Coaching

Ciclo de vida de Carreira: gestão estratégica e Identidade Profissional -Palestra Empresa Junior – ESPM – 30/10/2014

palestra Identidade Profissional

Por Profa. Dra. Ana Paula Arbache

“O processo de construção de uma carreira começa muito antes do primeiro emprego. Começa na sua formação pessoal e posteriormente acadêmica, onde seria um dos primeiros pilares efetivamente construído pela pessoa. A Paula me fez enxergar a construção de uma carreira de forma estratégica e analítica, avaliando não só o custo-benefício, mas também a relação risco e retorno, somado ao meu objetivo de vida” [João Pedro Carvalho – Diretor de RH e Qualidade – Empresa Jr – ESPM]

Por quê falar em gestão de carreira para Jovens graduandos?

Benefícios e perspectivas, esse foi o tom das discussões em torno do tema, abordado com os jovens da Empresa Jr da ESPM. Ao sentarem para tratar da temática, muitos deles tiveram a oportunidade de conhecer o processo de gestão de carreira de modo sistêmico (ter conhecimento do todo), entender que esse processo é interdependente, ou seja, cada ação realizada em uma etapa de vida, é determinante para as próximas que estão por vir – assim sendo “nada é por acaso”!

O debate instalado na ocasião é de extrema importância para os jovens que levam a sério o futuro profissional, pensar na gestão de carreira é estar, frente a frente, com as tomadas de decisões que o levarão (ou não) ao sucesso profissional. Portanto, ao estarem sentados naquele momento dialogando sobre carreira, inevitavelmente, já estavam fazendo parte de um exercício reflexivo sobre o futuro profissional. Estabelecido este gatilho, gaps e potenciais foram compartilhados por todos, favorecendo a compreensão mútua e a interação produtiva dos participantes. Quanto mais cedo traçar uma rota de carreira, mais cedo os frutos virão e mais robusto o profissional se torna, para a conquista do sucesso no mercado de trabalho!

Por quê conhecer o ciclo de vida de carreira?

O ciclo de vida de carreira é uma ferramenta que possibilita enxergar a rota completa do profissional, desde do início de sua formação, até as perspectivas futuras, a partir de uma análise estratégica de cenários e composições de perspectivas. O ciclo de vida é algo customizado, cada um tem o seu, podendo manipulá-lo e torná-lo estratégico, para que o mesmo possa ser o fiel aliado na conquista de uma meta profissional. Esta ferramenta, quando bem utilizada e orientada, permite levar a carreira do profissional para um outro patamar, orientando as práticas, relações e resultados focados para um objetivo factível para futuro.

O ciclo é um processo continuo de desenvolvimento e relaciona a faixa etária do profissional e o seu estágio de carreira, o modo como ele se interessa, prepara e desenvolve a sua linha de chegada. Um ciclo influencia o outro, o que veio antes, determina o que virá depois – o elo é estabelecido e a colheita depende daquilo que se plantou.

Ao mapear o ciclo de vida, o profissional consegue observar aquilo que precisa ser deixado de lado, que está sabotando ou o desviando de sua rota de carreira e passa a ficar de prontidão, para tomar decisões assertivas e influenciadoras para seu sucesso. O entendimento do ciclo, ajuda a sair do descompasso que por horas instala-se entre, o que o presente oferece e aquilo que se quer para o futuro de médio e longo prazos. Os jovens presentes apresentaram muitas dúvidas em relação a este descompasso:

“Vou para um intercâmbio, ou entro em um estágio em uma multinacional?” “Continuo meus trabalhos na Empresa Jr, ou vou fazer um estágio”? “Será que continuo focando na área de gerenciamento de projetos, ou tenho que tentar enxergar outras áreas da minha profissão”? “Começo logo a trabalhar para ter experiência, ou atraso a minha formatura com uma viagem para fora do País? [Extrato de falas dos participantes ocorridas no decorrer da Palestra – ESPM/SP – 30/10/2104]

Ao trazerem as suas dúvidas, os jovens apresentam a necessidade de serem orientados, para que as tomadas de decisões possam gerar bons frutos. É um momento decisivo e importante para a alavancagem de suas carreira – ao entender que o ciclo é interdependente, tiveram a noção de que, o agora é importante para o depois – errar tem um custo de tempo, dinheiro, satisfação pessoal e profissional. Ao deixaram de lado esta reflexão, muitos jovens podem submeter a sua rota profissional ao acaso, ao “deixa acontecer”, e isto, pode deslocar o potencial de todo o processo de carreira. Não por acaso, falamos em gestão estratégica de carreira.

Por quê gestão estratégica de carreira?

