Gestão de Projetos

Em Tempos de Escassez Mais Competência e Robustez: Empresas e Colaboradores Não Podem Sabotar o Futuro!

paula escassez

(Texto advindo das discussões ocorridas no X Congresso Brasileiro de Gerenciamento de Projetos – PMI – Recife – Junho de 2015.

Por Profa. Dra Ana Paula Arbache

Nos últimos meses, nos deparamos com um cenário significativamente diferente de 3 anos atrás. Um Brasil até então modelo de redução da desigualdade para algumas instituições internacionais e brilhando entre os países emergentes (BRICs). Exaltava-se, na ocasião, que estaríamos nos afastando dos anos amedrontadores de inflação nas alturas, desemprego alarmante e das mazelas que os acompanhavam.

No entanto, a chave virou e o país não é mais tudo isso! Tentando navegar contra a corrente, estamos impactados por uma estagnação econômica, afetada por um pesado pacote fiscal que já resulta na volta de conhecidos como a inflação, o desemprego crescente, o recuo de investimentos, a restrição de crédito, a redução do consumo e os novos escândalos de corrupção, que abalam decisivamente dois grandes setores da economia e suas cadeias produtivas, sendo esses: óleo e gás e construção civil. Na soma de tudo isso, sofremos com o maior dos danos para o País, ou seja, vivemos uma crise de credibilidade, onde, aos olhos de quem nos avalia, não há saída a não ser apertando os cintos!

Para garantir a credibilidade e a confiança novamente e sensibilizar o mundo de que estamos “tomando as “rédeas da situação”, precisamos fazer uma árdua lição de casa, que deveria ter sido entregue “para ontem”. Só assim, teremos chances de nos reerguermos outra vez.

Muitos profissionais ainda não se deram conta dessa virada de chave, entretanto, o dia-a-dia já dá sinais bem claros! A desaceleração da economia, aponta diretamente para uma nova (ou velha) forma de girar a roda: menos custos e mais produtividade. A receita é seguida de enxugamento de pessoal, redução nos investimentos, programas de demissões voluntárias, redução das jornadas de trabalho, cortes de benefícios e salários, redução do pagamento de bônus e participação nos lucros, cancelamentos de projetos, ampliação da terceirização, extinção ou fusão de departamentos, extinção de funções e níveis hierárquicos, maior pressão por eficiência e resultados, entre outros ingredientes indigestos.

Para sobreviver é preciso se adaptar, a coisa não está boa e já passou da hora de arrumar a casa!

Para enfrentar a crise, as empresas lançam mão de medidas temporárias e/ou definitivas, onde é mandatório ganhar capacidade para competir, aumentando a produtividade, otimizando os seus processos, inovando nas soluções e extraindo o máximo do potencial de seus talentos, ou seja, “fazer mais do mesmo não está valendo nesse processo”.

Mesmo assim, muitas vezes, não é o suficiente. Muitas equipes financeiras têm revisado, diariamente, os orçamentos de suas empresas, a ordem é mapear os riscos e enxergar onde mais se pode cortar custos. A tarefa exaustiva e complexa faz com que o ônus de arrumar a casa internamente, seja imprescindível e vigilante, cada centavo deve ser economizado!

Quem não estiver fazendo isso, não conseguirá sobreviver aos tempos de escassez e só restará fechar as portas, ou entrar em processo de recuperação judicial.

Por falar em escassez, as crises hídrica e energética somam-se a esse “pacote desagradável de más notícias”. Governos deixaram por obra do acaso, que a chuva tratasse de encher os reservatórios e que as usinas hidroelétricas pudessem produzir energia “sem água”. Como a chuva não chegou de modo suficiente para abastecer a população e as hidroelétricas (particularmente no sudeste), foi preciso lançar mão do plano B, ou seja, ressuscitar o volume morto, fazer obras emergenciais para garantir o abastecimento em período de seca, perfurar poços artesianos, acionar usinas termoelétricas…. A solução foi dura para a população e chegou em forma de contas de luz e água mais caras. Para as empresas nem se fala, o custo da operação ficou onerosa e arriscada, pois como fica uma produção sem água e sem luz, não fica!

