Cotidiano

Atenção Ao Momento Presente, e Um Excelente Fim de Semana!

reflexão no por do sol

Relembrei fortemente deste meu texto abaixo escrito em 2013, ao entrar ontem no elevador com minha vizinha, que estava com seu cãozinho no chão e ao me despedir dela no elevador, pedi que segurasse o cachorro, pois ele poderia sair no meu andar que não é o dela, e ela me disse – fique tranquila, ele não irá sequer na porta, pois ele sabe que não é nosso andar! E não foi mesmo!! E eu, quantas vezes desatenta, já não saí no andar errado…. #prapensar

Sobre uma – de tantas – sabedorias da Jú…
Tem poucas semanas, conheci uma pessoa interessantíssima.
Vou chamá-la aqui só de Jú porque é assim que a chamo. Ela tem uma experiência de vida bastante densa e cheia de histórias riquíssimas, mas a visão que ela tem da vida supera qualquer olhar mais atento de qualquer um de nós: ela perdeu a visão aos 5 anos nos dois olhos e à partir daí construiu uma vida completamente diferente daquela que conhecia até então… mas não é exatamente dela que quero abordar com este texto, mas sim, de como a vida mesmo transformada, não a impediu de enxergar suas escolhas.

Em uma das nossas conversas, ela me explicou que não é só a visão que vê, e que temos (todos nós, sem exceção) os outros sentidos que nos complementam em tudo, mas que fomos habituados a usar “só” a visão para percebermos a maioria das coisas.

O mundo em si é muito visual, e isso torna os outros sentidos mais preguiçosos e quase sem função, eu ousaria escrever. É preferível olhar a panela com arroz que ouvir o borbulhar da água. É mais fácil procurar por placas de “banheiro” que usar o olfato e o senso. O paladar então, são raríssimas as pessoas que se valem dele de forma ampla e extravagante. A vida parece que passa tão correndo em tantos aspectos, que “dar uma vista de olhos” parece bastar pra muita gente!

No dia seguinte desta conversa, tive que comparecer a uma escola bem grande, e ao tentar pedir informação daonde teria um banheiro mais próximo, me dei conta que todos estavam em sala de aula, e não tinha ninguém para me direcionar o sentido, ocasião em que me coloquei a lembrar da minha conversa com a Jú e fiz o experimento: fechei os olhos a ponto de me concentrar em mim e me coloquei a caminhar de olhos cerrados. É certo que tinha noção daonde estava e que inexistiam rampas ou escadarias, por isso “tomei coragem” e fui, sentindo brisa, cheiros, barulhos e por fim, depois de alguns bons passos, (através do odor daquela mistura de cheiros de material de limpeza, como também pelo ruído daquela peça hidráulica desregulada que mantem a porta fechada depois que passamos), achei o banheiro de olhos fechados, quase orgulhosa de mim por um feito tão banal.

Confesso aqui que me deu vontade de abrir meus olhos várias vezes mas insisti, pois a Jú disse que qualquer um conseguiria, e ela está certa. Somos tão ricos e com tantas capacidades múltiplas, que dá até vergonha não utilizá-las minimamente…

Fomos juntas também até a 25 de março, e ao passarmos na porta do metrô, ela me disse – aqui está a estação São Bento, e não pude deixar de exclamar: Oiiii??? Ela me pegou pelo cotovelo e voltamos para antes da entrada, e ela disse: perceba… Eu fechei os olhos e retomei a caminhada: o ar ao chegar perto da porta do metrô é mais denso, os barulhos são absurdamente peculiares ao local, além do leve tremor do piso com o trem chegando…

Pense nisso! E obrigada Jú, suas histórias acendem em mim um clarão de alegria e satisfação, acredite!

Um lindo fim de semana,

Ana Luiza

“Não quero ter a terrível limitação de quem vive apenas do que é passível de fazer sentido. Eu não: quero uma verdade inventada.” Clarice Lispector

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