Estratégia

A Importância da Água Para a Vida e Para a Economia

agua economica

Autor: Prof. Dr. Carlos Eugênio Friedrich Barreto

O sucesso de um empreendimento depende basicamente de três fatores – uma estratégia adequada, processos organizados e pessoas capacitadas e motivadas. Nesse contexto, vamos tratar de um aspecto crítico do processo estratégico – a análise do ambiente. No chamado ambiente geral estão presentes as variáveis políticas, econômicas, socioculturais, tecnológicas e ambientais. Não vamos aqui nos referir às variáveis do chamado ambiente setorial ou indústria. As empresas bem-sucedidas aprendem a juntar as informações necessárias para compreender os possíveis cenários gerados a partir do comportamento e articulação dessas variáveis, então desenvolvem estratégias para aproveitar as oportunidades e contornar as possíveis ameaças.

Vamos nos concentrar em um elemento da variável ambiental – água. Somente com a ameaça da falta nos damos conta da importância desse recurso para a vida em geral e para a economia. Ninguém imagina que para produzir um quilo de carne bovina são necessários 15.000 litros de água, para produzir uma calça jeans são gastos mais 11.000 litros do precioso líquido. Já, o processo produtivo de um automóvel, demanda algo em torno de 400.000 litros de água, (FURLAN e VIEIRA, 2015). Considere a demanda por água para beber, para higiene e limpeza e para o sistema de refrigeração no setor de serviços, por exemplo, no segmento de alimentos e bebidas, hotelaria, hospitalar, prédios de escritórios, salões de beleza etc. A economia é movida à agua. Do total da água consumida, aproximadamente, 70% são absorvidas pela atividade agropecuária, 20% são demandados pela atividade industrial, comércio e serviços e 10% são destinadas ao consumo humano.

Recentemente, no interior do Estado de São Paulo e Minas Gerais, vários agricultores já perderam acesso à água para irrigar suas plantações. Isso, necessariamente, implicará escassez e encarecimento de alimentos, sem falar na falência desses produtores rurais e na elevação dos preços desses produtos. Esse efeito se fará sentir no leite, na carne nas frutas e assim por diante. Não bastasse o enfraquecimento do regime de chuvas, nas regiões sul, sudeste e centro-oeste brasileiro, um estudo do ISA-Instituto Socioambiental (2014), sobre abastecimento e saneamento básico nas 27 capitais brasileiras revela que 45% da água retirada dos mananciais dessas cidades são desperdiçados em vazamentos, submedições e fraudes. Ou seja, são perdas que podem ser reduzidas ou eliminadas com gestão de agentes públicos e privados, independentes da ação da natureza.

Juntamente com a demanda por água vem a demanda por energia elétrica. Segundo a ANEEL-Agência Nacional de Energia Elétrica (2015), 75% da energia elétrica produzida no Brasil são de origem hidrelétrica, ou seja, dependem dos reservatórios d’água e esses, por sua vez, do regime de chuvas. Na medida em que a geração dessa energia é reduzida nos vemos obrigados a substitui-la por geração termelétrica, muito mais cara e poluente, implicando elevação dos custos da produção e perda de competitividade das empresas brasileiras. Pior ainda, havendo racionamento da oferta de energia elétrica, isso, inexoravelmente, levaria a uma redução na taxa de crescimento da economia, acarretando uma série de problemas em cadeia, como aumento do desemprego, redução da oferta de produtos e serviços, elevação dos preços, subida da taxa de inflação, perda de arrecadação de impostos e elevação da taxa de juros, o que dificultaria ainda mais a recuperação do crescimento econômico.

Problemas agravados forçam novas soluções de curto, médio e longo prazos. Imediatamente, precisamos reduzir desperdícios, introduzir novos equipamentos, novos hábitos e novos processos de consumo mais racionais, promover captação de água da chuva, principalmente em áreas urbanas, preservar mananciais e nascentes, resguardar e recompor as matas ciliares, intensificar o tratamento de águas servidas para reutilização, nesse caso, o setor industrial uma imensa contribuição a prestar e, também, buscar água em fontes alternativas como do subsolo, por exemplo. Todas essas alternativas já são comprovadas em países como Japão, Estados Unidos, Israel, Alemanha e muitos outros.

Então, ao pensarmos um empreendimento, qualquer que seja a atividade, há que se analisar muito bem todas as variáveis presentes no ambiente. Nesse artigo tentamos explorar as implicações que podem advir da escassez de um recurso natural – a água – em termos de custo e tempo, capazes até mesmo de inviabilizar o projeto.

Palavras chave: Ambiente. Economia. Água. Projeto.

Referência Bibliográficas

FURLAN, F.; VIEIRA, R. A vida sem água: como as empresas brasileiras vão atravessar o período de seca e o provável racionamento de água – e as lições que devemos tirar para essa crise não se repetir. Exame, São Paulo, edição 1083, ano 49, n. 3, p. 20-9, 18/Fev. 2015.

WHATELY, M. Haverá água para todos? Le Monde Diplomatique Brasil. n. 91, 21 janeiro 2015. Seção Meio Ambiente. Disponível em . Acesso em : 20/02/2015.