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Histórias de carreiras femininas: desafios e oportunidades internacionais (Parte 1/4)

Escrever o prefácio de um livro é tanto uma grande honra quanto um desafio incrível. Quando Ana Paula Arbache, Rosaria Russo e Yumiko Watanabe me convidaram para escrever o prefácio do “Carreira Feminina”, um livro que apresenta as incríveis conquistas de mulheres com carreiras de sucesso no Brasil, que se destacaram na cultura predominantemente masculina do país, eu aceitei imediatamente.

Eu não previa que esse projeto me despertaria o desejo de escrever mais – no caso, essa série de artigos em quatro partes –, o que reflete as informações relevantes e importantes que eu pesquisei enquanto preparava o rascunho do prefácio do livro. A verdade é que quando se trata de mulheres na força de trabalho, quatro artigo não são suficientes.

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Eu não previa que esse projeto me despertaria o desejo de escrever mais – no caso, essa série de artigos em quatro partes –, o que reflete as informações relevantes e importantes que eu pesquisei enquanto preparava o rascunho do prefácio do livro. A verdade é que quando se trata de mulheres na força de trabalho, quatro artigo não são suficientes.

Esta primeira parte apresenta um panorama do livro “Carreira Feminina”. O segundo discutirá os terríveis efeitos econômicos das desigualdades de remuneração entre gêneros no Brasil e no mundo. O terceiro trará previsões de oportunidades e ameaças das crescentes e emergentes tecnologias da Quarta Revolução Industrial, relacionadas à carreira feminina. O quarto artigo, por fim, discutirá os efeitos deletérios da desigualdade salarial entre homens e mulheres no mundo.

Compartilhando lições aprendidas em minha posição no MIT Professional Education, cada artigo destacará o papel crítico e cada vez mais significante da educação online no empoderamento e fortalecimento da carreira feminina.

Por um lado, as histórias compartilhadas por essas mulheres me impulsionaram a redobrar meus esforços pessoais e profissionais para recrutar, apoiar e promover mulheres no mercado de trabalho no Brasil e no mundo. Por outro, suas histórias me trouxeram frustrações. Enerva-me saber que mulheres continuam sendo confrontadas com obstáculos que seus colegas homens deliberadamente colocam em suas trajetórias profissionais ou fazem muito pouco para remover. Isso não necessariamente me torna feminista. Como as mulheres descritas e apresentadas no livro “Carreira Feminina”, eu sou uma realista.

Muitas leitoras vão reconhecer os obstáculos que essas mulheres enfrentaram. Leitores homens vão, espero, solidarizar-se com elas e os desafios com os quais foram confrontadas e compreender porque superar essa barreira invisível* requer grandes esforços de todos nós.

Cada mulher que contribuiu descreve poderosamente e compartilha um desafio que enfrentou em sua vida profissional, gerando aprendizado prático, poderoso e persuasivo para líderes. Os temas dos capítulos incluem: 

– Falta de reconhecimento
– Escolha de carreira
– Realinhamento de carreira
– Vida pessoal X Vida profissional
– A luta pelo direito à educação
– Igualdade salarial e a barreira invisível
– Reinvenção da carreira
– Machismo

A maioria dessas histórias pode descrever o drama das mulheres no mundo, ainda que as mulheres enfrentem desafios diferentes de acordo com o lugar onde vivem e o seu segmento de atuação.

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O desafio citado consistentemente por essas mulheres é o tratamento desigual no trabalho. Suas observações subjetivas estão alinhadas às conclusões objetivas da pesquisa anual do Fórum Econômico Mundial realizada entre executivos. Em economias em desenvolvimento, mulheres executivas frequentemente mencionam tratamento desigual no trabalho, seguido da falta de cuidado acessível para os filhos e os pais. Apenas em economias desenvolvidas a desigualdade salarial aparece próxima do topo da lista (na parte 4 desta série você descobrirá os efeitos econômicos danosos da consistente e contínua desigualdade salarial de gênero).

Enquanto mulheres em todo o mundo no século passado conquistaram e ganharam direitos dentro e fora do ambiente de trabalho, as histórias do livro “Carreira Feminina” mostram que as mulheres no Brasil (e de facto em outras nações) ainda enfrentam barreiras significativas. As histórias relevam ainda um crescente movimento organizado e politicamente forte de mulheres, apoiado por mulheres e homens. Esse movimento é parcialmente alimentado pela crescente disponibilidade e acessibilidade de educação online de alta qualidade – um setor que vem florescendo e no qual o MIT Professional Education desempenha papel de liderança.

