Sustentáveis Estudos e Práticas Brasileiras (2010), Projetos Sustentáveis: Estudos e Práticas Brasileiras II (2011), Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos (2012), A crise e o impacto na carreira (2015), O RH Transformando a Gestão – Org. (2018). Certificação em Coaching e Mentoring de Carreira para Executivos. Mentora do Capítulo PMI/SP. Curadora e Colunista do blog arbache.com/blog e Página Mundo Melhor de Empoderamento Feminino Arbache innovations. Fundadora do Coletivo HubMulheres. Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

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