Coaching

A Geração Y Demitida! Como Irá Encarar o Game Agora?

geração y

Por Profa. Dra.  Ana Paula Arbache 

Agora o cenário é outro, o “mini mundo”  não possui a visão agradável do futuro, o céu de brigadeiro deu espaço para chuvas e trovoadas e a alta empregabilidade resolveu pedir um break!

“Até a geração Y começou a ser dispensada” […] relatou Marcelo Ferrari., diretor da Mercer, consultoria de RH em recente reportagem da Folha de São Paulo. O diretor evidencia que as companhias, frente a crise econômica, já estão modificando as suas estruturas para enfrentar os desafios que se apresentam. Entre as modificações estão as extinções de funções, a ampliação da terceirização, cortes de departamentos, redução de níveis hierárquicos, redução de jornadas e salários, corte de benefícios e, por fim, as demissões (Folha de São Paulo, Cadernos Mercado, p. B1, 12/04/2015).

Bastante falada nos últimos anos e objeto de pesquisas e estudos, muito se buscava saber quais seriam as boas práticas na área de gestão de pessoas, para captar e reter a tão falada “geração Y”. A problemática que se revelava expunha a necessidade de olhar com diferentes olhos, para uma geração que não se enquadrava nas práticas, até então administradas pelas companhias, para captar e reter seus talentos. Dessa maneira era importante debruçar sobre a causa e trazer à tona, todas as inovações que formulassem um conjunto de ações capazes de responder, com efetividade, a chave do enigma!

O jogo de palavras é proposital, muito se buscou para aproximar os links do universo dessa geração com o mercado de trabalho, aliado a essas novas formulações, o cenário do jogo estava fértil, pois a alta empregabilidade contribuía para que os jovens da geração Y, pudessem escolher as próximas etapas a um “clique”, ou seja, a uma nova proposta de vaga! Tudo muito atrativo e dinâmico, favorecido por um mercado aquecido e de grandes expectativas para o futuro. Quando não estava afim de “jogar”, havia algum responsável pelas despesas do jovem com um bom emprego, para prolongar a entrada do mesmo no mercado, dando-lhe mais tempo para as suas escolhas.

Agora o cenário é outro, o “mini mundo” não possui a visão agradável do futuro, o céu de brigadeiro deu espaço para chuvas e trovoadas e a alta empregabilidade resolveu pedir um break. Os jogadores passam a ter que fazer manobras em um ambiente interno, assustado pelo impacto de uma crise econômica e uma crise hídrica e energética, cujos efeitos não são nada animadores. As companhias estão preocupadas com a sua própria sustentabilidade e para que isto possa acontecer, começam a tomar providencias nada atrativas colocando seus talentos á prova, ou seja, pressão por eficiência, otimização dos processo, inovação com geração de receita e produtividade. As novas políticas de gestão de pessoas deverão falar a mesma língua das estratégias das companhias em territórios inflacionários, de ajustes fiscais e altos custos de produção. Para a geração Y, o jogo está somente no início, muitas fases da carreira estão por vir, no entanto, saímos da versão 1.0 do game e, para ser bom jogador, será preciso mudar a versão Beta para a versão Gold!

Nessa nova versão a mudança não está a um clique, a taxa de recolocação está maior, as empresas passam a buscar talentos que realmente possam encarar os desafios e, mais ainda, gerar bons resultados. A robustez na entrega do que foi prometido na contratação, será medida por meio de seu desempenho e, caso isto não ocorra, Game Over para jogador!

Outro “vírus” que assombra o jogo é que o mercado busca por profissionais com salários mais baixos e isso também impacta na renda doméstica das famílias, aqueles jovens que até então buscavam entrar tardiamente no jogo, correm o risco de terem que acelerar os planos, uma vez que podem ser requisitados a contribuir com a renda familiar, assim, entrarão no jogo sem terem vivenciado a versão Beta! Será então um jogador de primeira viagem!

Como vimos o drive mudou mesmo! Entretanto, não deixamos de olhar para o cenário multigeracional presente nas companhias, muito menos para as especificidades que cada uma delas traz para esses cenários, mas só isso não basta. As companhias já sinalizam suas estratégias, como informou a reportagem acima citada, resta saber como os jogadores lidarão com a nova versão do game!

OBS: Usei como analogia a linguagem dos games nesse artigo. Gostaria de deixar uma sugestão para aqueles que gostam de conhecer estórias interessantes e que podem ser transpostas para o universo empresarial – o vídeo a História dos Vídeos Games – mostra a origem dos vídeos games, desde os tempos dos pesquisadores do MIT, até a “virada de chave” que a Nintendo deu para fazer reviver a indústria dos games, com os jogos Super Mario Brothers e The Legend of Zelda! A história mostra bem a passagem da versão Beta para a Gold!

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação/PUC-SP. Mestre em Educação/ UFRJ. Certificada pelo MIT- Challenges of Leadership in Teams. Docente MBA e Pós MBA da FGV. Sócia Arbache Innovations, Plataforma de Mentoring Arbache.Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

Deixe seu comentário

Clique aqui para publicar um comentário

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.