Empreendedorismo e Inovação Sustentabilidade

A Dra. Profa. Ana Paula Arbache Concede Entrevista Ao Valor Econômico: Gestão Consciente É Pilar Do Negócio

pilar

Reportagem concedida pela Dra. Profa. Ana Paula Arbache ao Jornal Valor Econômico em 20 de dezembro de 2012.

Por Jacilo Saraiva

Ana Paula Bastos Arbache: “Há um movimento cada vez maior de comprometimento entre as relações de negócios”

Doutora em educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP) e integrante de comitês de sustentabilidade corporativa, a consultora Ana Paula Bastos Arbache acaba de lançar, ao lado do marido, o professor Fernando Saba Arbache, o terceiro livro de uma série sobre o tema, que organiza desde 2010. “Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos” (Raízes/Arbache) traz estudos feitos em áreas como ética e meio ambiente. “O objetivo é fazer com que as pesquisas gerem ideias para profissionais e empresas.”

Na entrevista ao Valor, Ana Paula fala sobre as iniciativas de sustentabilidade mais comuns entre os pequenos e médios negócios e qual o papel do empreendedor na disseminação de ações sustentáveis. “O gestor da empresa deve enxergar esses projetos como alavancadores de lucro, tanto para economizar insumos, como para reter talentos, graças à boa reputação que vai conquistar no mercado.”

Valor: Qual a importância das pequenas empresas no movimento sustentável?

Ana Paula Bastos Arbache: Por terem estruturas organizacionais mais flexíveis e cultura participativa, elas podem agregar escolhas sustentáveis mais rapidamente. O tamanho das empresas pode ser o maior aliado nesse movimento, mas isso depende do estilo de liderança que a companhia possui.

Valor: Por que o pequeno empresário deve se preocupar com esse tema?

Ana Paula: Há um movimento cada vez maior de comprometimento entre as relações de negócios. Ele precisa perceber que faz parte de uma cadeia. A empresa vai fornecer para grandes companhias e, por isso, deve estar alinhada aos preceitos dos parceiros. Se o cliente vende roupas para uma grande loja de vestuário, o empresário não pode ter operários em situação de trabalho degradante. O mesmo acontece se entregar alimentos para uma grande rede sem estar atento aos danos que a sua produção faz no meio ambiente. O cliente pode rastrear o produto em questão, identificar as irregularidades e eliminar a empresa da lista de fornecedores.

Valor: O que os pequenos negócios podem fazer para investir mais em sustentabilidade?

Ana Paula: Tive a oportunidade de visitar pequenas e grandes empresas na Alemanha e na Suécia. Mesmo com as diferenças contextuais, é possível aprender com quem já pratica sustentabilidade no cotidiano. Lá, as pequenas companhias já nascem estruturadas para gerar o menor impacto possível no meio ambiente, desde a construção até a política de descarte da produção. Tudo é pensado para adequar o processo produtivo às diretrizes do desenvolvimento sustentável e, no final, ainda ter lucro com esse processo. Há uma rede colaborativa bem organizada, capaz de dar suporte aos pequenos empresários. No Brasil, precisamos nos unir a cooperativas, ONGs e outros empreendedores para realizar uma gestão de sustentabilidade. Isso não é impossível, mas é preciso fazer um esforço inicial maior, para que a pequena empresa possa estar adequada a essa demanda planetária. Quando se investe na realização de uma gestão de negócios sustentável, isso deve ser a coluna vertebral do negócio. A partir dela, pensa-se nos fornecedores e no treinamento de pessoas aptas a entender o que é a sustentabilidade para, assim, trabalharem a favor dela.

Valor: Quais as práticas de sustentabilidade mais comuns entre as pequenas empresas brasileiras?

Ana Paula: Ainda temos um nível de maturidade baixo em relação à implantação de uma gestão de sustentabilidade nos pequenos negócios. No entanto, com a chegada de jovens líderes empreendedores, ela tem deixado de ser um acessório para se tornar parte principal dos planos de negócio. Há empresas que já nascem com esse comprometimento. Algumas ações fazem parte dessa realidade, como a adequação de ambientes para gerar uma maior eficiência energética, consumo eficiente de água, alinhamento do processo produtivo a preceitos éticos, sociais e ambientais, além da seleção de fornecedores que seguem os mesmos parâmetros. Pequenas empresas em áreas rurais já contam com uma rede colaborativa para se tornar mais sustentáveis, com cooperativas e institutos de pesquisa que oferecem suporte para os agricultores produzirem mais alimentos com um menor impacto ambiental e social.

Valor: Como adotar essas práticas com mais facilidade? Não é caro fazer tudo isso?

Ana Paula: Não, mas é preciso um planejamento para que a gestão de sustentabilidade não passe de um mero acessório na empresa e, ao invés de dar lucro, gere prejuízo. Pode-se começar com um pequeno investimento, por exemplo, na redução do uso de energia no processo produtivo, na seleção de fornecedores ou até na logística mais enxuta. Mesmo com poucos colaboradores, pode-se elaborar um código de conduta e traçar responsabilidades. O controle dessas atividades passa pelo gestor, que deve enxergá-las como alavancadoras de lucro, tanto na economia de insumos, como na capacidade de captar e reter talentos.

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação pela PUC-SP. Mestre em Educação pela UFRJ. Certificada pelo Massachusetts Institute of Technology/MIT- Challenges of Leadership in Teams (2015), Leading Innovative Teams (2018). Docente dos cursos de MBA e Pós MBA da Fundação Getúlio Vargas. Orientadora e avaliadora de trabalhos de pós-graduação. Sócia Diretora da Arbache Innovtions, responsável pelas ações de Gestão de Pessoas, Liderança, Governança Corporativa, Sustentabilidade Ética, Social e Ambiental e Elaboração e Aplicação Jogos de Negócios. Pesquisadora e autora das obras: A Educação de Jovens e Adultos Numa Perspectiva Multicultural Crítica (2001), Projetos Sustentáveis Estudos e Práticas Brasileiras (2010), Projetos Sustentáveis: Estudos e Práticas Brasileiras II (2011), Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos (2012), A crise e o impacto na carreira (2015), O RH Transformando a Gestão – Org. (2018). Certificação em Coaching e Mentoring de Carreira para Executivos. Mentora do Capítulo PMI/SP. Curadora e Colunista do blog arbache.com/blog e Página Mundo Melhor de Empoderamento Feminino Arbache innovations. Fundadora do Coletivo HubMulheres. Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

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