Empreendedorismo Inovação

Empreender na crise: desafios, oportunidades e inovação

desafios de empreender na crise

Momentos de instabilidade como esse que estamos vivendo, geram uma série de inseguranças em relação à sobrevivência das empresas. Afinal, até que ponto é possível empreender na crise? Quais são os riscos? De que forma é possível superar as adversidades do momento? 

Não há como escapar dos efeitos que toda essa situação vai causar, e já está causando, na economia mundial. Mas isso não significa que você deva estagnar, muito pelo contrário. 

Momentos de crise exigem adaptabilidade, é preciso se movimentar. Aqueles que ficarem parados, só observando o momento passar, muito provavelmente, serão deixados para trás. 

O texto a seguir tem objetivo de gerar reflexão a respeito dos principais desafios, oportunidades que estão envolvidos na ação de empreender na crise. Confira! 

O cenário econômico atual 

Primeiramente se faz necessário uma breve contextualização do cenário atual. Estamos passando por uma pandemia de proporções globais, a pior já vista nos últimos 100 anos. 

A principal recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) para contermos a disseminação do coronavírus é o isolamento social. Com isso, uma outra vertente surge como agravante da situação, que são os impactos que essa restrição vai causar na economia mundial. 

Um estudo realizado pela Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento (UNCTAD), previu que essa crise pode causar um impacto na economia global de até R$ 10 trilhões neste ano. 

A grande maioria dos negócios já estão vendo suas receitas despencarem, alguns inclusive já tiveram que fechar as portas. Essa certa ruptura de movimentação na economia ainda promete causar muitos transtornos para as empresas. 

Afinal, é possível empreender na crise? 

A forma como os negócio vão reagir à crise será crucial para ditar quem vai sobreviver ou não ao período. E, como dito acima, a chave da questão para superar as adversidades é adaptabilidade. 

É preciso reagir o quanto antes, de forma a minimizar os impactos causados pela crise econômica. A situação alterou nossa forma de viver, de nos relacionar, de consumir. Tudo está diferente, logo, é praticamente impossível que seu negócio continue atuando da mesma forma. 

Então, a resposta é sim, é possível empreender na crise. E empreender não somente no sentido de abrir um novo negócio, mas de sair da inércia, ter iniciativa. É a capacidade de encontrar oportunidades mesmo em um período adverso. 

Principais desafios do empreendedorismo na crise 

Em um momento de crise, se sairá melhor o negócio que tem um planejamento bem estruturado. Afinal, é preciso estar preparado para todos os cenários de risco, principalmente o de uma crise econômica. 

Ter esse controle macro do negócio será fundamental para se ter uma visão estratégica do que pode ou não ser otimizado. Neste sentido, alguns questionamentos podem auxiliá-lo nessa percepção, como por exemplo: 

  • Quais processos são cabíveis de serem “enxugados”? 
  • Existe algum setor que poderia ser temporariamente paralisado, sem que isso afete a qualidade do serviço/produto oferecido?
  • É possível renegociar contratos com fornecedores? 

É de suma importância que se tenha um acompanhamento próximo dos indicadores do negócio. Dessa forma, você será capaz de propor novas estratégias para superar cada nova adversidade. 

Outro desafio de empreender na crise do coronavírus é em relação ao capital humano. Com as pessoas em home office, é importante estabelecer estratégias para manter a equipe motivada e alinhada em prol dos objetivos do negócio. 

Inovação é a palavra chave

Uma crise como essa pode alterar significamente a nossa forma de consumo. Novos hábitos podem surgir, e isso abre as portas para novas oportunidades de negócio. 

Isto chama a atenção para o seguinte: qualquer um de nós pode inovar! O que temos de fazer é delimitar como será esta inovação e, para isto, temos que conhecer os tipos possíveis de inovações e seus desdobramentos. (ARBACHE, Ana Paula, 2013).

Para entender melhor as possibilidades de inovação, confira como são classificados o conceito em diferentes tipos: 

Inovação Radical

É aquela que não tem precedentes, ela transforma ou cria novos mercados por meio do seu impacto. Por conta disso, gera maior complexidade em sua transposição para o mercado.

Isso acontece, pois se trata de algo novo, algo que ainda não possui fornecedores consolidados e nem mercado estabelecido. Com isso, há uma maior dificuldade em sua produção, assim como no entendimento de como essa inovação será comunicada ao mercado.

Trata-se da criação de um produto ou serviço que é totalmente diferente de tudo que existe, ou seja, é uma Inovação Radical. Esse produto ou serviço irá, em muitos casos, modificar as formas das pessoas se comportarem, e possivelmente, modificar profundamente a sociedade.

Inovação Incremental

É um processo formal de geração de ideias para melhorar algo que já existe. Acrescenta-se características novas e aumenta-se a sua competitividade no mercado. São upgrades feitos em produtos, processos ou serviços.

Um exemplo dessa inovação está no mercado de smartphones. Muitas dessas melhorias, irão transformar o mercado, modificando a forma como as pessoas se comportam e pensam, seus valores, hábitos e preferências. 

Um exemplo bastante interessante são os bancos digitais, acessados pelo smartphone, que está modificando as agências, a profissão do bancário, a forma como o cliente acessa agência.