Ao aliar teoria e prática, fazemos a ligação entre ciência e mercado. Muito se fala em carreira, coaching, mentoring, career couseling, mecanismos, metodologias e ferramentas, para orientar profissionais a encontrarem suas metas de carreira. Particularmente, foco aqui em gestão de carreira. Ganha espaço nos dias de hoje esta discussão que, instala sobremaneira na defesa de que, quanto mais nos conhecemos, mais nos tornamos conscientes de nossas ações e decisivos para a realização de nossos sonhos e conquistas. Sim, concordo com tal argumento, mas ressaltado que, desde que bem orientados e pautados em conhecimentos científicos, estes processos (como vou chamá-los), podem gerar o resultado acima. Ao permitir o autoconhecimento e ao reconhecer potenciais e gaps, o profissional torna-se responsável, consciente e comprometido (desde que assuma o compromisso ético – o princípio decisivo de todo o processo).

Vale lembrar que, dois fatores devem compor o início dos processos acima: primeiro o compromisso ético do profissional, que assume a sua responsabilidade pela sua carreira; Segundo, estar com o profissional certo que irá conduzir todo o processo, um profissional subsidiado pela veracidade de um processo científico e também ancorado pelas experiências práticas do mercado de trabalho – ao estar com a pessoa certa, as questões importantes são enxergadas e o traçar da rota torna-se real, consistente e veloz. Esse é o diferencial de um processo de gestão de carreira que seja realmente estratégico. Quando deixamos de ter um desses protagonistas engajados e preparados, o processo deixa de ser estratégico e passa a ser um mero fazedor de suposições, uma maquiagem falsa, que pode acarretar danos para os ciclos futuros gerando um custo de oportunidade imenso e levando tempo para recuperar tais danos. (Nesse momento, demonstrei aos estudantes, exemplos de ciclos de vidas de profissionais que, ao não gerenciarem estrategicamente suas carreira, deixaram de ter os resultados férteis do período virtuoso da carreira – não exercendo o cargo que gostariam e não obtendo um salário vantajoso – em um dos casos uma ação de dois anos fora do Brasil, feito sem estratégia, deixou um legado de 6 anos de atraso na rota de carreira no profissional).

A gestão estratégica é decisiva para que a meta possa ser alcançada – nela tomamos decisões importantes, como por exemplo: Fazer um MBA, ou ingressar em um mestrado acadêmico, entrar para uma multinacional como trainee, ou ingressar numa startup e crescer junto com ela? Assumir o negócio da família, ou traçar o voo solo? Atrasar a saída da faculdade e ir para um intercâmbio, ou me formar mais cedo para trabalhar e ter experiência em meu portifólio?

Para tais questões, buscam-se as análises, a visão de futuro, o foco na chegada, a proteção e o gerenciamento de riscos, estes são parceiros inseparáveis das respostas para tais questionamentos.

Termino o texto com a fala de um dos participantes: “E esse treco dá certo?”

Todo o processo é mapeado para dar resultados previamente traçados e estabelecidos, assumido por meio do compromisso ético do profissional que está gerenciamento da sua carreira. Durante anos orientando e acompanhando a carreira estudantes e profissionais de diferentes níveis de atuação, é possível comprovar a eficácia de um processo, que utilizando o ciclo de vida de carreira profissional, obtiveram sucesso scomprovados. A partir das metas estabelecidas e atentos com prontidão científica e conhecimento de mercado, é possível sim, potencializar as ações e promover as mudanças e objetivos traçados. Por isto respondo: o treco dá certo, e muitos profissionais usam esse treco para serem felizes e realizados profissionalmente e pessoalmente.

Agradeço a todos os estudantes e componentes da Empresa Jr/ESPM pela acolhida na ocasião de nosso encontro.

*Texto decorrente de Palestra ministrada na Empresa Jr. Escola Superior de Propaganda e Marketing – SP – ESPM – Outubro de 2014. Profa. Dra. Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação pela PUC-SP. Mestre em Educação pela UFRJ. Certificada pelo Massachusetts Institute of Technology/MIT- Challenges of Leadership in Teams (2015), Leading Innovative Teams (2018). Docente dos cursos de MBA e Pós MBA da Fundação Getúlio Vargas. Orientadora e avaliadora de trabalhos de pós-graduação. Sócia Diretora da Arbache Innovtions, responsável pelas ações de Gestão de Pessoas, Liderança, Governança Corporativa, Sustentabilidade Ética, Social e Ambiental e Elaboração e Aplicação Jogos de Negócios. Pesquisadora e autora das obras: A Educação de Jovens e Adultos Numa Perspectiva Multicultural Crítica (2001), Projetos Sustentáveis Estudos e Práticas Brasileiras (2010), Projetos Sustentáveis: Estudos e Práticas Brasileiras II (2011), Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos (2012), A crise e o impacto na carreira (2015), O RH Transformando a Gestão – Org. (2018). Certificação em Coaching e Mentoring de Carreira para Executivos. Mentora do Capítulo PMI/SP. Curadora e Colunista do blog arbache.com/blog e Página Mundo Melhor de Empoderamento Feminino Arbache innovations. Fundadora do Coletivo HubMulheres. Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

Deixe seu comentário

Clique aqui para publicar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.