Sustentabilidade

A Desertificação E A Crise Da Água No Planeta: A Economia Ambiental E A Sede De Consumidores E Acionistas!

desertificação

Prud’ Homme (2011, p.1) divulgou que as mudanças climáticas ameaçam “transformar partes do planeta em desertos”. Para o mesmo, a seca, diferente de outros fenômenos meteorológicos extremos como tornados, tsunamis e terremotos, pode se tornar condição permanente em algumas regiões do planeta. Os efeitos não são sentidos de imediato e, para alguns climatologistas, é “um desastre que se arrasta”. O ressecamento, a desertificação, o calor excessivo trazem à tona o que as Nações Unidas temem, ou seja, uma crise iminente de escassez de água. Neste cenário, a valorização e o consumo de água ganham destaque, principalmente, com o aumento da população e a pressão a respeito das fontes de água. Prud’ Homme afirma que a demanda mundial por água crescerá em dois terços até 2025.

Diante disso, o que se apresenta é uma das facetas mais preocupantes no que tange às questões ambientais e no modo de vida contemporâneo, levando-nos em três vértices elencados pela teoria da economia ambiental relatada por Thomas & Callan (2011): a) comportamento do consumidor; b) estratégia corporativa; c) desenvolvimento de políticas públicas.

O primeiro enfatiza a importância de maior conhecimento e conscientização do consumidor no momento no qual escolhe e descarta os produtos que adquire. A maior adequação entre a necessidade de consumo e o consumismo ou o desperdício, como também, a importância de estar inserido em um fluxo de descarte que poderá reciclar, reutilizar ou mesmo descartar o produto de modo apropriado, é fundamental para que as consequências do consumo sejam amenizadas.

O segundo pressupõe uma mudança na concepção dos produtos. As empresas e seus acionistas devem redefinir suas estratégias, planejamentos e decisões levando-se em consideração a relação saudável entre atividade econômica e o meio ambiente. Desta forma, estarão atendendo à demanda mundial de consumidores ambientalmente mais conscientes, como sugere Thomas & Callan. A preocupação ambiental deve aparecer na lista de prioridades das empresas, como um exercício desafiador de aliar produção, consumo, meio ambiente e lucro (ARBACHE, 2010, 2011). Sendo assim, atividade econômica e meio ambiente estão inexoravelmente ligados.

Nesta nova realidade, os negócios devem ser pensados dentro da expressão “do berço ao berço”, ou seja, tudo que é produzido de modo ambientalmente correto deve ser descartado com o mesmo princípio. É preciso que as empresas identifiquem soluções para o possível dano que “seu” processo produtivo causa ao meio ambiente e, em seguida, encontre causas, escopo e solução para o dano ambiental. Nesta nova fórmula de atuar no mercado estão conectados a consciência e o comprometimento com a preservação ambiental, a inovação e a competitividade, sendo importante para que isso ocorra a capacitação e a formação de profissionais mais arrojados no trato de seus afazeres.

O terceiro, e não menos significativo, é o desenvolvimento de políticas públicas que possam orientar e adequar as atividades econômicas à natureza. No Brasil, a legislação já abrange diferentes vertentes ligadas às questões ambientais, como: Lei da Fauna Silvestre; Lei da Política Agrícola; Lei da Política Nacional do Meio Ambiente; Lei dos Recursos Hídricos; Lei que institui a Política Nacional de Resíduos Sólidos, entre outras. Estas políticas devem ter capilaridade ao contexto nos quais atuam, bem como promover ações de monitoramento e controle na sua aplicação, além de exercer medidas disciplinares para aqueles que não as cumprem.

Os textos abaixo descritos são interessantes na medida em que abordam políticas e encontros nacionais e mundiais que demarcaram a proposição de políticas públicas voltadas para a preservação do meio ambiente no planeta.

1. Ações Municipais, Nacionais e Mundiais: das políticas públicas às práticas da iniciativa privada em prol à sustentabilidade ambiental – Pitadas informativas do Dia do Meio Ambiente de 2011. (Arbache.blogspot.com). Em nível municipal, a cidade de São Paulo sediou o Encontro da Rede C40, reunindo prefeitos e autoridades das maiores cidades do mundo no combate às mudanças climáticas.

