Empreendedorismo Inovação

GE mudou a forma como 300 mil trabalham. Por quê?

Os funcionários da GE, fundada em 1892 em Nova York, foram transferidos do escritório localizado em Fairfield, cidade onde a GE está instalada desde 1974, no interior do estado de Connecticut, uma cidade com 60 000 habitantes, localizada na região da Nova Inglaterra, para Boston outra cidade também localizada na região da nova Inglaterra. O objetivo é estar próximo às mais notórias universidades do planeta, entre elas o Instituto de Tecnologia de Massachusetts (MIT). Esta mudança estará completa até o início de 2019. O objetivo é tornar a companhia mais jovem e inovadora, deixando-a próxima ao um fluxo intenso de ideias e criatividade.

A GE deixa para trás uma etapa relevante de existência como um dos maiores e mais bem-sucedidos e diversificados conglomerados industriais do mundo. Com faturamento de 123 bilhões de dólares em 2016 a GE tornou-se a 13a maior companhia norte americana. Em Connecticut a empresa viveu a era Jack Welch, um dos mais lendário e bem-sucedidos executivo da empresa que ficou em seu comando de 1981 a 2001. Esta não é a primeira transição da GE, muitas ocorreram ao longo de sua história. A GE é uma das empresas mais relevantes do mundo, começando a sua história vendendo as primeiras lâmpadas criadas por Thomas Edison há 125 anos. Hoje a empresa vende de turbinas de avião a locomotivas. Ao longo dos mais de um século de existência, a empresa foi a encarnação do espírito empreendedor dos Norte Americanos, aventurando-se em diversos setores, construindo máquinas, motores, sistemas elétricos, entre outros, com alta qualidade e em muitos casos, inovadores.

O DNA de produzir motores, no entanto, está sendo deixado para trás, como um dos direcionadores da empresa. Ao invés de fabricar unicamente bens físicos, feitos de graxa e parafusos, irá agregar a sua linha de produção sistemas de gestão da informação, baseando-se em muita tecnologia, mostrando o sentido pelo qual está aproximando-se do MIT. A “nova GE” transfora-se, portanto, uma empresa digital, desenvolvedora de um sistema operacional semelhante ao Android, do Google, ou do iOS, da Apple, denominado de Predix. O sistema dará suporte, por exemplo, à Internet das Coisas[1], permitindo que sua plataforma seja capaz de interligar equipamentos transformando-se em uma espécie de central de gerenciamento e controle. A tecnologia permitirá, por exemplo, antecipar o momento correto de fazer a manutenção de uma turbina ou em motores, antecipando problemas como o de fadiga em seus componentes, permitindo ações precisas de prevenção, evitando desastres ou paradas de produção repentina. A sofisticação do sistema permitirá ainda que uma central de controle analise e gerencie, por exemplo, a velocidade de locomotivas ao longo de seu trajeto, reduzindo consumo de combustível, sem aumentar o tempo de translado.

O IOT, segundo a Boston Consulting Group, irá gerar ao longo dos próximos anos um mercado gigantesco, onde estima-se que até 2020, esta tecnologia deverá gerar receitas de aproximadamente 260 bilhões de dólares por ano. Esta receita, se realimente ocorrer, será de aproximadamente 60% maior do que o registrado em 2015. Seguindo os mesmos passos, em 2016, a alemã Siemens, concorrente da GE, anunciou que irá criar um sistema semelhante, denominado de Mind-Sphere.

A GE, que já investiu 7 bilhões neste projeto, está implementando uma nova divisão, com sede na Califórnia, para cuidar exclusivamente dessa tecnologia. O comando desta nova unidade é de um ex-executivo de outra gigante da tecnologia, a Cisco.

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 Segundo Immelt, presidente do conselho da GE há 16 anos, trata-se de uma das maiores transformações da empresa centenária

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A GE busca incessantemente transformar-se e atualizar-se antes que ela sucumba à inovação, que vem mudando o mundo. Segundo a Fortune de 2000, metade das empresas que constavam da lista das 500 maiores dos Estados Unidos não existem mais. O risco continua eminente, considerando que a GE é a única sobrevivente das empresas que abriram o capital na Dow Jones, que constavam na primeira lista do Índice Industrial, com as maiores empresas Norte Americanas de 1896. Em 2000, foi a companhia mais valorizada na bolsa americana, a partir daí teve perda de 29% de seu valor, enquanto o índice das 500 maiores do Standard & Poors de tecnologia, mais que dobrou. Atualmente continua entre as 15 maiores, com valor de mercado em torno de 220 bilhões de dólares. Se comparada a Apple, que vale 840 bilhões de dólares, somados ao valor de marca da maça de 184 bilhões, o valor da GE representa ínfimos 22% da marca da gigante de Cupertino. A Apple foi fundada em 1 de abril de 1976, enquanto a GE em 1892. Essa diferença de idade, a princípio poderia sugerir culturas totalmente distintas, porém a GE busca rejuvenescer sua estrutura de agir e pensar, buscando aproximar-se de empresas exponenciais, como a Apple.

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A GE é a parceira ideal, com uma rica história de inovação em todo o mundo industrial em áreas como aviação, manufatura, saúde e energia. Juntas, Apple e GE estão mudando fundamentalmente o funcionamento do mundo industrial, aliando a plataforma Predix da GE com o poder e a simplicidade do iPhone e do iPad.

Tim Cook, CEO da Apple.

