Cotidiano

A Poltrona Vermelha

poltrona vermelha

Toda vez que a gente aceita expandir nosso olhar sobre o que acontece fora do perímetro da queda fisiológica do nosso cordão umbilical, podemos reparar na grandeza tanto bela quanto estúpida dos nossos pares e de nós mesmos.

Compreender que somos e estamos todos na mesma luta, com batalhas diferentes e propósitos semelhantes, faz com que qualquer ser humano possa ser visto como um espelho de nós mesmos, por isso que todo julgamento sobre o outro seja – no meu modo de encarar a vida – uma sentença contra quem o proferiu; como também toda a alegria envolta no ser que amamos, seja um reflexo daquilo que afloramos quando o outro deixa em nós um perfume que já nos pertence. Simples assim!

Parece “conversa mole” mas muitas vezes podemos estar tão distante do essencial, do que movimenta a vida que existe em nós, que permitir-se ficar preso por conceitos rígidos, por regramentos ultrapassados, faz com que nossa existência se torne pobre e pífia. Vamos avançar?

Quando deixamos o genuíno se aproximar, vindo ele da forma que for, nos tornamos pessoas mais concretas, e aí sim o viço retorna aos sentidos e parece que um prazer inenarrável “volta a circular”.

Deixar o outro melhor depois que o deixamos é sempre uma meta a perseguir. Temos finitude no viver e quereres múltiplos e muitas vezes insaciáveis. Escolher melhor nossas batalhas exige de nós esse aperfeiçoamento e expansão do diferente. É mais fácil seguir uma cartilha pronta que arriscar-se no seu próprio método. Que desafio essa escolha.

Nem tudo se explica, nem tudo é cartesiano, e certamente morreremos com várias incógnitas sem desvendar, mas sair para o desconhecido, é infinitamente menos dolorido que viver porque se respira, é enriquecedor.

Rechear de emoção nossa vivência não nos tornará mais vulneráveis, como muitos “durões” que elegem suas bravatas podem acreditar. Algumas coragens nos serão impostas no curso da jornada, e não refrear o choro, ou mesmo tremendo prosseguir pelo caminho, são tarefas que nos exigirão certo traquejo com vontades intermináveis de recuar…Tentem evitar a paralisação, pois ultrapassado o tremor, asseguro que o horizonte se estende numa experiência inigualável.

Às vezes, o que vemos da vida se resume a um medíocre e “simples cômodo monocromático” que nossa ignorância – certamente – nos impingirá à condenação sem piedade.

Noutras vezes, poderemos enxergar a “poltrona vermelha” tão destacada à nossa frente, e que gira e que gira…

Sejamos movimento, apesar das vertigens, sejamos movimento.

As poltronas vermelhas nem sempre estarão disponíveis no ambiente em que a procurarmos, mas elas existem e vale o insight.

Nós a encontramos quando simplesmente relaxamos, e aí ela se torna aparente, e aí vale o riso e vale a oportunidade do avanço pela descoberta do diferente. O riso, a descontração e a insuportável leveza da vida – no modo mais simples, farão você retornar ao mundo real com um abraço mais apertado, uma vontade mais vívida, acredite! E com uma capacidade incrível de deixar as bagagens desnecessárias no meio do caminho para ter mais espaço para sentir o peso da leveza do melhor viver.

E você? Já encontrou sua poltrona vermelha ou gosta mesmo deste cômodo monocromático mesmo?

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Ana Luiza Alves Lima

Nascida em Santos, São Paulo, Brasil. Advogada e Consultora na Gestão de Pessoas em São Paulo – SP, Brasil. Formação: Bacharel em Direito pela Pontifícia Universidade Católica de Santos (UniSantos-SP); Pós-graduado em Gestão de Seguros (Fundação Getúlio Vargas – FGV-SP); Consultora do Serviço Nacional do Comércio (SENAC para cursos livres e de pós graduação) e Administração de Recursos Humanos, pelo SENAC/SP. Membro da Ordem dos Advogados do Brasil, Secção de São Paulo e da Associação dos Advogados de São Paulo.

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