Jogos de Negócios

Jogos de Negócios Como Ferramenta de Diagnóstico de Equipes

ferramenta

O Brasil encontra-se em um veloz e estruturado crescimento econômico, que tem como consequência uma profunda mudança no comportamento de sua população.

Apenas para ilustrar, segundo o IBGE a soma total de vendas de veículos dos doze meses de 2010, foram de 3,33 milhões de unidades, representando um crescimento de 10,6% em relação aos 3,01 milhões negociados em 2009. Segundo estimativa do Ministério da Fazenda, em 2015, a estimativa é de que serão vendidos cinco milhões de unidades no País.

Este crescimento está diretamente ligado ao aumento de renda da população C e D, o que estimula o consumo de bens duráveis e bens de consumo que outrora estavam fora do objetivo destas classes sociais, devido a restrição orçamentária imposta pela reduzida renda.

Este consumo pode significar mudanças nos hábitos de consumo, porém ela também levará a uma nova postura e objetivos, por parte desta população.

Mais ambiciosas, as mesmas tendem a ter uma visão mais pragmática em relação ao seu trabalho, buscando associar não apenas sua sobrevivência, mas também a alcançar sua satisfação pessoal.

Se forem inseridas nesta análise as gerações denominadas de Y e Z, que possuem seus comportamentos mais complexos e dinâmicos, se comparadas as gerações anteriores, imporemos mais dinamismo às mudanças comportamentais e nos hábitos de consumo.

Este dinamismo está associado ao meio no qual este grupo de pessoas foram imersas em seu processo de amadurecimento como indivíduos, onde os mesmos foram submetidos a mídias mais interativas, com modelos de comunicação extremamente democráticos e acessíveis, permitindo sua modificação a cada minuto do dia.

A associação das mudanças econômicas, que trouxe acessibilidade a novas classes sociais, somadas à velocidade das novas gerações, vem criando uma população extremamente complexa de gerenciar.

Anteriormente obtinha-se modelos sistêmicos para gerenciar pessoas, pois as mudanças eram lentas e perceptíveis.

Atualmente os indivíduos são mais complexos, tendo uma linha de comportamento que pode vir a se diferenciar em períodos cada vez menores, impulsionados por realidades que vem sendo modificadas a cada novo acesso à uma rede social.

Os modelos antes sistêmicos e contínuos, necessitam tornar-se mais dinâmicos, para adequar-se a esta nova realidade.

Porém, como tornar um diagnóstico de equipe mais dinâmico?

Para que se possa compreender a forma que poderá ser implementada, passa a ser necessário compreender quais os meios de diagnósticos atualmente utilizados por grande parte das empresas.

Em geral a metodologia tradicional de diagnóstico a uma equipe se enquadra nas seguintes ferramentas:

  1. Entrevista
  2. Questionário
  3. Observação pessoal

Cada uma das ferramentas, acima descrita, estão estruturadas em metodologias desenvolvidas para ambientes que continham poucas mudanças, ou seja, extremamente lineares. Com a diversidade de informações disponíveis na internet, a respeito deste assunto, os três métodos podem ser influenciados por algum direcionamento que o entrevistado possa desejar, pois certamente já existem disponíveis na web, descrição de cada um destes mecanismos assim como os métodos para manipula-los.

Pode-se descrever sucintamente cada um dos métodos e seus eventuais problemas ao serem implementados.

Entrevista

Ao submeter uma pessoa ou um grupo de pessoas a uma entrevista, podemos garantir que os mesmos irão comportar-se naturalmente, mostrando suas reais naturezas e identidades? Seus comportamentos irão igualar-se aos de seu dia-a-dia? Toda vez que uma pessoa é submetida a uma entrevista, o mesmo, mesmo que não intencionalmente, irá comportar-se buscando proteger-se de um eventual problema. Este comportamento está diretamente ligado ao nosso instinto de defesa, direcionando a entrevista a um grande grau de desvio da realidade.

