Jogos de Negócios

Jogos de Negócios: Como Se Fosse Brincadeira

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Texto de Marcelo Casagrande – Tendência: Jogos Corporativos

Entrevista realizada com Fernando Arbache à Revista Gestão e Negócios

Empresa aposta em treinamentos lúdicos no formato de jogos. Método pode ter rendimento até três vezes melhor do que opções tradicionais.

A situação beira a crise: as equipes estão desmotivadas, o rendimento caiu além do permitido, os líderes parecem apáticos e a performance não é a mesma de outros tempos. Já imaginou viver uma situação como essa? Fique tranquilo, é só um cenário fictício, mas que nenhum gestor está livre de enfrentar. Qual seria a sua decisão diante disso? Demitir todo o quadro de colaboradores e partir do zero ou tentar resgatar essa equipe, antes que ela caísse no precipício? Pois é, a segunda opção, na maioria das vezes, é mais aconselhada. E a receita nem sempre é impossível de ser aplicada. A dica principal é saber estimular e resgatar a auto estima de cada integrante. Toda essa história é a que ganha ares de verdadeira quando contada em um jogo corporativo. Uma ferramenta que tem ganhado cada vez mais espaço dentro das empresas. Um treinamento com jogos pode assumir diversos ambientes, garante o presidente da Arbache Consultoria – empresa especializada no segmento –, Fernando Arbache. De acordo com ele, o jogo pode ser bem próximo a um vídeo game. “Eles podem assumir diversos layouts, dependendo também do formato do treinamento, indo desde um ambiente mais clássico, com os participantes em torno de uma mesa decidindo conjuntamente as decisões ou então, individualmente, diante de um computador assumindo sozinho suas ações”, explica o executivo. Aplicados nas equipes através de simuladores de inteligência artificial, a execução dos jogos de negócios possibilita a análise do perfil de cada colaborador, permitindo que o líder faça um remanejamento da equipe. Os jogos auxiliam a identificação de gerar e alinhar a competência das equipes de colaboradores, traçando os pontos fortes e melhorando no que for preciso. A criação dos jogos surgiu diante de uma realidade cada vez mais comum entre as pessoas: o tempo escasso. O mercado cada vez mais exigente, somado a atividades de lazer e de aperfeiçoamento dos estudos, por exemplo, tornam a rotina ainda mais corrida. Por isso, com um mundo dinâmico como este, tudo deveria mudar, certo? Arbache acredita que sim. “Se olharmos os modelos dos treinamentos e aulas escolares ou universitárias, vamos perceber que os mesmos seguem o padrão de mais de 200 anos, ou seja, dois séculos ensinando sempre da mesma forma”, comenta o executivo que complementa: “A partir dessa argumentação que criamos os modelos de treinamento, que segue tal dinamismo, colocando os participantes em um ambiente interativo, lúdico e divertido, onde cada participante ou aluno passa a ser também um agente de aprendizado, saindo de uma postura passiva para ativa”, explica. Para chegar ao modelo atual, os especialistas juntaram a experiência de duas décadas de pesquisas e estudos na área de docência.

QUEM USA?

Seja uma empresa do setor alimentício ou um comércio de autopeças. Os jogos corporativos são “mutantes” e podem atender negócios de diversos segmentos. Segundo Abarche, os jogos são na realidade um meio de alta tecnologia e contemporâneo de ensinar. Tecnologia essa que foi aplicada para os funcionários da Tapmatic. De acordo com o diretor comercial da empresa, Walter Strebinger, os técnicos precisavam ter uma postura padrão e, por isso, a empresa buscou uma alternativa que, ao mesmo tempo em que agradasse a todos, trouxesse também motivação. Foram quatro horas de treinamento. “Com o término dessa ação, detectei mudanças na equipe como um todo, principalmente com relação ao crescimento individual de cada colaborador e motivação”, opina Strebinger que acredita que o processo foi só o começo e que ainda irá acompanhar outros resultados.

“Com o término dessa ação, detectei mudanças na equipe como um todo, principalmente com relação ao crescimento individual de cada colaborador e motivação” WALTER STREBINGER, DIRETOR COMERCIAL DA TAPMATIC

