Estratégia

Fatores Decisivos no Processo de Inovação das Empresas

10 Fatores Decisivos no processo de Compra

A competição mercadológica impõe às empresas severas condições para a chegada ao sucesso. Inovação tem sido a grande força impulsionadora e a geradora de energia necessária para assegurar fôlego nessa corrida. Por que inovar? Por duas razões bastante óbvias – o crescente acirramento da concorrência e a exigência do cliente. A inovação é a forma mais original de uma empresa diferenciar sua oferta, criando valor interessante ao cliente. Em estratégia, isso é decisivo, porque mantém a empresa atualizada e reduz o stress da concorrência por preço, por último, ajuda a manter a longevidade da organização, preserva sua participação de mercado, mantém preço e margem do negócio.

Segundo Ringel, Taylor e Zablit (2016), dez anos de estudo da BCG (Boston Consulting Group), confirmam que a inovação continua a crescer de importância, entre as organizações, independentemente da persistente crise econômica que o planeta vive. Em seus estudos de 2015, a BCG constatou que o tema inovação é prioridade para 79% dos executivos-chefes entrevistados. O ranking desse mesmo ano, é liderado por Apple e Google, entretanto, entre as dez primeiras colocadas, cinco não são convencionalmente classificadas no setor de tecnologia, são elas – Tesla Motors, Toyota, BMW, Gilead e Daimler. Já, no grupo das cinquenta maiores, 76% não pertencem ao setor de tecnologia. Isso nos chama atenção a um ponto muito importante – a inovação está em todos os lugares, a tecnologia seja talvez a ponta mais visível desse processo, entretanto, está longe de ser a única.

__________________________________

A consultoria norte-americana BCG constatou que o tema inovação é prioridade para 79% dos executivos-chefes de grandes organizações

__________________________________

Ainda, segundo esse estudo da BCG, quatro fatores são determinantes para o sucesso no processo de inovação – ênfase em velocidade; eficácia em pesquisa e desenvolvimento (P&D); uso de plataformas tecnológicas e exploração de oportunidade em mercados adjacentes. Ciência e tecnologia constituem a base dos quatro fatores, que são inter-relacionados, complementares e difíceis de examiná-los separadamente. Considerando o PRIMEIRO FATOR – ênfase em velocidade, a Zara, varejista espanhola de moda (fast fashion) é um exemplo perfeito. O processo de desenvolvimento, produção e distribuição de novos produtos, que leva meses no varejo tradicional da moda, na Zara, não vai além de alguns dias a quatro semanas. A lógica fundamental diz que o produto que chega ceda à loja tem menos concorrentes e mais tempo antes de tornar-se commodity e, começar a perder preço e margem. Isso confirma o sucesso da varejista espanhola, apesar da presente crise mundial.

O SEGUNDO FATOR – eficácia em pesquisa e desenvolvimento (P&D), demonstra que entender os aspectos inovadores, de valor, considerados pelo cliente, é fundamental para racionalização de custo e tempo de resposta. Pesquisa e desenvolvimento são as ferramentas certas nesse caminho. Elas ajudam entregar o produto correto para o cliente certo.

O TERCEIRO FATOR determinante no processo de inovação é o uso de plataformas tecnológicas. O avanço dessas plataformas, seguido de perto por big data analytics foram apontados pelo mesmo estudo da BCG, em 2015, como os mais importantes no processo de inovação. Mais da metade dos pesquisados seguem esse caminho. A GE, por exemplo, usou a tecnologia 3D para reduzir custos da produção de transdutores de ultrassom, ganhando mais eficiência e flexibilidade. Agora, a GE também pesquisa como a impressão 3D pode ser empregada em outras áreas, incluindo a produção de peças para motores a jato.

Por último, o QUARTO FATOR – foco em mercados adjacentes, trata-se de uma estratégia saudável, entretanto difícil para a maioria das empresas maduras, que podem ser vítimas de uma operação equivocadamente focada na promoção de crescimento do negócio principal. De acordo com Ringel, Taylor e Zablit (2016), há cinco formas de expandir para mercados adjacentes: primeiro, explorar o crescimento em torno da demanda, significa entregar produtos que atendam perfis específicos de clientes não satisfeitos plenamente pelo produto principal; segundo, cultivar uma nova organização com novo talento, isso compreende criar uma equipe própria para fazer desenvolvimento a partir da inovação, a rotina do dia a dia pode matar a iniciativa; terceiro, adotar governança separada, a gestão precisa ter autonomia para ser capaz de identificar riscos, fazer escolhas e alocar recursos nas melhores ideias; quarto, adotar abordagem experimental, nas adjacências, as chances de fracasso são altas, portanto, a cultura da cautela e da experimentação deve ser bem trabalhada; quinto, construir os facilitadores culturais corretos, nesse caso, a difusão da cultura do longo prazo faz-se importante para a organização aceitar o risco da inovação e entender o valor das novas fontes de crescimento. Deve-se evitar a tendência de migrar para produtos e serviços similares aos tradicionais, isso coloca em risco a construção de novos valores culturais, necessários para promover a real inovação à oportunidade adjacente.

__________________________________

Entender quais aspectos inovadores de valor são considerados pelo cliente, é fundamental para o sucesso na inovação

__________________________________

Ainda que a empresa não esteja atenta e perca o timing certo da mudança, em muitos casos, há chance de recuperação da situação e muitas vezes aquela oportunidade que seria adjacente pode transformar-se em negócio principal da empresa.

A Kodak, fabricante de câmeras fotográficas tradicionais (reprodução de imagem por filme), líder mundial do setor, é um exemplo vivo e atual disso. A empresa quase desapareceu, após deixar as concorrentes Sony e Canon, em 1981 e 1984, respectivamente, lançarem suas revolucionárias câmeras fotográficas digitais. Após, amargar três décadas de encolhimento, sucessivos anos de prejuízos e enfrentar uma concordata em 2012, hoje superada, a Kodak nos dá o testemunho do poder da inovação. Em 2013, a empresa inicia um grande processo de sua reinvenção, lançando no mercado sua nova linha de produtos, scanners, softwares, sistema de digitalização de imagens e microfilmagem, sob a marca Kodak Alaris, divisão da empresa impulsionada pela necessidade da captura de documento corporativo e gestão de tráfego da informação. São dispositivos que apresentam soluções inteligentes com capacidade para digitalizar até 400 imagens por minuto, que reconstroem imagens já bem danificadas. Em apenas três anos, a Kodak Alaris, tornou-se líder na América Latina, inclusive no Brasil, com mais de 50% de participação no mercado de scanners. Hoje, presente na América Latina, nos Estados Unidos, na Ásia e na Europa, com faturamento anual de cerca de US$ 1,2 bilhaão (GRANDO, 2016:96).

Referência Bibliográfica

GRANDO, Vanilda. A Kodak Alaris vai bem, obrigada. HSM Management, São Paulo, nº. 115, p. 96, Mar./Abr., 2016.

RINGEL, Michael; TAYLOR, Andrew; ZABLIT,Hadi. O que as mais inovadoras têm? HSM Management, São Paulo, nº. 115, p. 72-81, Mar./Abr., 2016.