A empresa Rappi é outro bom exemplo, a empresa Colombiana é denominada de assistente pessoal com delivery 24 horas, atuando com diferentes stakeholders (farmácias, supermecardos, restaurantes entre outros.) 

Hoje o Rappi é um unicórnio com valor de 1 bilhão de dólares. Essa inovação é incremental, pois é o update de algo que já existia. No entanto, supera as expectativas das pessoas, pois centraliza quase tudo que se precisa, em um único canal.

Inovação Disruptiva

Simples, conveniente, acessível e provocam rupturas em padrões já estabelecidos, assim pode ser caracterizada a Inovação disruptiva. 

A princípio, as empresas de serviços tendem a ser mais favorecidas pela Inovação Disruptiva, pois tem maior capacidade de escalar, ou seja, de crescer exponencialmente. 

Porém, é necessário perceber que vem chegando novas formas produtivas, promovidas pela Indústria 4.0. Com a impressão aditiva (impressora 3D), produtos poderão ser feitos em qualquer parte do globo, de maneira rápida e barata, podendo escalar de forma exponencial.

Empresas mais tradicionais podem ter dificuldades de implementar, porém podem buscar a alternativa de criar uma nova subsidiária que poderá ter foco específico na Inovação Disruptiva.  Esta inovação requer simplicidade e democratização da inovação, direcionando a empresa para um escopo maior em sua atuação.

Inovação Fechada

A inovação fechada, também conhecida como tradicional, é realizada por meio da divisão por silos e verticalização. Geralmente, se torna obsoleta diante da velocidade das mudanças e da necessidade de reação à concorrência. 

A complexidade crescente das inovações tecnológicas torna restrito o conjunto de competências organizacionais, assim como o aumento de custos com a pesquisa e o desenvolvimento (P&D). Essa estratégia pode ser arriscada, tornando a inovação cada vez mais lenta, dispendiosa e incerta. 

A inovação fechada, muitas vezes faz uso do Funil da Inovação e do modelo de stage-gate (COOPER, 1992). Esse sistema pode ser caracterizado por um funil de fases dentro do processo de inovação, entre os quais há portões que tentam filtrar potenciais projetos “perdedores”. 

Os principais critérios para a inovação próspera utilizados nos stage-gates são: novidade, viabilidade e efetividade. Muitas empresas possuem resistências com a síndrome do “não foi inventado aqui”, então não é considerado inovação, ou então “valorizar a prata da casa é sempre o melhor remédio”. 

 Open Innovation

Pensar fora da caixa é uma frase que expressa a Open Innovations, ou inovação aberta. Onde as competências organizacionais são inexistentes, e os seus custos de desenvolvimento são proibitivos, deve-se buscar parcerias, colaborações e alianças estratégicas. 

Colaboração, parceria e o estabelecimento de alianças estratégicas regem a Open Innovations. A lógica de uma área de Pesquisa & Desenvolvimento (P&D) fechada em si mesmo dentro de uma empresa individual não é suficiente para dar dos desafios crescentes de um ambiente de negócios altamente competitivo. 

No mundo desenvolvido, várias iniciativas de compartilhamento de informação, arranjos de inovação colaborativos e iniciativas de parceria (até mesmo entre competidores) vem ganhando impulso nas últimas décadas. 

Em um mundo onde o conhecimento é distribuído, torna-se inviável o fechamento e o esforço individual de inovação organizacional puro e simples, como apresenta Chesbrough (2006). Open Innovation, é a combinação de ideias internas e externas, alcançando uma forma de atingir o mercado alvo.

Oportunidades durante a crise

A crise pode também ser encarada como uma oportunidade de negócio. É da necessidade que surgem algumas das ideias mais inovadoras. 

Pensemos o seguinte, no momento com o isolamento social se fazendo necessário, as pessoas estão realizando mais compras virtuais, não é verdade? Portanto, mesmo após toda essa situação se normalizar, é muito provável que a prática de compras online se torne mais comum na vida dos consumidores. 

Logo, essa é uma necessidade do momento que pode vir a se tornar um novo hábito, uma nova realidade. E de que forma o seu negócio pode se aproveitar disso? Como sua empresa está se preparando para a nova realidade e exigências desse mercado que se apresenta pós coronavírus? 

Neste momento, a transformação digital aparece como principal estratégia para as empresas minimizarem os impactos que a crise do coronavírus está causando. A inserção e estratégias online podem ser decisivas para o seu negócio se manter vivo. 

Veja aqui neste texto algumas dicas que preparamos de como empreender online nesse período. 

Referência Bibliográfica. 

TIGRE, P.B. Gestão da inovação: a economia da tecnologia do Brasil. Rio de Janeiro: Elsevier, 2006.

ARBACHE, Ana Paula. Inovação é Uma Só Ou Tem Várias? Conheça os Tipos de Inovações. In. https://arbache.com/blog/inovacao-e-uma-so-ou-tem-varias-conheca-os-tipos-de-inovacoes/ Acesso em 29/04/2020

ROSSI, Carolina. Empreendedorismo digital: empreendendo online em tempos de crise. In. https://arbache.com/blog/empreendedorismo-digital/ Acesso em 29/04/2020

ARBACHE. Ana Paula. Inovação e Empreendedorismo em Cooperativas. Apostila do Curso Master Business Administration em Desenvolvimento Humano de Gestores. Fundação Getúlio Vargas, 2020.