2. A Lei do Lixo e a Responsabilidade das Indústrias: o Caso Nettoage Uniformes Industriais. No dia 03 de agosto de 2010, foi sancionada pelo Presidente Lula a Política Nacional de Resíduos Sólidos (Lei do Lixo, ou política do “berço ao berço”) que tramitou no Congresso durante 20 anos e agora estabelece um novo cenário para os negócios.

3. Convenção de Nagoya (Japão/Outubro de 2010) – Lucros em biodiversidade! (Arbache.blogspot.com). O Protocolo de Nagoya estabelece regras mundiais a respeito de ABS (em inglês “acesso e repartição de benefícios oriundos da biodiversidade). O texto do documento esclarece que o uso comercial de substâncias ou genes de qualquer espécie nativa de determinado país (planta, animal ou micróbio – por exemplo) depende do consentimento informado do governo desse país.

4. Convenção de Cancún – COP-16 – 2010 Convenção do Clima (Arbache.blogspot.com). Vale conferir o que ficou acordado na Convenção do Clima em Cancún e as pendências que ficam para a COP-17 em Durban, no balneário sul-africano, em 2011.

As palavras de Prud’Homme iniciaram este artigo alertando para a desertificação e a crise da água no planeta. Em seguida, buscaram-se os ensinamentos advindos da economia verde ou economia ambiental desenvolvida por Thomas & Callan para traçar possíveis pistas que possam minimizar os impactos que as atividades econômicas possam gerar ao meio ambiente. Finalmente, o nosso objetivo maior foi discutir a questão do equilíbrio entre a qualidade ambiental e desenvolvimento econômico, em um esforço para saciar a “sede” de consumidores e acionistas em todo o mundo.

Referências Bibliográficas:

ARBACHE, Ana Paula (Org). Projetos Sustentáveis: estudos e práticas brasileiras I. São Paulo: Editorama, 2010.

_____________. Projetos Sustentáveis: estudos e práticas brasileiras II. São Paulo: Raízes, 2011.

PRUD’HOMME, Alex. Prevendo um Planeta mais seco. The New York Times/ Folha de São Paulo. São Paulo, 25 julho 2011.

THOMAS, Janet & CALLAN, Scott. Economia Ambiental: aplicações, políticas e teoria. Trad. Antonio Claudio Lot. São Paulo: Cengage Learning, 2010.

Ana Paula Arbache

Ana Paula Arbache

Pós-doutora em Educação pela PUC/SP. Doutora em Educação pela PUC-SP. Mestre em Educação pela UFRJ. Certificada pelo Massachusetts Institute of Technology/MIT- Challenges of Leadership in Teams (2015), Leading Innovative Teams (2018). Docente dos cursos de MBA e Pós MBA da Fundação Getúlio Vargas. Orientadora e avaliadora de trabalhos de pós-graduação. Sócia Diretora da Arbache Innovtions, responsável pelas ações de Gestão de Pessoas, Liderança, Governança Corporativa, Sustentabilidade Ética, Social e Ambiental e Elaboração e Aplicação Jogos de Negócios. Pesquisadora e autora das obras: A Educação de Jovens e Adultos Numa Perspectiva Multicultural Crítica (2001), Projetos Sustentáveis Estudos e Práticas Brasileiras (2010), Projetos Sustentáveis: Estudos e Práticas Brasileiras II (2011), Sustentabilidade Empresarial no Brasil: Cenários e Projetos (2012), A crise e o impacto na carreira (2015), O RH Transformando a Gestão – Org. (2018). Certificação em Coaching e Mentoring de Carreira para Executivos. Mentora do Capítulo PMI/SP. Curadora e Colunista do blog arbache.com/blog e Página Mundo Melhor de Empoderamento Feminino Arbache innovations. Fundadora do Coletivo HubMulheres. Palestrante em encontros nacionais e internacionais.

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