Questionário

O questionário faz com que o questionado o responda de forma direcionada e fria, pois deve-se lembrar que esta ferramenta é extremamente impessoal. Esta impessoalidade permite ao questionado raciocinar o que responder buscando tirar proveito próprio de uma determinada situação. Outro ponto que este modelo permite gerar é a falta de percepção comportamental, visto que o questionado não é observado através de todas as ferramentas neurolinguística. É importante lembrar que a Neurolinguística é a ciência que estuda a elaboração cerebral da linguagem falada e escrita, estudando os mecanismos do cérebro humano que suportam a compreensão, produção e conhecimento abstrato da língua, seja ela falada, escrita, ou assinalada. A Neurolinguística é utilizada por muitas empresas para aumentar a precisão da percepção de valor por parte das equipes diagnosticadas. Diante destes pontos anteriormente assinalados, pode-se concluir que há também uma probabilidade de perda de informação ao utilizar esta ferramenta.

Observação Pessoal

Esta é a prática que mais pode chegar a uma assertividade quanto às características das pessoas analisadas. Porém, para que a mesma seja realizada com precisão o observador tem que ter a prática e técnicas necessárias para registros estruturados e organizados. Outro ponto a ser observado é o ambiente onde os mesmos estão sendo observados, pois se não refletir o dia-a-dia das pessoas, certamente haverá perdas no comportamento, direcionando ao analista a erros, podendo prejudicar ou mesmo anular o resultado final.

 

Apesar da complexidade desta última ferramenta, ela pode ser a mais precisa e qualificada para os cenários em que se encontra o país e as empresas, diante de um dinamismo extremo de fatos, acontecimentos e desejos dos indivíduos.

É fato então que a observação só seria valida, obtendo comportamentos próximos aos reais, se o ambiente dos observados estivesse simulando sua rotina de trabalho.

Porém para viabilizar com perfeição um ambiente em que as pessoas emulem o seu dia-a-dia, seria necessário recriar estes processos, portanto fazê-los “vivenciar” algum momento que esteja inserido em seu cotidiano.

A forma mais próxima de aproximação do dia-a-dia de todos é o uso de “Jogos de Negócios”, pois o mesmo recria um ambiente negocial.

O Jogo de Negócios irá inserir às pessoas observadas em um cenário fictício, onde os mesmos irão criar e gerenciar empresas distintas, concorrendo em um mercado comum.

Para alcançar a vitória, os praticantes irão buscar à máxima performance fazendo-os utilizar táticas, estratégias, posturas, entre outras posições que utilizam em seu dia-a-dia, para a conquista do mercado. É neste momento que o observador conseguirá mapear com precisão quem são, “de fato”, os observados.

Alguns pontos devem ser mencionados ao avaliar o cenário atual do Brasil e as gerações os indivíduos que estão sendo observadas, que em geral se enquadra na Y.

Como ambas as condições remetem a mudança de postura contínua, tem-se com os Jogos de Negócios, associada a observação, uma ferramenta dinâmica, que analisará com precisão todos os comportamentos, pois este tipo de simulação trás a tona toda a performance dos observados.

Além da observação, obtém-se com os jogos de negócios o descritivo de como se portaram os grupos em cada uma das jogadas, o que fizeram, quais soluções, táticas e estratégias que foram tomadas pelas equipes, sendo estas inseridas no simulador e propiciando outra abordagem de observação que é a capacitação teórica dos observados. Pode-se obter-se assim o nível de instrução em relação a diversas teorias, como, por exemplo, conceitos matemáticos, marketing, financeiros, etc.

Conclusão

A Arbache vem aplicando jogos de negócios a mais de 10 anos, sendo eles utilizados para diagnosticar equipes, treinar pessoas e principalmente preparar aos colaboradores para cenários extremamente complexos como o s que o Brasil vem sendo inserido.

Os jogos quando aplicados, mostram-se com extrema precisão para determinar quem são os colaboradores, quais suas habilidades, quais as defasagens teóricas das equipes, como se comportam em momento de conflito, como é a postura ética dos indivíduos.

