Cotidiano Inovação

Audiodescrição, Uma Experiência Que Só Vivenciando…

audiodescrição

Audiodescrição, para quem nunca ouviu falar, trata-se da transposição em palavras das imagens que são narradas para tornar materiais audiovisuais acessíveis. Ouvi a audiodescrição de um casamento e confesso que mesmo enxergando, não estava atenta aos detalhes descritos pela pessoa que estava trabalhando, mas o que mais me chamou a atenção, e por isso divido aqui, é o fato da audiodescrição vir ausente de avaliação, ou seja, sem crítica, sem julgamento, sem entonação exagerada, e sem qualquer indício de barreira que leve o ouvinte a deduzir nos moldes e crenças de quem estava descrevendo a imagem. É claro que nós sabemos, que uma comunicação eficiente passa por este processo de avaliar somente os fatos, mas o dia a dia, a prática e os anos que carregamos junto com as crenças e experiências vividas e sofridas, faz-nos carregar na entonação, no julgamento e na crítica, mesmo que “de brincadeira”, mesmo que para cutucar, e isto distorce o produto final.

Fiquei tão emocionada com este trabalho que possibilita aos não-videntes (cegos ou com baixa visão) compreenderem o que se passa ao redor e que só os olhos captam, que me envergonhei de certa forma por não usar a visão da forma como aquela profissional foi treinada a audiodescrever. Confesso também que o melhor aprendizado da experiência foi perceber que, não adianta só enxergar para ser capaz de audiodescrever, a pessoa precisa compreender que a audiodescrição vai além da visão, ela analisa o que é importante ser visto, aonde estão os detalhes que merecem ser ditos; o que está acontecendo de relevante ao redor que precisa ser audiodescrito, e o melhor, a adiodescrição torna, por exemplo, uma cerimônia que talvez possa ser mais emocionante só para as pessoas mais próximas envolvidas, num evento realmente envolvente para todas as pessoas. O deficiente visual “perde” detalhes que acontecem quando as palavras param de ser ditas, mas o audiodescritor devolve a estas pessoas estes momentos, tornando aquele evento mais agradável, mais interessante, e mais inclusivo, e por que não dizer, mais dentro daquilo que realmente aconteceu quando as palavras se calaram e a riqueza informacional se tornou presente. E finalizo dizendo que alguns videntes (sinônimo de pessoas que enxergam), sequer puderam experimentar igual vivência por estarem desfocadas do momento presente, apesar da visão.

Um lindo final de semana,

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Ana Luiza Alves Lima

Nascida em Santos, São Paulo, Brasil. Advogada e Consultora na Gestão de Pessoas em São Paulo – SP, Brasil. Formação: Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Santos (UniSantos-SP); Pós-graduado em Gestão de Seguros (Fundação Getúlio Vargas – FGV-SP); Consultora do Serviço Nacional do Comércio (SENAC para cursos livres e de pós graduação) e Administração de Recursos Humanos, pelo SENAC/SP. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo e da Associação dos Advogados de São Paulo.

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