Usado para diagnosticar equipes

Potencializa equipes de vendas

Melhora performances dos líderes

Avalia o conhecimento das equipes

Usado para processos de Team Building (construção de times). •

Ferramenta que se adapta às novas gerações

 O BRAÇO DIREITO DO RH

O aumento da competitividade dentro do ambiente corporativo faz com que os profissionais precisem, cada vez mais, se destacar e mostrar que é possível transformar oportunidadesem negócios. Para o coach Fabiano Biajolli, os jogos permitem uma avaliação dinâmica do desempenho de quem se submete aos jogos. “O candidato ou o funcionário consegue ter um feedback mais preciso e real do desempenho, isso porque é possível ter mais clareza do que a empresa está querendo de cada um”, comenta Biajolli. O especialista explica ainda que a nova tecnologia é uma forma a mais para os departamentos de recrutamento e seleção filtrarem os candidatos a vagas estratégicas. Ao invés de modelos tradicionais como as velhas conhecidas dinâmicas, a alternativa pode ser o simulador de situações que cobram do profissional iniciativa de decisão e pensamento amplo e organizacional. “Essa é uma forma não só de encontrar novos talentos, como também de conseguir fazer com que eles recebam mais estímulo para que fiquem na empresa. No cenário de briga pelos melhores, sai na frente quem consegue reter os ‘tops’ de cada departamento”, analisa o coach.

“Em uma aula tradicional, ao chegar do meio ao final da mesma, os alunos já estão entediados e desinteressados. Nos treinamentos com jogos ocorre o oposto […]” FERNANDO ARBACHE, PRESIDENTE DA ARBACHE CONSULTORIA

TREINAMENTOS CONVENCIONAIS X JOGOS CORPORATIVOS

Você deve estar se perguntando: se os jogos corporativos são alternativas para os treinamentos convencionais, qual se destaca mais? Para o coach Fabiano Biajolli, tudo depende do público que vai ser atingido. “Quando falamos de profissionais mais novos, recém- formados e que já nasceram nesse mundo tecnológico, obviamente, vamos ter resultados mais efetivos. E não podemos descartar os métodos mais tradicionais para os profissionais que se dão melhor com opções mais conservadoras”, justifica. O executivo da Arbache Consultoria afirma que ao tornar os participantes ou alunos ativos no processo de aprendizagem, ou seja, participando intensivamente do processo de troca de informações, o interesse passa a ser maior. “Em uma aula tradicional, ao chegar do meio ao final da mesma, os alunos já estão entediados e desinteressados. Nos treinamentos com jogos ocorre o oposto. Com a ansiedade de compreender o desfecho do jogo, todos passam a aumentar sua atenção, com o intuito de ganhar”, compara Arbache que conclui: “Portanto, a adrenalina sobe e a atenção cresce simultaneamente, fazendo com que ele absorva até a última gota de aprendizado. Por esse motivo que um treinamento com jogos torna-se mais eficiente”. Para comprovar os resultados, um levantamento foi feito com participantes. O aluno ao ser submetido a uma aula tradicional e outro a um treinamento com jogos, com um mesmo aprendizado com oito horas de duração cada, mostra que a diferença de resultados é bastante expressiva. “Se dada uma prova exatamente igual para os dois participantes, sendo um no formato tradicional e outro com jogos, e os mesmos tinham, antes dos treinamentos, o mesmo nível conceitual, após o treinamento o aluno submetido ao treinamento com jogos absorveu em média 89% de toda a teoria repassada, enquanto o do treinamento tradicional 27%”, comenta Arbache. Segundo ele o participante do treinamento tradicional, em geral, sai com ideias a respeito das teorias repassadas, sendo necessárias revisões para fixação do conteú do, enquanto os que tiveram treinamento com jogos, por terem praticado a teoria, saíram com as informações fixadas em suas mentes e aderidas à lógica.

O PROCESSO

Apesar de lúdicos, os jogos, claro, não são para brincadeira. A performance de cada participante é medida de acordo 85 com os resultados obtidos pela empresa fictícia a qual ele gerencia. Ao final, tudo é observado, como as decisões tomadas, as atitudes perante situações, o processo de comunicação usado e o perfil de liderança aplicado. O retorno é, praticamente, imediato, garante o idealizador, uma vez que como as teorias saem do campo da suposição e entram no processo lógico do indivíduo, os mesmos passam a praticar, naturalmente, o que foi aprendido no treinamento. “É simples tangibilizar esse processo. Coloque duas pessoas, uma escutando a receita de um bolo e a outra praticando a produção. Qual no dia seguinte você acredita que fará o bolo com mais precisão?”, exemplifica.

NA PONTA DO LÁPIS

Criado por professores e pesquisadores especialistas em construção de simuladores empresarias, os jogos já foram aplicados em mais de quatro mil pessoas. Para quem quer investir nesse tipo de serviço, basta desembolsar, em média, dez mil reais por oito horas de um jogo pronto. “Para jogos customizados é necessário avaliar o nível de complexidade dos mesmos, podendo o investimento variar”, completa Fernando Arbache. A empresa também quer pegar carona no sucesso dos jogos já existentes para lançar um novo produto com foco nos brasileiros. Dessa vez a aposta será no desenvolvimento de um jogo exclusivo para treinamento de conceitos pertinentes a varejo, usando a base de dados do IBGE (POF e Pnad), Dieese e Ipea. A ideia é aproximar ao máximo do comportamento do País. Além disso, devem ser lançados ainda opções para tablets e smartphones.

