Coaching

Lava Jato e a preocupação com o compliance. Mitigar riscos sem o compromisso pessoal é possível?

Hoje, ao ler o Valor Econômico ¹, encontrei o artigo de Rodrigo Rocha intitulado: Lava Jato amplia preocupação com  compliance. Tenho sempre a preocupação em buscar na vida real a aplicação dos conceitos que estudamos.

Durante algumas semanas conversamos sobre a diferença daquilo que é externado pelas Empresas e o que de fato encontramos na prática. Preocupo-me muito em saber que tantas horas investidas no desenho de um processo pode apenas resultar em um artigo de vitrine.

O artigo de Rodrigo Rocha nos apresenta o resultado da  pesquisa realizada pela agencia de comunicação CDN e o Instituto de Pesquisa Ideia Big Data . Dos 94 executivos entrevistados, 85% acreditam que as operações de combate à corrupção colocaram pressão nas companhias para comunicarem as políticas relacionadas ao tema. ¹

Complementa “Os executivos sentem a necessidade de criar uma ponte entre as políticas de compliance e as pessoas. De transformar isso em uma atitude, para dentro da empresa e para fora”, afirma Yara Peres, vice-presidente da CDN.¹

Luiz Ricardo Prado Oliveira² (2015) propõe :

“a partir de um aporte psicanalítico, pensar uma subjetividade-padrão brasileira da qual decorre uma “cultura de transgressão”, apontada de forma recorrente por diversos estudiosos da formação sociocultural do Brasil. Considerando o cenário brasileiro, em que se destaca a recorrência  de um gosto acentuado por transgredir, ou mesmo, grande tolerância por transgressões a leis, forma-se um impasse constante, que repercute desfavoravelmente no desenvolvimento da coletividade em direção ao que caracteriza a modernidade”.

Robert Mnookin(2011) cita  que “às vezes temos que negociar com o diabo e em outros momentos você deve se recusar a fazer isso”.³ Logicamente estamos falando , como o próprio autor esclarece que “ o termo diabo refere-se ao inimigo que intencionalmente casou  um mal a você no passado ou parece disposto a fazê-lo no futuro”.

Ele pode estar representado por alguém que lhe pede uma comissão para fechar um negócio ou, alguém a quem você oferece algo para obter o seu objetivo, talvez aquele que ingenuamente cede uma facilidade em troca de outra, aquela venda fictícia que você imputa no sistema para atingir o objetivo e depois, na virada do mês você cancela.

Santo Agostinho no dialogo do livre-arbítrio (entre388 e 395 DC) escreve que a temática central é o problema do mal moral e da liberdade de escolha, o livre-arbítrio. Santo Agostinho rejeita o determinismo e defende a liberdade humana, resultado da vontade livre. 4

São Thomas de Aquino discute o livre-arbítrio em termos da liberdade do ato voluntário, enquanto escolha racional. Para ele, o livre-arbítrio decorre da própria racionalidade humana e é um pressuposto da ética enquanto possibilidade de escolha daquilo que é bom em detrimento do que é mau. 4

Hume estabelece as bases da ação humana nas paixões, ou seja, nos impulsos e sentimentos que nos motivam agir.4

Independente do livre – arbítrio, da racionalidade ou das paixões, estamos diante de um quadro de falta de comunicação interna na empresa. Volto a  insistir que a identidade e os pontos fortes da empresa, o sentido de direção às pessoas, valores e princípios (guias acreditáveis que dão a empresa força própria de caráter )são itens primordiais e essenciais a sobrevivência do negócio.

Impressionante como o óbvio nos parece tão raro. Reverter a prática do tão distante ao definido é nosso maior desafio.

Não se pode ficar inerte. O fortalecimento do “interno” organizacional deve ter prioridade no Planejamento Estratégico.  Proteger os ativos, garantir informações adequadas, promover a eficiência operacional da organização, estimular a obediência e o respeito às políticas da administração. Todos sabem que sem abranger o interno da organização um Planejamento Estratégico, por melhor que seja não será capaz de sair do papel.