O Brasil irá crescer, as pessoas irão mudar, novas oportunidades irão surgir. Cabe então às empresas saberem se desejam ou não acompanhar os novos tempos, mantendo-se na vanguarda ou aplicando métodos que irão entregar nada mais do que um esboço da realidade.

Jogos de Negócios é a vanguarda do ensino aderente a um público que será a vanguarda das pessoas.

Fernando Arbache

Fernando Arbache

Doutorando ITA. Mestre em Engenharia Industrial PUC/Rio. Independent Education Consultant working with MIT Professional Education. Graduado em Engenharia Civil, UFJF. Data and Models in Engineering, Science, and Business/MIT, Cambridge, MA (USA). Challenges of Leadership in Teams/MIT, Cambridge, MA (USA). Data Science: Data to Insights/MIT, Cambridge, MA (USA). AnyLogic Advanced Program of Simulation Modeling/Hampton, NJ (USA).: Educational Consultant working with MIT. Coordenador da FGV em cursos de Gestão (curso de MBA em Gestão das Casas Bahia). Professor FGV, nas cadeiras e Logística, Estatística, Gestão de Riscos e Sistemas de Informação. Professor da HSM Educação nas cadeiras e Logística e Estatística. Professor IBMEC, Professor concursado na FATEC/São José dos Campos. Obras: ARBACHE, F. Gestão da Logística, Distribuição e Trade Marketing. São Paulo: Ed. FGV, 2004. ARBACHE, F. Logística Empresarial. Rio de Janeiro: Ed. Petrobras, 2005. ARBACHE, A. P. e ARBACHE, F. Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos. São José do Rio Preto- SP: Raízes Gráfica e Editora, 2012. Pesquisa: Desenvolvimento de modelos de mapeamento de Competências Comportamentais e Técnicas, por meio de gamificação com uso de Inteligência Artificial, utilizando Deep Learning e Machine Learning (http://www.arbache.com/mobi). Desenvolvimento de pesquisa de modelos para geração de indicadores de aprendizados para inovação, assim como de competências essenciais para inovação (curva de aprendizado e gaps de competências) e obtenção de ROI (Return Over Investment). As pesquisas que estão em desenvolvimento, têm como hipótese que existem modelos inovadores, para mapeamento de aprendizado adaptativo, com o uso de inteligência artificial, para atendimento em empresa e pessoas. Esses indicadores estão em uso, em um dos maiores programas de inovação para o cooperativismo da América Latina, que é fruto de pesquisas realizadas, desenvolvido e concebido por minhas pesquisas (http://www.arbache.com/inovaccop). Atualmente são 75 cooperativas de diversas áreas de atuação e aproximadamente 500 participantes. Estudos acima impactam no desenvolvimento do conceito RH 4.0 ou RH de Precisão, assim como no entendimento do impacto da Gestão por competências em um ambiente de inovador. Desenvolvimento de Inteligências nos dados e métricas - Big data e precisão nas tomadas de decisões na gestão de pessoas. Com os elementos anteriores, estuda-se a estratégia de negócios e estoque de talentos - o que os números revelam para o sucesso nas organizações. Estatística e inteligência estratégica para negócios em ambientes inovadores. Experiência Profissional: CIO (Chief Innovations Officer) da empresa Arbache Innovations especializada em simulação, inovação com foro em HRTech e EduTech – empresa premiada no programa Conecta (http://conecta.cnt.org.br) como uma das 5 entre 500 startups mais inovadoras da América Latina. Empresa Acelerada pela Plug&Play (https://www.plugandplaytechcenter.com) em Sunnyvale, CA – Vale do Silício entre novembro e dezembro de 2018. Desenvolvimento de parceria com o MIT – Massachusetts Institute of Technology para cursos presenciais e digitais – http://www.arbache.com/mitpe, https://professional.mit.edu/programs/digital-plus-programs/who-we-work & https://professional.mit.edu/programs/international-programs/who-we-work

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