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Em 18 de Outubro de 2017 a Apple e a GE anunciaram um acordo para criar aplicativos “industriais” utilizando o iOS, sistema operacional da maça. As empresas anunciaram um novo kit de desenvolvimento de software (denominado de SDK – Software Development Kit) para o Predix. O objetivo é ajudar na criação de aplicativos industriais focados na “internet das coisas” (Internet of Things, ou IoT). Estes aplicativos irão controlar, elevadores, motores a jato, equipamento para refinarias de petróleo, entre outros, que poderão ser controlados por meio de iPhone ou iPad, que irá agilizar e muito o trabalho de operários, gestores, controladores, etc. A GE em conjunto com a Apple, desenvolverá aplicativos tanto para uso interno e para seus clientes, tornando iPhones, iPads e Macs padrão para a equipe global de mais de 330 mil empregados da GE. A Apple, por sua vez, promoverá a Predix da GE como a plataforma de aplicativos industriais para seus clientes e desenvolvedores.

Desde 2000, a GE sofreu diversos reveses, como o ataque terrorista de 11 de setembro de 2001 afetou as divisões de aviação que produzia turbinas, além da área de resseguro. Sofreu também para sobreviver à quebra do mercado financeiro em 2008. Em 2011 a GE havia perdido 60% de seu valor de mercado. Para sobreviver, a partir de 2011, a GE vendeu a divisão de mídia e entretenimento NBC para a americana Comcast, a de eletrodomésticos à chinesa Haier, além de fatiar a GE Capital, seu braço financeiro, para diversos compradores. O foco da GE é fortalecer as unidades da empresa com serviços digitais.

A GE transformou-se em um exemplo de desconstrução. A ideia é fazer com que a empresa com quase 300 000 funcionários, espalhados por 175 países funcione como uma startup, ou seja, rápida e crítica e sem medo de errar. Essa nova visão é um contraste dos anos 90, onde a metodologia Seis Sigma foi implantada para que a empresa alcançasse erro zero. Agora o foco da GE passa a ser experimentação. Antes o objetivo era evitar falhas a todo custo e agora, é permitir que as falhas levem a ideias novas. Este novo modelo é inspirado nas startups do Vale do Silício. Com o nome FastWorks, o novo modelo de gestão aplica técnicas de manufatura enxuta ao jeito de operar das startups. Além da cultura da perfeição, a nova mentalidade ceifou outros ícones históricos da empresa. Funcionários que trabalhavam a décadas na GE, que não se enquadraram no novo modelo de negócios, foram desligados da empresa. A mentalidade e a cultura organizacional da empresa são fundamentais para permitir essa nova era da GE.

Cultura de experimentação

A tecnologia digital é um modelo de negócios. Não dá para avançar nisso sem uma cultura mais ágil. Ser mais simples é um fator crítico para o sucesso. O desejo de ser uma empresa digital está alinhado com o desejo de ter uma empresa mais simples. Mais rápida. A cultura nunca é uma discussão estática. É uma discussão dinâmica.

Jeffrey Immelt, presidente do conselho de administração da GE

 


[1] A Internet das Coisas (do inglês, Internet of Things) ou simplesmente IOT, é uma rede de objetos físicos, veículos, prédios e outros que possuem sensores, que permite conexão com rede capaz de coletar e transmitir dados, possibilitando que o objeto seja monitorado a distância.

Fernando Arbache

Formação: Graduado em Engenharia Civil, ufjf, Especialização em Curso de Análise, Projeto e Gerência de Sistemas, Mestre em Engenharia Industrial PUC/Rio. Doutorado em Sistemas de Informação – COPPE/UFRJ. Data and Models in Engineering, Science, and Business/MIT, Cambridge, MA (USA). AnyLogic Advanced Program of Simulation Modeling/Hampton, NJ (USA). Pesquisa em desenvolvimento de Infraestrutura Aeronáutica – ITA. Pesquisa em desenvolvimento de Aeroportos – ITA. Experiência Acadêmica: Coordenador da FGV em cursos de Gestão (curso de MBA em Gestão das Casas Bahia). Professor BSP nas cadeiras e Logística e Sistemas de Informação. Professor da Fundação Getúlio Vargas/São Paulo nas cadeiras e Logística e Sistemas de Informação. Professor da HSM Educação. Professor IBMEC nas cadeiras de Logística e Administração de Projetos. Professor do Alto comando da Marinha de Guerra Brasileira nas cadeiras de Logística e Sistemas de Informação. Professor da pós-graduação do IME (Instituto Militar de Engenharia). Professor Fundação Dom Cabral – Jogos de Negócios e Logística. Professor concursado na FATEC/São José dos Campos – Estatística Aplicada e Jogos de Negócios. Livros escritos: ARBACHE, F. Gestão da Logística, Distribuição e Trade Marketing. São Paulo: Ed. FGV, 2004. ARBACHE, F. Logística Empresarial. Rio de Janeiro: Ed. Petrobras, 2005. ARBACHE, A. P. e ARBACHE, F. Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos. São José do Rio Preto- SP: Raízes Gráfica e Editora, 2012. Experiência Profissional: Atual Sócio-Diretor das empresas: Arbache Tecnologia Educacional (http://www.arbache.com). Jogos de Negócios para clientes como: Vale (I. Desenvolvimento de Jogos de Negócios, para gerenciamento de Risco Ferroviário – com enfoque em Saúde e Segurança. II. Desenvolvimento de Jogos de Negócios para capacitar aos gestores a compreenderem a visão holística de toda a cadeia de valor da empresa no Brasil e em Moçambique), Ecorodovias (desenvolvimento do Simulador do Pedágio – treinamento dos operadores de cabine de pedágio, para aceleração do conhecimento a respeito da operação de pedágio).

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