Por trás de uma empresa existe cultura, valores, gente, diversos valores individuais que podem ou não estar aderentes aos da empresa.  A velha e imortal comunicação eficiente e eficaz, sem ruídos, interlocução perfeita , emissores e receptores sintonizados existe?

Somente com treinamento, ações concretas, posicionamento confiável dos gestores capacitarão as empresas a mitigar os possíveis riscos existentes no que tange a credibilidade.

Trabalhar com gente, pessoas, seres humanos, mundos desconhecidos, mundos conflitantes, como sintonizá-los? Será que a utilização das técnicas de coaching e mentoring poderiam ajudar? Mesmo sendo técnicas voltadas ao indivíduo?

Mas como estas técnicas podem nos ajudar?

Ao dar partida em um processo de coaching, os coachees passarão a refletir e passar por diversos pontos que os ajudarão no desempenho pessoal e profissional. Identificarão suas crenças limitantes e trabalharão, segundo um processo estabelecido e com apoio de um profissional habilitado, para removê-las.

Ferramentas que os farão pensar de como estão seus atuais níveis de satisfação com a vida? Qual a área prioritária de suas vidas que os poderão alavancar? Quais são suas crenças limitantes? Qual o diabo com quem terão de negociar? Seus pontos fortes e pontos que precisam ser trabalhados?

Você conhece e entende os riscos aos quais você está sujeito, como mitiga-los?

Você acredita que o somatório de pessoas, com conhecimento de si próprios, será capaz de reverter a tendência do grupo?

Será este o caminho para a construção da ponte entre políticas de compliance e pessoas que os executivos entrevistados se referem?  Uma atitude para dentro e para fora da empresa?

Eliminar ou ir gradativamente contra a recorrência de um gosto acentuado por transgredir, ou mesmo, grande tolerância por transgressões a leis através do auto desenvolvimento das pessoas, da reflexão e determinação?

Derrubar, através do compromisso assumido consigo mesmo, estes impasses constantes, que repercutem desfavoravelmente no desenvolvimento da coletividade em direção ao que se quer caracterizar como modernidade é possível?

Você que está começando agora a sua trajetória profissional e você que já se encontra na longa caminhada profissional: parem, pensem e reflitam se já não está na hora de ganhar este jogo!

Dê uma chance a você mesmo, liberte-se das crenças que te limitam, pare de se sabotar. Enfrente o diabo que lhe perturba!


  1. ROCHA, R.,Lava a jato amplia a preocupação com compliance, Jornal Valor Econômico, www.valor.com.br, 24/05/2017.
  2. OLIVEIRA, Luiz Ricardo Prado, A Cultura da transgressão no Brasil: de Machado de Assis à psicanálise, São Paulo: Editora Zagodoni , 2015.
  3. Mnookin,R., Negociando com o diabo: quando dialogar, quando lutar; tradução de Marcelo José Ferraz Ferreira , São Paulo: Editora Gente,2011.
  1. Marcondes, D., Textos básicos de ética: de Platão a Foucault , Rio de Janeiro: Zahar,2007.

Luiz Manoel Chiara

Luiz Manoel Chiara é consultor, Auditor da Qualidade, Coach e Mentor possui 35 anos de experiência nas áreas de Qualidade , Comercial , Marketing, Gestão Empresarial, Governança em Empresas Familiares, Sucessões empresarias. Mestrando em Direção Estratégica de Empresas Familiares pela Universidad Europea – Espanha. Perito Judicial. Foco nas áreas de Desenvolvimento Humano, Planejamento de Carreiras ,Planejamento Estratégico e Negociação Empresarial. Atuação nos segmentos: Naval, Petróleo, Engenharia Biomédica, Hospitalar e Indústria automobilística.

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