Desde sua concepção, há mais de 70 anos, o escritório do MIT Professional Education – fundado sob a maior escola do MIT (a Escola de Engenharia) – se aproveitou das décadas de proximidade do MIT com a ciência e a engenharia profissional. O MIT Professional Education criou, ofereceu e implementou cursos online sobre centenas de temas. Somado ao aprendizado de habilidades valiosas e à obtenção de credenciais igualmente valiosas, os estudantes que completam nossos cursos entram a uma rede global de profissionais semelhantes. O aspecto do networking é especialmente significativo para mulheres.

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Reconhecendo e respondendo aos anseios globais por aprendizagem avançada, o MIT Professional Education recentemente começou a oferecer cursos em português (idioma falado por mais de 250 milhões de pessoas em todo o mundo) e espanhol (mais de 538 milhões de pessoas). Esses cursos incluem:

Liderança na Inovação
Transformação Digital: Tecnologias e suas aplicações práticas
Cultural Awareness: Relações internacionais em negócios globais

Esses e outros cursos formam o núcleo do Programa de Certificado Profissional em Transformação Digital do MIT Professional Education. Ofertado de forma inteiramente online, o programa, graças à sua viabilidade financeira, acessibilidade e relativa baixa carga de dedicação semanal (8h a 10h), atrai profissionais mulheres e homens das Américas do Sul e Central, Europa, Sudeste Asiático e América do Norte. O próximo ciclo está tendo início agora, em fevereiro de 2021.

O prefácio que escrevi assume um tom moderadamente otimista. As histórias do livro “Carreira Feminina” oferecem lições para todos os profissionais, independentemente de gênero, segmento de atuação ou estágio de carreira. Nós podemos aprender com suas experiências a identificar e superar obstáculos que inevitavelmente surgem durante nossas carreiras.

Nota: O HubMulher, organização que reuniu as histórias e lançou o livro “Carreira Feminina”, foi fundado em 2018 por Ana Paula Arbache, sócia-fundadora da Arbache Innovations, como uma extansão da página de empoderamento feminino Mundo Melhor, da Arbache Innovations. Os membros do coletivo incluem executivas de variadas indústrias e posições, bem como acadêmicas de escolas de negócios e universidades brasileiras. Todas nós compartilhamos a meta de promover oportunidades para mulheres na sociedade brasileira.

* No original, “Breaking the glass ceiling” (“quebrar o teto de vidro”, em tradução literal), uma metáfora da língua inglesa para a barreira invisível, sistêmica e discriminatória que impede alguns grupos de pessoas de alcançar cargos de liderança e executivos, ainda que tenham competência e capacidade de assumir essas posições em suas carreiras.

Os artigos desta série foram escritos por Clara Piloto. Conheça mais sobre a autora:

Clara Piloto tem ampla experiência em treinamento e desenvolvimento de força de trabalho, andragogia, educação executiva e profissional e ensino superior. Clara é Diretora de Programas Globais e Diretora de Programas “Digital Plus” do MIT Professional Education. Ela fundou e lidera com sucesso a expansão dos programas multilingues e online do MIT e da comunidade global de lifelong learning. Clara é uma defensora da DEIB (diversidade, equidade, inclusão e pertencimento), bem como da pedagogia socialmente direcionada, da competência cultural e da equidade e igualdade de gênero. Seu trabalho se concentra na expansão do acesso à aprendizagem online por meio da eliminação do mundo físico e das barreiras linguísticas . Sua dedicação a essa missão foi recentemente reconhecida pelo prêmio “Hipatia Award in Business and Science”, do jornal espanhol El Economista, especificamente por seus esforços em reduzir a lacuna de gênero em STEM (Ciência, Tecnologia, Engenharia e Matemática) para mulheres de língua espanhola em todo o mundo. Para saber mais sobre o trabalho internacional de Clara Piloto no Massachusetts Institute of Technology, entre em contato com ela pelo LinkedIn: https://www.linkedin.com/in/clarapiloto/.

Para mais informações sobre o novo portfólio de cursos online em português de Clara Piloto, acesse: https://professionalprograms.mit.edu/pt-pt/. Ela vem trabalhando para expandir e compartilhar o conhecimento e a experiência do MIT nas habilidades técnicas e humanas. Essa expansão é especialmente necessária para que a revolução digital que está ocorrendo no Brasil atenda às necessidades do trabalho do futuro, da indústria 4.0 e da transformação digital global. As mulheres em todo o mundo, especialmente no Brasil, estão ficando para trás. Os empregadores não podem confiar no mercado de trabalho tradicional para preencher as lacunas digitais em suas organizações. O investimento em treinamento abrangente e cuidadosamente direcionado em tecnologias digitais dará às mulheres e aos homens com empregos em situação de risco habilidades valiosas e oferecerá aos trabalhadores fora do mercado de trabalho uma maneira prática de retornar a ele. Uma força de trabalho equilibrada e justa apoiará as organizações brasileiras e terá sucesso na era digital de hoje. Junte-se à Nação MIT para tornar o mundo um lugar melhor para todos e todas.