Há pouco tempo atrás, não tínhamos preocupação com a taxa de desemprego, vivíamos um tempo de alta empregabilidade e havia facilidade em encontrar vagas em diferentes setores da economia. Muitos profissionais imigraram para o Brasil, com a certeza de que aqui, teriam mais chances do que nos países que agonizavam com a crise de 2009. A fartura acabou, a sombra do desemprego conseguiu nos apanhar e hoje cerca de 80.732 (MARTELLO, 2015) de trabalhadores estão sofrendo com o cortes de vagas formais, seja na indústria, na construção civil, no comércio ou nos serviços.

Se antes era possível escolher, hoje devemos rezar para encontrar e manter um posto de trabalho! Na contramão do que se esperava, os salários amentaram e a produtividade caía. Nem sempre o profissional contratado “entregava” aquilo que estava sendo previsto. A corrida por talentos “desequilibrou” alguns setores, esgotando a capacidade das empresas hoje assustadas com a crise, de manterem mão-de-obra onerosa em seus quadros.

Relembro aqui que há pouco tempo atrás, profissionais da área de recursos humanos e gestão de pessoas, se esforçavam para encontrar uma fórmula eficaz de captar e reter os jovens profissionais da geração Y, em postos de trabalhos nas empresas. No atual cenário, sabe-se que o maior programa de motivação para captar e reter o talento da geração y, na maioria das empresas, é a vaga e a manutenção no emprego. Antes, com o bolso cheio de recursos financeiros, o RH investia em programas diferenciados e caros, para mostrar que valia a pena estar na empresa, incentivos como viagens internacionais, alugueis de carros esportivos de luxo, cursos no exterior, treinamentos diferenciados e outros mimos que serviam de suporte para atrair e reter os talentos. Com a crise, os cortes de orçamento para ações desses tipo também chegaram no RH, de um lado a maior motivação será a existência do emprego, de outro lado, a maior recompensa é a entrega do resultado esperado, ou seja, o mecanismo que garantirá a permanência na vaga, caso contrário Game Over (ARBACHE, 2015)!

A máxima de fazer mais com menos também chegou para a área de recursos humanos, mais motivação, mais qualidade de vida, mas, tudo isso, com menos gastos!!! É hora de mostrar competência e robustez para sobreviver no período de escassez. A superação dos momentos difíceis vai depender da capacidade de entrega de cada setor da empresa, a ação inteligente e estratégica deve ser parceira inseparável para que empresas e colaboradores, não sabotem o seu futuro!

MARTELLO, Alexandro. Emprego formal tem pior desempenho para fevereiro em 16 anos. In: http://g1.globo.com/economia/noticia/2015/03/brasil-fecha-2415-vagas-de-emprego-formal-em-fevereiro.html. Acesso em junho de 2015.

ARBACHE, Ana Paula. A geração Y demitida: como está geração irá encarar o Game agora! http://www.arbache.com/blog/2015/05/a-geração-y-demitida-como-essa-geração-irá-encarar-o-game-agora.html Acesso em 22/06/2015.

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação pela PUC-SP. Mestre em Educação pela UFRJ. Certificada pelo Massachusetts Institute of Technology/MIT- Challenges of Leadership in Teams (2015), Leading Innovative Teams (2018). Docente dos cursos de MBA e Pós MBA da Fundação Getúlio Vargas. Orientadora e avaliadora de trabalhos de pós-graduação. Sócia Diretora da Arbache Innovtions, responsável pelas ações de Gestão de Pessoas, Liderança, Governança Corporativa, Sustentabilidade Ética, Social e Ambiental e Elaboração e Aplicação Jogos de Negócios. Pesquisadora e autora das obras: A Educação de Jovens e Adultos Numa Perspectiva Multicultural Crítica (2001), Projetos Sustentáveis Estudos e Práticas Brasileiras (2010), Projetos Sustentáveis: Estudos e Práticas Brasileiras II (2011), Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos (2012), A crise e o impacto na carreira (2015), O RH Transformando a Gestão – Org. (2018). Certificação em Coaching e Mentoring de Carreira para Executivos. Mentora do Capítulo PMI/SP. Curadora e Colunista do blog arbache.com/blog e Página Mundo Melhor de Empoderamento Feminino Arbache innovations. Fundadora do Coletivo HubMulheres. Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

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