Cotidiano

Sobre Uma – de Tantas – Sabedorias da Jú…

olhos sabedorias

Tem poucas semanas, conheci uma pessoa interessantíssima.

Vou chamá-la aqui só de Jú porque é assim que a chamo. Ela tem uma experiência de vida bastante densa e cheia de histórias riquíssimas, mas a visão que ela tem da vida supera qualquer olhar mais atento de qualquer um de nós: ela perdeu a visão aos 5 anos nos dois olhos e à partir daí construiu uma vida completamente diferente daquela que conhecia até então… mas não é exatamente dela que quero abordar com este texto, mas sim, de como a vida mesmo transformada, não a impediu de enxergar suas escolhas.

Em uma das nossas conversas, ela me explicou que não é só a visão que vê, e que temos (todos nós, sem exceção) os outros sentidos que nos complementam em tudo, mas que fomos habituados a usar “só” a visão para percebermos a maioria das coisas.

O mundo em si é muito visual, e isso torna os outros sentidos mais preguiçosos e quase sem função, eu ousaria escrever. É preferível olhar a panela com arroz que ouvir o borbulhar da água. É mais fácil procurar por placas de “banheiro” que usar o olfato e o senso. O paladar então, são raríssimas as pessoas que se valem dele da forma ampla e extravagante. A vida parece que passa tão correndo em tantos aspectos, que “dar uma vista de olhos” parece bastar pra muita gente!

No dia seguinte desta conversa, tive que comparecer a uma escola bem grande, e ao tentar pedir informação daonde teria um banheiro mais próximo, me dei conta que todos estavam em sala de aula, e não tinha ninguém para me direcionar o sentido, ocasião em que me coloquei a lembrar da minha conversa com a Jú e fiz o experimento: fechei os olhos a ponto de me concentrar em mim e me coloquei a caminhar de olhos cerrados. É certo que tinha noção daonde estava e que inexistiam rampas ou escadarias, por isso “tomei coragem” e fui, sentindo brisa, cheiros, barulhos e por fim, depois de alguns bons passos, (através do odor daquela mistura de cheiros de material de limpeza, como também pelo ruído daquela peça hidráulica desregulada que mantem a porta fechada depois que passamos), achei o banheiro de olhos fechados, quase orgulhosa de mim por um feito tão banal.

Confesso aqui que me deu vontade de abrir meus olhos várias vezes mas insisti, pois a Jú disse que qualquer um conseguiria, e ela está certa. Somos tão ricos e com tantas capacidades múltiplas, que dá até vergonha não utilizá-las minimamente… Pense nisso! E obrigada Jú, suas histórias acendem em mim um clarão de alegria e satisfação, acredite!

Um lindo final de semana,

Ana Luiza

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.” Clarice Lispector

 

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