Cotidiano

Conversas Que Importam, Mesmo!

mão com frase escrita

A primeira vez que recebi um convite para participar de uma mentoria para 10 finalistas empreendedores, confesso que fiquei receosa quanto a possibilidade da minha contribuição no projeto. Me questionei: será que saberei responder `as dúvidas, ser capaz de dar ideias criativas `as necessidades tão particulares de cada um, e por isso quase declinei do convite.

E de repente ouvi: é a sua cara, Ana, vem! E fui, mesmo com frio na barriga, mesmo estudando várias atualizações sobre diversas matérias, e ainda sem saber quais seriam as dúvidas dos beneficiados por este projeto, e antes de iniciar o atendimento, a contratante aborda todos os mentores e diz – Seja você mesmo. Acredite no projeto e evite fazer julgamentos precipitados. Apenas mostrem caminhos e possibilidades. Não estamos aqui para nenhum tipo de julgamento. Estamos para compartilhar experiências, ensinar e principalmente, aprender!

Confesso que fiquei um pouco confusa, pois de certo a função de ninguém era de julgar, mas no primeiro atendimento eu compreendi perfeitamente a fala. Senta um jovem de 15 anos e não fala nada. Como faltavam 15 minutos para o início, imaginei que iríamos esperar alguém que fosse responsável pelo primeiro atendimento, no qual fui surpreendida com a fala do garoto dizendo – meu sócio não virá, então podemos começar agora!

Me envergonhei de mim pois havia acabado de fazer o primeiro pré-julgamento equivocado, e compreendi completamente a fala da contratante. Qualquer julgamento é qualquer julgamento!

__________________________________

Acredite no projeto e evite fazer julgamentos precipitados. Apenas mostrem caminhos e possibilidades. Não estamos aqui para nenhum tipo de julgamento. Estamos para compartilhar experiências, ensinar e principalmente, aprender!

__________________________________

Na vida – e não somente no exemplo acima – é muito importante estarmos dispostos a conversas que importam, a perguntar o que não sabemos, a respeitarmos o tempo do outro. A sermos generosos com as palavras, com os textos de e-mails, com as relações. Não é porque é mais velho que sabe mais; nem porque é mais novo que sabe menos; não é por que quase não perguntou seja porque não tenha dúvidas; não é porque o preço é menor que é melhor, nem porque o preço é maior que é melhor também. Depende. Aliás, depende de tantos fatores! Temos que ser aguçados nessa tarefa de observar, de aprender quando estivermos ensinando; de ouvir quando não estivermos falando; e principalmente estarmos disponíveis para qualquer tipo de troca.

Ter esse cuidado com as relações é importantíssimo. Se colocar no lugar do outro, buscar soluções criativas, buscar moderar quando perceber que o excesso extrapolou o verbo. E neste dia a dia, nesse vai e vem, percebi que temos dentro de nós mais respostas e mais riquezas que nossa modéstia possa indagar ou duvidar. Encontrar o equilíbrio (sempre desejado e nem sempre possível no mundo real) e antes de falar ou escrever, avaliar se o mundo do outro sofrerá impacto positivo ou irrelevante é de uma pertinência ímpar que poucos pares se importam se não estiverem disponíveis para essa incrível experiência.

Que a vida do outro esteja mais rica depois que tenha cruzado com a nossa.
Um lindo fim de semana,

Ana Luiza Alves Lima

Nascida em Santos, São Paulo, Brasil. Advogada e Consultora na Gestão de Pessoas em São Paulo – SP, Brasil. Formação: Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Santos (UniSantos-SP); Pós-graduado em Gestão de Seguros (Fundação Getúlio Vargas – FGV-SP); Consultora do Serviço Nacional do Comércio (SENAC para cursos livres e de pós graduação) e Administração de Recursos Humanos, pelo SENAC/SP. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo e da Associação dos Advogados de São Paulo.