CONHEÇA OS JOGOS CORPORATIVOS

FOOTBALL GAME: Tem o tema do jogo mais conhecido mundialmente, despertando a atenção e a motivação dos participantes, envolvendo a atenção, percepção, memória, raciocínio, imaginação, pensamento e linguagem. Não é necessário conhecer as regras do futebol. O jogo é lúdico e interativo e faz com que as pessoas assumam com rapidez os papéis nos quais lhes foram repassados, possibilitando melhorias no processo cognitivo.

WORD CAFÉ: O principal âmbito de influenciar a conversação colaborativa, capaz de gerar processos participativos e eficazes. O jogo é um processo de conversação que engloba uma metodologia inovadora e de ideias, por meio de conversa é gerado um link entre as pessoas que se movem entre os grupos, gerando ideias cruzadas, descobrindo- se novos insights sobre as questões, ou problemas, que são mais importantes nas empresas. O jogo é dividido em três grupos, cada grupo tem um líder, que permanece na mesa em todas as rodadas e o restante dos visitantes passam para a mesa seguinte em cada rodada, e assim o líder apresenta o macrotema para discutir.

FONTE: ARBACHE CONSULTORIA

Fernando Arbache

Fernando Arbache

Doutorando ITA. Mestre em Engenharia Industrial PUC/Rio. Independent Education Consultant working with MIT Professional Education. Graduado em Engenharia Civil, UFJF. Data and Models in Engineering, Science, and Business/MIT, Cambridge, MA (USA). Challenges of Leadership in Teams/MIT, Cambridge, MA (USA). Data Science: Data to Insights/MIT, Cambridge, MA (USA). AnyLogic Advanced Program of Simulation Modeling/Hampton, NJ (USA).: Educational Consultant working with MIT. Coordenador da FGV em cursos de Gestão (curso de MBA em Gestão das Casas Bahia). Professor FGV, nas cadeiras e Logística, Estatística, Gestão de Riscos e Sistemas de Informação. Professor da HSM Educação nas cadeiras e Logística e Estatística. Professor IBMEC, Professor concursado na FATEC/São José dos Campos. Obras: ARBACHE, F. Gestão da Logística, Distribuição e Trade Marketing. São Paulo: Ed. FGV, 2004. ARBACHE, F. Logística Empresarial. Rio de Janeiro: Ed. Petrobras, 2005. ARBACHE, A. P. e ARBACHE, F. Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos. São José do Rio Preto- SP: Raízes Gráfica e Editora, 2012. Pesquisa: Desenvolvimento de modelos de mapeamento de Competências Comportamentais e Técnicas, por meio de gamificação com uso de Inteligência Artificial, utilizando Deep Learning e Machine Learning (http://www.arbache.com/mobi). Desenvolvimento de pesquisa de modelos para geração de indicadores de aprendizados para inovação, assim como de competências essenciais para inovação (curva de aprendizado e gaps de competências) e obtenção de ROI (Return Over Investment). As pesquisas que estão em desenvolvimento, têm como hipótese que existem modelos inovadores, para mapeamento de aprendizado adaptativo, com o uso de inteligência artificial, para atendimento em empresa e pessoas. Esses indicadores estão em uso, em um dos maiores programas de inovação para o cooperativismo da América Latina, que é fruto de pesquisas realizadas, desenvolvido e concebido por minhas pesquisas (http://www.arbache.com/inovaccop). Atualmente são 75 cooperativas de diversas áreas de atuação e aproximadamente 500 participantes. Estudos acima impactam no desenvolvimento do conceito RH 4.0 ou RH de Precisão, assim como no entendimento do impacto da Gestão por competências em um ambiente de inovador. Desenvolvimento de Inteligências nos dados e métricas - Big data e precisão nas tomadas de decisões na gestão de pessoas. Com os elementos anteriores, estuda-se a estratégia de negócios e estoque de talentos - o que os números revelam para o sucesso nas organizações. Estatística e inteligência estratégica para negócios em ambientes inovadores. Experiência Profissional: CIO (Chief Innovations Officer) da empresa Arbache Innovations especializada em simulação, inovação com foro em HRTech e EduTech – empresa premiada no programa Conecta (http://conecta.cnt.org.br) como uma das 5 entre 500 startups mais inovadoras da América Latina. Empresa Acelerada pela Plug&Play (https://www.plugandplaytechcenter.com) em Sunnyvale, CA – Vale do Silício entre novembro e dezembro de 2018. Desenvolvimento de parceria com o MIT – Massachusetts Institute of Technology para cursos presenciais e digitais – http://www.arbache.com/mitpe, https://professional.mit.edu/programs/digital-plus-programs/who-we-work & https://professional.mit.edu/programs/international-programs/who-we-work

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